<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404</id><updated>2011-12-12T13:44:10.717Z</updated><category term='Claus'/><category term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><title type='text'>O silêncio de Deus</title><subtitle type='html'>A maior provação do Homem</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://silenciodeus.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>105</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6069570430745055334</id><published>2011-12-12T13:17:00.001Z</published><updated>2011-12-12T13:27:44.715Z</updated><title type='text'>A simplicidade e o simplório</title><content type='html'>Talvez seja demasiado minuciosa, mas sempre vi uma enorme diferença entre &lt;strong&gt;a simplicidade e o simplório&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;A simplicidade, para mim, é uma obrigação, um exercício diário de bonomia, é tentarmos chegar perto dos outros. &lt;strong&gt;Na escrita, por exemplo, a&amp;nbsp;simplicidade é o brilhante exercício de tentarmos traduzir qualquer coisa complexa por forma a que qualquer pessoa possa entendê-lo. E isso é democratizar, é partilhar, é não fazer do saber uma forma de poder.&lt;/strong&gt; Nada me dá mais prazer do que ler um bom escritor que, em frases muito simples, consegue traduzir toda a complexidade da emocionalidade humana, provocando em qualquer um aquele aperto no estômago de quem se identificou ou reviu. Isso é excelência. Igualmente, gosto de pessoas simples, frontais, de peito aberto, generosas e inteligentes, sem maneirismos, trejeitos e manias de grandeza. Isso é elegância.&lt;br /&gt;Outra coisa, completamente diferente, é o simplório. &lt;strong&gt;O simplório é aquele que não faz qualquer esforço para comunicar, para dialogar. Todo ele é imposição.&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Num texto, por exemplo,&amp;nbsp;o simplório é aquele que vai buscar os nossos sentimentos mais básicos e os empola, não raramente para provocar e incendiar reacções. Para ver tudo a arder. O simplório usa da provocação barata para mascarar um profundo sentimento de inferioridade, seja lá em relação ao que for; e, só por isso, mesmo quando tem, perde a razão. Porque Razão (racionalidade)&amp;nbsp;ele não tem. E, infelizmente, o que não falta por aí são textos simplórios a darem cabo de valiosos patrimónios. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;A simplicidade dignifica, o simplório descredibiliza.&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para algumas pessoas&amp;nbsp;deve ser difícil distinguir estes conceitos, ou, então, porque o que não falta é cinismo, talvez os confundam propositadamente. Mas o que é, É.&lt;br /&gt;Um texto de Alberto Pimenta é simples e brilhante, mesmo que contenha&amp;nbsp;mil vezes a expressão&amp;nbsp;"filho-da-puta", &amp;nbsp;porque na sua essência&amp;nbsp;está a &lt;strong&gt;universalidade&lt;/strong&gt;, aquilo que a todos é comum e a todos nos liga. E por qualquer um, desde que a isso se proponha, pode ser entendido.&lt;br /&gt;Ao contrário, um mau texto, mesmo que escrito nas mais correctas regras&amp;nbsp;da síntaxe e semântica, é redutor. Na ânsia da proximidade, segrega, aparta, discrimina. Incendeia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&amp;nbsp;a mim, parece-me, a&amp;nbsp;proximidade só se consegue pela simplicidade&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6069570430745055334?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6069570430745055334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6069570430745055334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/12/simplicidade-e-o-simplorio.html' title='A simplicidade e o simplório'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-1050579798293973490</id><published>2011-10-31T09:54:00.000Z</published><updated>2011-10-31T09:54:19.167Z</updated><title type='text'>O "essencial" e é um pau, Manuel António Pina</title><content type='html'>A afirmação do actual ministro da Educação de que o "princípio geral" que presidirá à "sua" reforma curricular do ensino básico e secundário é o de que "é necessário concentrar nas disciplinas essenciais" constitui todo um programa ideológico.&lt;br /&gt;Deixando de lado o obsessão de todo o bicho-careta que chega a ministro da Educação em Portugal em "reformar" mais uma vez os curricula escolares, tornando o ensino num laboratório de experiências educativas e os alunos em cobaias que se usam e deitam fora na próxima "reforma", tudo com os resultados que se conhecem, a opção por um ensino público limitado a "disciplinas essenciais" segue fielmente a rota ideológica do "saber ler, escrever e contar" de Salazar.&lt;br /&gt;Falta apurar o que o ministro entenderá por "essencial", mas outras medidas que tem tomado, como triplicar o valor dos cortes na Educação pública previsto no acordo com a "troika" enquanto financiava generosamente os colégios privados, levam a crer que o programa de empobrecimento anunciado por Passos Coelho é mais vasto do que parece. E que, além do empobrecimento económico das classes médias e mais desfavorecidas, está simultaneamente em curso o seu empobrecimento educativo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para a imensa maioria que não tem meios para pôr os filhos em colégios privados (que, no entanto, financia com os seus impostos), o "essencial" basta. Mão-de-obra menos instruída é mão-de-obra mais barata. E menos problemática&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esta crónica é de Manuel António Pina e foi publicada a 31 de Outubro&amp;nbsp;de 2011, no JN)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-1050579798293973490?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1050579798293973490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1050579798293973490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/10/o-essencial-e-e-um-pau-manuel-antonio.html' title='O &quot;essencial&quot; e é um pau, Manuel António Pina'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3747032596060655728</id><published>2011-10-28T15:19:00.000+01:00</published><updated>2011-10-28T15:19:04.233+01:00</updated><title type='text'>Actualidades?</title><content type='html'>&lt;img class="rg_i" data-src="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnDlYX3DiFWqobu3oZgQT-wfLQ2DiCSHvKkn83y504odja7AQb" data-sz="f" height="160" name="tuv0-A_ViUzFiM:" src="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnDlYX3DiFWqobu3oZgQT-wfLQ2DiCSHvKkn83y504odja7AQb" width="158" /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcS75MPcqGzqnY9SBvznl5rXLwOxM5q_tbjyP0lRkZANzuQiawTIdzvD8KnQSQ" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" class="rg_i" data-src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcS75MPcqGzqnY9SBvznl5rXLwOxM5q_tbjyP0lRkZANzuQiawTIdzvD8KnQSQ" height="128" name="-JAeQqMyCltOuM:" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcS75MPcqGzqnY9SBvznl5rXLwOxM5q_tbjyP0lRkZANzuQiawTIdzvD8KnQSQ" width="171" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3747032596060655728?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3747032596060655728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3747032596060655728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/10/actualidades_28.html' title='Actualidades?'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8698855237960604378</id><published>2011-10-24T10:17:00.000+01:00</published><updated>2011-10-24T10:17:03.425+01:00</updated><title type='text'>Actualidades</title><content type='html'>&lt;img src="http://meucriadomudo.files.wordpress.com/2009/08/democracia_mafalda2.jpg?w=426&amp;amp;h=404" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8698855237960604378?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8698855237960604378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8698855237960604378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/10/actualidades.html' title='Actualidades'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-78550377588478139</id><published>2011-10-10T21:32:00.004+01:00</published><updated>2011-10-11T00:25:33.642+01:00</updated><title type='text'>Economia... elementar</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/AyxTSI1q1XU" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-78550377588478139?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/78550377588478139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/78550377588478139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/10/economia-em-dois-minutos.html' title='Economia... elementar'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/AyxTSI1q1XU/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6267187713508495734</id><published>2011-10-03T17:28:00.000+01:00</published><updated>2011-10-11T00:27:53.417+01:00</updated><title type='text'>O pelintrão!</title><content type='html'>"Este Ano, provavelmente, ganharemos o Nobel da Física. Depois da descoberta do átomo, do neutrão, do protão e do eletrão, acabou de ser descoberto &lt;strong&gt;o pelintrão&lt;/strong&gt;!! E como se caracteriza o pelintrão? O pelintrão é um tuga sem massa e sem energia, mas que suporta qualquer carga".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6267187713508495734?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6267187713508495734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6267187713508495734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/10/la-imaginacao-nao-nos-falta.html' title='O pelintrão!'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-679349551933890992</id><published>2011-10-02T01:06:00.000+01:00</published><updated>2011-10-11T00:27:23.486+01:00</updated><title type='text'>Uma delícia</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/UGXRrK3y5tQ" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-679349551933890992?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/679349551933890992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/679349551933890992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/10/uma-delica.html' title='Uma delícia'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/UGXRrK3y5tQ/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7311317260371752617</id><published>2011-09-24T00:48:00.004+01:00</published><updated>2011-09-24T03:44:49.235+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>VIII - Claus, a jornada no Caminho das Árvores Cansadas continua</title><content type='html'>Um dia, lá no Caminho das Árvores Cansadas, um dos filhos de Aci adoeceu. A copa escureceu, no tronco apareceram buracos e o murmúrio habitual emudeceu. Aci tentou que as suas tesouras e palavras funcionassem, mas nada animou o&amp;nbsp;filho. Dias passaram e os sintomas agravaram. O lamento das árvores ocupou todo o ar e no peito de Aci um nó apertado cresceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu-se obrigado a pedir a pai Seomac que o deixasse sair. Explicou que o filho estava doente, que precisava ir até à próxima povoação buscar uma raiz que colocada na raiz do filho poderia reanimá-lo; que não conhecia outra forma de ajudar o filho. “Não”. Seomac disse-lhe que não. Se tentasse sair do Caminho das Árvores Cansadas transformá-lo-ia em árvore. Apenas uma pessoa, até à data, tinha conseguido escapar ao medo que consumia Seomac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aci ficou desolado. Como poderia o pai negar-lhe aquilo? Decidiu lá voltar e voltou, uma e outra vez, e todas as que foram necessárias. Sempre a mesma resposta: "Não". Revoltou-se. Pela primeira vez virou-se contra o pai. Disse-lhe que não compreendia a sua desconfiança depois de tantos anos de cega lealdade, que não poderia aceitar que o pai lhe negasse o direito de curar o filho. Chamou-o de egoísta, de homem mau e prepotente e, por fim, ajoelhou-se a seus pés implorando pelo filho. Seomac não se condoeu. Tinha medo que Aci não voltasse. Está certo que também tinha medo que Aci se revoltasse. Que deixasse de sentir medo. Que saísse mesmo para nunca mais voltar. Mas não conseguiu contrariar a sua natureza e repetiu o "Não", oferecendo o neto em sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar ficou irrespirável. O lamento das árvores ficou ensurdecedor. Cada vez mais alto, cada vez mais intenso, cada vez mais cavo, lá das profundezas de um qualquer invisível inferno. Sem intervalos. O Caminho das Árvores Cansadas transformou-se num só e ininterrupto lamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esta, no entanto, a sorte de Aci. As árvores levaram o seu lamento até aos limites da floresta, onde, do lado de lá, vivia Ôn, uma das irmãs de Aci. Ôn nunca chegou a ser árvore. Saíra da sua casa natal visando descobrir mundos novos. Curiosidade deveras punida. Seomac disse-lhe que jamais a deixaria regressar, que para ele estava morta. Aprendeu a viver assim.Viajava, corria mundos e, quando cansada, regressava ao seu lugar, perto da floresta. Tinha uma vida tranquila, só a velhice lhe dera essa paz almejada desde sempre.&amp;nbsp;Porque nem&amp;nbsp;sempre foi assim. Passou anos a tentar perceber por que razão tinha o pai feito o pacto com os Deuses do Odem; a tentar perceber que fantasmas assaltavam e impediam aquela alma de crescer; a tentar perceber de onde vinha aquela necessidade de dividir para reinar; de submeter os outros ao seu jugo. Que medo era aquele da solidão? Não saberia Seomac que nascemos e morremos sós? Muitas, muitas perguntas e muitas culpas assaltaram Ôn ao longo dos anos. Mas o fardo da&amp;nbsp;culpa, que Seomac tão bem sabia manipular e&amp;nbsp;que paralisou os outros, impeliu-a para o Mundo. Dentro de si, sabia que não era errado querer conhecer, ultrapassar as barreiras do conhecido, questionar, questionar, questionar e&amp;nbsp;contrariar e&amp;nbsp;caminhar. Ôn não tinha qualquer receio do que lhe era estrangeiro. Não se imaginaria, aliás, sem o estrangeiro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvia agora o lamento das árvores mas não podia falar com elas. Sabia que este era um lamento diferente. Sabia que alguma coisa grave acontecera. Mas não podia contactar quem quer que fosse. Não tinha, nem nunca tivera, nenhum contacto com o que se passava dentro do Caminho das Árvores Cansadas. O que mais lhe custava, a única coisa que lhe custava, era não ter qualquer proximidade com Aci, irmão e grande&amp;nbsp;companheiro de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias e dias passaram e o lamentou intensificou-se. Muito além dos limites da floresta podia ser ouvido. O que poderia Ôn fazer? Decidiu que poderia permanecer o mais perto possível da floresta. O irmão poderia aparecer. Quem sabe se, desta vez, lhe oferecia uma palavra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7311317260371752617?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7311317260371752617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7311317260371752617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/09/viii-claus-jornada-continua.html' title='VIII - Claus, a jornada no Caminho das Árvores Cansadas continua'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7926182110826766303</id><published>2011-09-23T15:41:00.002+01:00</published><updated>2011-09-23T15:41:31.698+01:00</updated><title type='text'>Sobre o Medo, Mia Couto</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/jACccaTogxE" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7926182110826766303?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7926182110826766303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7926182110826766303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/09/sobre-o-medo-mia-couto_23.html' title='Sobre o Medo, Mia Couto'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/jACccaTogxE/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5262115313835818720</id><published>2011-09-23T15:38:00.001+01:00</published><updated>2011-09-23T15:44:40.179+01:00</updated><title type='text'>"O Pão e o Pau", Manuel António Pina</title><content type='html'>"A propósito dos sacrifícios que o Governo vem impondo a trabalhadores, pensionistas, pobres e desempregados, Francisco Van Zeller, ex-patrão dos patrões, manifestou-se certo de que (disse-lho um passarinho) "não podemos evitar que haja manifestações na rua". &lt;br /&gt;Se não "éramos um povo de molengas". "Já viu o ridículo que era este povo aceitar os sacrifícios e não ir para a rua, não fazer um desfile?" "Parecíamos parvos ou mortos."&lt;br /&gt;Passos Coelho parece ter a mesma opinião e não acreditar que o Ministério da Caridade, por mais movimentos nacionais femininos que crie, resolva o assunto. Por isso, falando em Campo Maior no encerramento da "Festa do povo", deixou um solene aviso ao dito povo: "Pode haver quem se entusiasme com as redes sociais e com aquilo que vê lá fora, esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal", mas esses descobrirão "que também sabemos decidir".&lt;br /&gt;E não foi preciso esperar muito para o ver "decidir": no Orçamento para 2012, o Ministério das polícias (vulgo da Administração Interna) é o único que, além de não sofrer cortes, será ainda reforçado com mais 400 milhões de euros. Parece, pois, que é com mais polícias e mais dinheiro para as polícias, que o Governo pensa resolver o problema de (citando fonte do executivo) "mais desemprego, mais carências e menos prestações sociais".&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O povo é pobre e mal agradecido, sobretudo se lhe tiram o pão e, por isso, o melhor é preparar o pau". &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esta crónica é de Manuel António Pina e foi publicada a 23 de Setembro de 2011, no JN)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5262115313835818720?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5262115313835818720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5262115313835818720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/09/o-pao-e-o-pau-manuel-antonio-pina.html' title='&quot;O Pão e o Pau&quot;, Manuel António Pina'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5101849722279878218</id><published>2011-09-22T17:22:00.007+01:00</published><updated>2011-09-23T16:55:03.896+01:00</updated><title type='text'>Incumprimento de objectivos</title><content type='html'>SE quem nos avalia fossem sempre seres &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;impolutos&lt;/span&gt;, imparciais e justos, não haveria mal algum no despedimento por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;incumprimento&lt;/span&gt; de objectivos. O problema é que quem avalia são seres humanos, pejados de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;emocionalidades&lt;/span&gt;, que é como quem diz de amores e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;odiozinhos&lt;/span&gt; de estimação... &lt;br /&gt;...Não é raro, por isto, assistirmos a situações em que chefes colocam determinadas pessoas a um canto, meses a fio. Não lhes dão nada para fazer ou enfiam na "gaveta", isto é, no lixo, tudo aquilo que fizerem...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E depois, claro está, os objectivos não foram cumpridos...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5101849722279878218?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5101849722279878218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5101849722279878218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/09/incumprimento-de-objectivos.html' title='Incumprimento de objectivos'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-1331729773366408387</id><published>2011-08-28T23:53:00.025+01:00</published><updated>2011-09-02T20:04:43.688+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>VII- Claus, o pacto com os deuses do Odem</title><content type='html'>Enquanto puderam optaram pela discrição. Aguentaram sem serem vistos pelo homem da barba bicuda uns cinco dias, a medir pelo número de refeições tomadas. O pequeno homem demonstrava alguns estranhos hábitos e os seis amigos precisavam ficar atentos. Aci - o homenzinho - tinha longas conversas com cada uma das árvores que cuidava. Parecia que tinha uma história para cada uma delas, ou melhor, parecia que cada uma tinha uma história de vida sobre a qual ele lamentava ou aconselhava. Tratava-as como pessoas. Pessoas que não podem responder, presas a uma vontade Maior, alheia à sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando as primeiras impressões, o pequeno homem tinha ainda momentos que pareciam aos duendes de uma imensa melancolia. Quando acabava de tratar das árvores, sentava-se perto de uma delas e ficava a olhar o infinito. Apenas nessa altura cantava uma música muito triste: "Nana nina, pequenina/ tua mãe logo vem/ foi lavar os seus pezinhos/ ao tanquinho de Belém". Ficava muito tempo com os olhos pretos cravados em lado nenhum. Depois, levantava-se apressado e começava com as músicas alegres outra vez. Parecia convencido de ter sorte, ou, pelo menos, conformado com a sorte que tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de cada jornada de trabalho, dirigia-se sempre para uma árvore maior, enorme, parecia uma sequóia. E lá falava com deferência e submissão. "Pronto pai Seomac, já está. Já as podei, reguei, arranjei, continuam lindas como sempre. Algumas rezingonas pai, mas lá lhes digo que tem que ser, que o lugar delas é aqui. Algumas queixam-se de que lhes dói as raízes, que estas estão longas de mais, que não têm espaço para respirar. Eu digo-lhes que o lugar delas é aqui, que a família deve estar a lado da família, que devem conformar-se com a sorte que têm, que o Mundo lá fora é mau e cheio de perigos, que têm sorte por terem quem cuide delas. Enfim, pai. O mesmo de sempre...". Seomac nunca respondia, mas parecia aos duendes que acenava com a cabeça, como se concordasse com Aci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passaria ali? Quem era aquele homenzinho? Qual seria a sua história? Por que falava ele com as árvores daquela maneira? Por que dava satisfações àquela árvore maior? Seria louco? Ter-se-ia perdido da família? Teria sido expulso da sua família, da sua terra, teria passado por que guerras? Tantas eram as perguntas que faziam os duendes enquanto olhavam Aci e o seu bizarro comportamento. Tanta era a estranheza que sentiam nos seus corpos à medida que iam caminhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pés de Claus e de seus companheiros estavam cada vez mais pesados e cada passo era uma dificuldade crescente. Os duendes estavam no caminho das árvores cansadas há quase 10 dias, sempre no carreiro mais largo - embora de lá observassem o périplo feito por Aci nas veredas mais estreitas - mas não havia maneira de chegarem ao fim do caminho, onde estava Seomac, a árvore maior. Não havia maneira de chegarem ao fim deste caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Andamos há dias. Que sítio é este onde o Sol não nasce nem se põe? Onde a luz é sempre a mesma e o verde das árvores parece cristalizado. Onde nunca se vê sombra, onde nem as nossas sombras existem... Que lugar é este?&lt;br /&gt;- Tens razão Claus. Precisamos de sair daqui, mas como?&lt;br /&gt;- Tenho uma ideia Malka.&lt;br /&gt;- Diz Leillyii.&lt;br /&gt;- Devíamos seguir o homenzinho para todo o lado, não ficar a vê-lo apenas daqui. Quando ele se afasta para dentro da floresta, deveríamos arriscar, deveríamos saber onde mora, deveríamos entrar na casa dele e procurar alguma coisa, alguma pista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os chapéus de todos os nossos elfs começaram a agitar-se. Leillyii tinha a sua razão, mas era arriscar muito. E se o homenzinho fosse mau? Está bem que era do tamanho deles, mas andava de saco com machados e tesouras de poda e cordas.&lt;br /&gt;-Eu arriscaria.&lt;br /&gt;-Por tua causa é que estamos aqui, Irtka.&lt;br /&gt;- E quem és tu para atacar Irtka, Kail. Tu, que passas a vida a tropeçar nos próprios pés, que nos arranjas problemas, cais em armadilhas e nos obrigas a defender-te, mesmo quando não tens defesa possível?&lt;br /&gt;- Golguier, tu és um duende sensato. Pára de atacar Kail, não é hora para isso. Temos que arriscar.&lt;br /&gt;- Tu Mirkles, tu queres arriscar?&lt;br /&gt;- Não percebo o teu espanto Golguier. Não percebes que, provavelmente, não sairemos daqui se não fizermos nada? Quem nos garante que metade destas árvores não são elfs como nós que entraram aqui e foram engolidos pela terra e se transformaram em árvores contra a sua vontade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O murmúrio das árvores aumentou, um som inenarrável, tão triste como o olhar do homenzinho, espalhou-se pelo ar. Os chapéus dos nossos amigos agitaram-se ainda mais. Todos aqueles pensamentos eram arrepiantes. Tinham que sair dali...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos que sair daqui. Está decidido. Abandonaremos o caminho largo e seguiremos o homenzinho pelas veredas até ao sítio onde ele mora.&lt;br /&gt;- E achas que conseguiremos Claus? Os nossos pés estão cada vez mais pesados. E doem.&lt;br /&gt;- Irtka, se não arriscamos, não conseguiremos mesmo sair daqui. Se arriscarmos temos, pelo menos, uma pequena hipótese. Tu disseste há pouco para arriscarmos. E eu vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava decidido. Iriam espiar Aci fosse ele por onde fosse. E Claus decidiu em segredo que iria dar mais ahua do ôom aos seus parceiros. Precisavam de resistência. Não iria ser tarefa fácil sair dali, pressentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim fizeram, assim que viram Aci novamente seguiram-lhe os passos. Deixaram o carreiro largo e seguiram-no pelas veredas. Custava a acreditar que aquele pequeno homem tomasse conta de tudo e que, no final, fosse sempre prestar esclarecimentos a Seomac. No final do dia, ia para o seu abrigo, dentro de uma árvore com mais duas árvores de pequeno porte ao lado. Tudo muito perto de Seomac. Para espanto de Claus e dos seus amigos, Aci tratava a árvore onde vivia como esposa e as árvores contíguas mais pequenas por filhos. Falava com eles normalmente. Das árvores, sempre o mesmo lamento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, enquanto Aci tratava as suas árvores, os seis duendes entraram na sua casa. Depois de procurarem por algo que pudesse explicar aquele estranho lugar e aquele estranho homem - depois de procurarem, enfim, uma pista que explicasse o facto de irem ficando agarrados pelos pés àquela terra - encontraram um álbum de fotografias. Numa fotografia estava um menino que parecia ser Aci com uma menina um pouco mais velha. Atrás estava escrito: "Eu e Ôn, a minha irmã". Numa outra estavam três &lt;span style="color:#000000;"&gt;miúdos:&lt;/span&gt; ele, a tal irmã e uma outra criança. No verso da foto, a terceira pessoa estava também identificada como irmã. Seu nome era Asle. Ainda uma terceira mostrava Aci bem mais novo abraçado a um homem. A foto dizia: "Eu e o meu pai Seomac".&lt;br /&gt;- A foto diz pai Seomac?&lt;br /&gt;- Diz, Irtka.&lt;br /&gt;- Isso é o que ele chama à árvore maior sempre que vai falar com ela.&lt;br /&gt;- Sim, aquela que ele visita sempre no final do seu trabalho.&lt;br /&gt;- Mirkles, ele chama à árvore o nome do pai. É um louco.&lt;br /&gt;- Não, se calhar perdeu o pai e toda a sua família e vê nestas árvores a sua substituição.&lt;br /&gt;- Não Mirkles. Isso teria muita lógica, não fosse o facto de nós mal conseguirmos andar, de nós estarmo-nos a transformar em árvores. E já alguém reparou no som que paira no ar. Parece que as árvores se queixam.&lt;br /&gt;- Que disseste Claus?&lt;br /&gt;- Disse, Golguier, que nos estamos a transformar em árvores.&lt;br /&gt;- Temos que continuar a procurar mais coisas. Mais coisas. Um de nós tem que ir para a porta da árvore. Todo o tempo que aqui estivermos é precioso.&lt;br /&gt;- Malka tem razão.&lt;br /&gt;- Kail, vai para a porta e não faças barulho, nem andes a cortar folhas para fazeres botas, está bem?&lt;br /&gt;- Sim Malka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontraram centenas de fotografias e encontraram centenas de cartas. Ao fim de um tempo era possível reconstituir aquilo que havia sido a vida daquele homenzinho de barba bicuda e encaracolada. Saíram da árvore com muitas das coisas que encontraram debaixo dos chapéus e esconderam-se numa outra árvore. Passaram muito tempo a observar as pistas recolhidas.&lt;br /&gt;- Então, que concluímos?&lt;br /&gt;- Sabemos Golguier que tinha duas irmãs e um pai. Sabemos que era muito dedicado ao pai. Sabemo-lo por causa do conteúdo das cartas, embora não tenha tido tempo de as ler a todas. Sabemos que em todas as cartas concordava com as ordens do pai, porque as cartas do pai eram sempre no sentido de dar alguma ordem.&lt;br /&gt;- Sobre o quê Claus?&lt;br /&gt;- Sobre a casa, sobre a quinta, sobre o vinho, sobre os animais, sobre o que deveria fazer no caso de ele faltar. Seomac era obcecado com a ideia da morte. Era agricultor, muito agarrado à sua casa, à sua terra. Sabemos que era viúvo, que ficou viúvo novo. A mãe dos filhos chamava-se Aicretan e era muito citada nas cartas que as filhas trocavam.&lt;br /&gt;- E por que razão é ele que guarda as cartas que as irmãs trocavam entre elas?&lt;br /&gt;- Não sei Golguier.&lt;br /&gt;- Mas sei que o pai voltou a casar, que teve outras mulheres, todas muito peculiares, a julgar pelas fotografias.&lt;br /&gt;- Talvez isso explique alguma da tristeza que vemos nos olhos deste homenzinho quando ele canta aquela música. Talvez tenha saudades do pai, da família...&lt;br /&gt;- Não sei Golguier. Ainda não vi tudo. Mas posso dizer que encontrei umas escrituras. Este homem deu uma casa a cada filho e deixou as filhas estudarem. Mas ele desabafava com o filho que elas eram demasiado independentes e rebeldes. As casas eram ao lado da dele e ele fazia questão que morassem ali todos, porque ele poderia vir a precisar. Escrevia isto em todas as cartas que mandava a este homenzinho. Mas não era muito presente.&lt;br /&gt;- Por que concluis isso Claus?&lt;br /&gt;- Porque há centenas de fotografias e nelas aparecem os filhos com as empregadas ou com as esposas dele. Ele quase nunca aparece.&lt;br /&gt;- Mais alguma coisa?&lt;br /&gt;- Sim, algumas cartas violentas trocadas entre eles. Coisas de família.&lt;br /&gt;- Ou seja, nada que explique a razão de os nossos pés estarem a ficar presos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Golguier e Claus trocavam impressões, os outros, menos Kail, tentavam perceber a razão de os seus pés estarem estranhos, a razão do murmúrio da floresta, a razão de não conseguirem sair dali. De repente, Kail entra aos gritos na árvore onde estavam os outros.&lt;br /&gt;- Olhem o que encontrei, olhem o que encontrei.&lt;br /&gt;- Onde estiveste Kail?&lt;br /&gt;- Fui à casa dele outra vez e encontrei isto. Vejam.&lt;br /&gt;- É o quê. É o quê?&lt;br /&gt;- É um pacto assinado entre Seomac e os deuses do Odem, Irtka.&lt;br /&gt;- O que diz?&lt;br /&gt;- A árvore grande é Seomac e todas as outras árvores são a família dele. Seomac transformou-os a todos em árvores. Menos o filho. Aci é o único que escapou, mas com uma condição.&lt;br /&gt;- Qual Kail?&lt;br /&gt;- Não pode sair da floresta, senão o pai transformá-lo-á em árvore também.&lt;br /&gt;- Mas são milhares de árvores.&lt;br /&gt;- Tudo o que tenha uma forma humana, ou parecida, entra aqui, mas já não sai. Assim diz o pacto.&lt;br /&gt;- O que ganhou Seomac?&lt;br /&gt;- Uma forma de vida eterna e estabilidade. Sempre acompanhado. Seomac tem medo dos afectos vividos na vida efémera, tem medo do amor, da morte e de estar só.&lt;br /&gt;- E os deuses, o que ganham eles com isto?&lt;br /&gt;- Domínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os duendes estavam assustados. Como iriam sair dali? Como iriam percorrer o seu caminho?&lt;br /&gt;Claus sentia que precisava salvar os seus companheiros daquela situação, mas não sabia sequer o que pensar. Sabia apenas que não fora feito para ser árvore, que preferiria morrer do que começar e acabar no mesmo sítio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-1331729773366408387?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1331729773366408387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1331729773366408387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/08/vii-claus-o-pacto-com-os-deuses-do-odem.html' title='VII- Claus, o pacto com os deuses do Odem'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3608845565659240796</id><published>2011-08-28T14:50:00.002+01:00</published><updated>2011-08-28T14:52:44.015+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>VI- Claus no caminho das árvores cansadas</title><content type='html'>Antes de amanhecer, os seis amigos entraram no caminho das árvores cansadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um carreiro largo, ladeado de árvores frondosas, com copas de um verde quase irreal. Nem os chapéus dos nossos duendes tinham um verde tão vivo. Em cada um dos lados do carreiro, desenhavam-se inúmeras veredas, labirínticas, infindáveis e respirava-se - a vir do infinito para o ponto onde se situava Claus e os amigos - uma espécie de murmúrio, uma espécie de chamamento. Decidiram os seis manterem-se sempre no carreiro mais largo e perceberam cedo que, à medida que avançavam, o ar ia ficando mais quente, mais denso. Não havia sinais de lama, de chuva, de seres ameaçadores, mas algo inquietou os elfs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia que as árvores se inclinavam para lhes acenar, parecia que falavam, parecia haver ali uma tristeza qualquer intraduzível. Podia ser apenas por não haver almas falantes, podia ser apenas pelo aparente silêncio sepulcral, podia ser apenas a imaginação dos nossos amigos a fazer daquele silêncio o espaço perfeito para todas as histórias de terror. Afinal, quem via de fora, era uma linda e grande floresta. Afinal, para quem via de fora, era uma linda e ostensiva amostra da mãe-Natureza. Mas por que razão ficava tão carregado o ar? Mas por que razão parecia que eram sugados a cada passo? E por que razão lhes parecia que os seus passos eram cada vez mais pesados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Golguier, quantos dias disseste tu que demoraria a percorrer este trajecto?&lt;br /&gt;- Não disse Malka, mas pareceu-me, na altura, que seria mais longo do que qualquer outro que vai dar a Urukk. Irtka resolveu vir por aqui e todos concordamos, lembras-te?&lt;br /&gt;- Sim, lembro. Parece-me que vai ser ainda mais longo do que pensamos.&lt;br /&gt;- Por que dizes isso?&lt;br /&gt;- Digo isto Leillyii porque, de cada vez que olho para trás, parece-me que não saio do lugar e, ao mesmo tempo, sei que andei, porque fica cada vez mais quente. Digo isto porque a cada passo me pesam mais os pés.&lt;br /&gt;- Pesam-te os pés ou pesa-te o chapéu? Se calhar tens peso a mais no chapéu Malka?&lt;br /&gt;- Que queres dizer com isso Claus?&lt;br /&gt;- Nada... A verdade é que também me sinto estranho.&lt;br /&gt;- Como se os nossos pés fossem ficando presos, não é? Como se a cada passo criassem uma raiz que nos impede de nos movimentarmos.&lt;br /&gt;- É isso mesmo Mirkles. Eu não traduziria melhor.&lt;br /&gt;- Sabes Irtka, as minhas comidas não servem apenas para alimentar a barriga, antes e mais para curar almas. E aqui, percebo, há como uma alma gigante enferma. Muito enferma.&lt;br /&gt;- Eu cá não sinto nada.&lt;br /&gt;- É normal Kail. Mas posso dizer-te que tens tropeçado menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminharam muito e nunca fazia uma luz diferente. Sempre a mesma tonalidade. Não anoitecia, não amanhecia. Sabiam, no entanto, que tinham feito doze refeições desde que ali entraram e, portanto, estariam no caminho das árvores cansadas há três dias. Os passos ficavam cada vez mais pesados e o que lhes dava energia eram as comidas de Mirkles e a áhua do ôom da árvore da regeneração, que Claus trouxe de recordação da gruta dos Belkiers. Disse-lhe a árvore da regeneração que aquele ôom era sem fundo e lhe poderia ser de serventia em momentos aflitos. Claus misturava às escondidas um pouco do líquido na comida dos seus parceiros. E parecia resultar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao quarto dia, apareceu o único ser falante daquela imensa floresta. Era pequeno, ágil, tinha uma barba bicuda que terminava em caracol e trazia às costas um enorme saco. Era como um homem, mas pequenino. Nas mãos carregava uma tesoura que manejava com facilidade enquanto cantarolava. A princípio não viu os seis amigos e, portanto, fez o que tinha a fazer sem saber que era observado. Tratou de todas as árvores com imenso carinho. Subia por elas, ajeitava-lhes os ramos, podava-os quando necessário, percebia se precisavam de algum cuidado específico, embelezava-lhes as copas em meia dúzia de tesouradas. Todas iguais. Todas tinham que ficar iguais. Aquele ser era a única coisa que se movimentava. O único vislumbre de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das árvores sempre o mesmo murmúrio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3608845565659240796?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3608845565659240796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3608845565659240796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/08/vi-claus-no-caminho-das-arvores_28.html' title='VI- Claus no caminho das árvores cansadas'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-9198153686129472718</id><published>2011-08-28T05:57:00.013+01:00</published><updated>2011-08-28T13:29:18.391+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>V- Claus continua a viagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando chegou perto dos seus companheiros, estava derreado. Aqueles abanavam freneticamente as pontas dos chapéus avisando irritação. Foram horas até que elf Claus se dignasse a dar sinal de vida. E chegado não se justificou. Sentou-se para recuperar algum fôlego e ficou mudo. Um vazio, um vazio inexplicável tomou conta dele. Sabia agora - muito melhor do que quando o sábio da sua antiga aldeia o dissera - que não podia salvar o mundo, ajudar os necessitados, repor as injustiças. Que poderia, quando muito, tentar salvar-se, passar por entre as gotas da chuva e, quem sabe, pelo caminho, ajudar um amigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parecia-lhe pouco. Tentaria, pelo menos, ser justo, mesmo que para isso tivesse que vir a ser implacável com um amigo. E foi quando pensou isto, foi quando teve este exacto pensamento que perdoou Golguier. Afinal, o amigo fez o melhor pelo grupo e pelo objectivo do grupo: chegar a Urukk. Golguier foi implacável a defender aquilo que naquele momento era o mais correcto. Não havia qualquer hipótese de salvar aqueles pequenos seres da floresta. Está certo que enganou Claus, está certo que só pensou em salvar-se a si e aos seus, está certo que de uma certa forma traiu Claus, porque combinaram salvar os seres escravizados pelos Belkiers... Está certo que a mentira era uma mágoa que iria levar o seu tempo a passar. Mas teria sido uma mentira calculada ou uma decisão fruto de uma constatação de última hora?, perguntava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para já, lembrava-se das frases da árvore da regeneração: "...eles não fizeram nada por eles próprios... Em cada um a vaidade e o medo... Todos queriam um lugar, todos queriam almoçar com os Belkiers... Os Belkiers são o que são, os outros queriam ser como eles... A verdade é que os pequenos seres caminharam a passos largos para aqui." Seria isto justificação que bastasse? Poderia a maldade de uns resumir-se, afinal, à cobardia de outros? Poderia haver assim explicações tão óbvias? E poderia ser ele o único a não ver? E onde estavam as poções mágicas que colocavam o universo no seu lugar? Aquelas de que falavam as missivas que recebia dos duendes de outras aldeias?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, estava na hora de partir porque ainda não estavam a salvo. E estava na hora de pedir desculpa. Mas antes chamou Irtka. Apenas Irtka, com a sua frontalidade, lhe iria dizer o que pretendia saber.&lt;br /&gt;-Por que é que esperaram por mim?&lt;br /&gt;-Como dizes?&lt;br /&gt;-Por que é que arriscaram as vossas vidas por mim?&lt;br /&gt;-Assim está melhor. Arriscamos, dizes bem, as nossas vidas por ti, porque o fizemos por nós. Porque tu tens uma coisa que nós não temos.&lt;br /&gt;-O que é?&lt;br /&gt;-Tu acreditas.&lt;br /&gt;-...&lt;br /&gt;-Acreditas que é possível chegar a Urukk, por exemplo. Acreditas que é possível aquilo que as evidências e a probabilidade contrariam.&lt;br /&gt;-Irtka, e se eu te disser que já não acredito em nada?&lt;br /&gt;-Se me disseres isso, eu digo-te que és um elf chorão, porque ainda não viveste nada para deixar de acreditar no que quer que seja. E como não és um cínico, não te faças de ancião. Não queiras ultrapassar as barreiras do tempo. É ridículo. Está na tua natureza acreditar, como na de um escorpião matar. Por muitas chuvas e lamas que amachuquem a ponta do teu chapéu, acreditarás sempre.&lt;br /&gt;-Em quê?&lt;br /&gt;-Em qualquer coisa. E agora levanta-te, que até Urukk há muito mapa a percorrer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por esta altura já estava Golguier a preparar as cordas e os mapas e a traçar rotas. Tudo ao mesmo tempo. Claus aproximou-se, mas mal lhe conseguia falar. Sabia apenas que gostava dele, muito, e, portanto, iria dar tempo ao tempo. Irtka ouvia atentamente todas as possibilidades e pensava naquele que seria o melhor caminho a tomar; e Mirkles preparava uma poção mágica para os fortalecer a todos. Um manjar divino, daqueles que dão força ao mais fragilizado dos seres. Só Mirkles sabia alimentar esta gente, só a comida dela aquecia por fora e por dentro. Só Mirkles com as suas "iguarias elf" adormecia a melancolia de Claus. E esta era dos elfgods, feita com pós de açnarepse, uma planta raríssima.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra coisa, no entanto, preocupava Claus. Por que razão teria Malka escondido os planos dos Belkiers dentro do seu chapéu? O que iria fazer com eles? E por que não partilhava isso com os seus companheiros? Quem era Malka, afinal?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao lado, um pouco distantes como sempre, estavam Leilyii e Kail. O primeiro a preparar-se alegremente para as próximas aventuras, quanto mais desafiantes, melhor. O segundo estava a ensaiar penteados novos em frente a uma poça de lama. Pretendia antes da refeição de Mirkles calçar umas botas novas que fizera com umas folhas de uma planta desconhecida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A hora do repasto chegou. De barriga cheia os chapéus elfs trabalham melhor e quando as suas pontas inclinam totalmente e muito coçam as cabeças, uma decisão está para chegar. E chegou, pela voz de Irtka.&lt;br /&gt;-Vamos pelo caminho das árvores cansadas. É mais longo talvez, mas parece ter menos armadilhas.&lt;br /&gt;-Explica-te. -pediu Golguier.&lt;br /&gt;-É caminho de menos chuvas, logo de menos lamas, logo, por longo que seja, será com menos dificuldades. Além disso, as árvores fazem sombra durante o dia e dão bons pousos durante a noite.&lt;br /&gt;-E onde nos levará?&lt;br /&gt;-A próxima paragem? Não sei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Noite cerrada e viagem. Para trás ficaram os Belkiers e os pequenos seres da floresta. No coração de Claus a certeza de que alguns, os mais temerários, escaparão; e de que outros morrerão com a coragem de quem tentou libertar-se. Agora era olhar para a frente. Ainda faltava um bocado até chegar ao início do caminho das árvores cansadas. Todos, cada um com os seus pensamentos, queriam muito prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atrás de Leilyii, Kail lá vai a tropeçar nos próprios pés...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Continua)&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-9198153686129472718?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9198153686129472718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9198153686129472718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/08/v-claus-continua-viagem_28.html' title='V- Claus continua a viagem'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4704654243411676286</id><published>2011-08-06T12:27:00.021+01:00</published><updated>2011-08-06T16:39:18.978+01:00</updated><title type='text'>Sobre a perfeição</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/--CdHgUCRbjA/Tj1acp0X6WI/AAAAAAAAAI0/o29Jm428Koc/s1600/perfei%25C3%25A7%25C3%25A3o.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 144px;" src="http://1.bp.blogspot.com/--CdHgUCRbjA/Tj1acp0X6WI/AAAAAAAAAI0/o29Jm428Koc/s400/perfei%25C3%25A7%25C3%25A3o.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637761756846090594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Como é possível que comprar um hidratante se transforme num tratado? Assim me aconteceu hoje quando, após pedir um simples creme, levei com uma seca monumental sobre os vários tipos de pele e a forma como devem ser tratados. A senhora falava com uma velocidade estonteante  e eu - via os lábios dela para cima e para baixo - sem apanhar uma. A dada altura já só sentia a cabeça tonta e um enorme ímpeto de escapar. A sofreguidão com que me injectava palavras era um número de circo. Na memória só ficou que devemos &lt;span style="font-style: italic;"&gt; "aplicar o hidratante com os dedos indicadores em movimentos lentos e circulares do interior para o exterior do rosto"&lt;/span&gt;. Movimentos circulares, com os dedos indicadores? A capacidade que nós temos de transformar o simplório em "ciência" é notável, pensei. Dizia a senhora que o devemos fazer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"com perfeição"&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Perfeição&lt;/span&gt;... Parei aqui. É nestes momentos que o meu cérebro se transforma num pretzel. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Eu só quero um creme"&lt;/span&gt;. Eu não quero ouvir falar de perfeição...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Basicamente porque temos que ser perfeitos em tudo. No trabalho, com os amigos, em casa, na rua, na maneira como vemos a vida, em tudo, e até na forma como colocamos  a merda do creme. Questiono-me se não será &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"a&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;perfeição"&lt;/span&gt; a razão pela qual andamos cada vez mais tristes... Às vezes parece-me que caminhamos para uma galopante e gigantesca doença mental, que se globaliza e vai minando aquilo que cada um tem de especial. Temos que ser todos magros, temos que ter todos barrigas perfeitas, temos todos que usar casacos cintados e passar o dia inteiro na empresa. Temos todos que ter muitos projectos em andamento e aparentar ser gente de sucesso. Temos todos que ter empregada e todos temos que ser super-pais. Isto é, dizer que os filhos são a prioridade, mas passar a maior parte do tempo enfunados na fábrica que há-de dar-nos o pontapé de saída. (Compensamos as crias com muitos presentes e super-permissividade). Temos que comer de determinada maneira, fazer exercício três vezes por semana, aparentar ser saudáveis, a começar pelo bronzeado falso. Quem assim não se apresenta, fica do lado de fora, é o pobre, o coitadinho, o vencido. Temos todos que ver a vida da mesma maneira. Isto é, com saúde (?),  com&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; optimismo&lt;/span&gt;. Temos que ser - somos obrigados a ser - optimistas. E temos que sorrir. O sorriso tem que estar sempre a postos, sendo assim imperativo que as dores  passem depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lutos têm que passar depressa. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Depressa&lt;/span&gt;. Os divórcios têm que ultrapassar-se depressa, a morte dos entes queridos têm que ultrapassar-se depressa, as depressões têm que passar depressa, até as barrigas do pós-parto têm que ir ao sítio depressa. Tudo o que é mau tem que ser transformado depressinha porque o que vale é sermos optimistas, e sermos optimistas é sermos perfeitos. Chorar por muito tempo, por todo o tempo que uma alma leva a sarar as suas feridas, não é permitido. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;As almas agora curam-se todas à mesma velocidade.&lt;/span&gt; E claro, não poderia faltar a componente religiosa. Temos que ser perfeitos, isto é, acreditar à força, por decreto e formação feita em meia-dúzia de workshops, que sofrer é uma manifestação do apego, que devemos, portanto, cultivar o desapego. Sofrer é, portanto, um defeito próprio de uma alma impura que se apegou, por exemplo, a pessoas. Um defeito próprio de uma alma viciada em desejos e expectativas (como comer ou ser amado...)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E andamos nós nesta espécie de doença bipolar. De manhã até à noite, sustentamos a capa de gente de sucesso, com óculos e roupas de marca, enfiados no trabalho e na pose do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;super-confiante&lt;/span&gt; (o verdadeiro ser da era da globalização); e em pós-laboral, nos workshops - que fazemos porque já não aguentamos a tromba do marido - encornamos que devemos cultivar o desapego, que não devemos ter desejos e que as expectativas e tristezas são uma doença; tentando a pose do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;super-humilde&lt;/span&gt;. É oito ou oitenta. De qualquer modo, temos é que ser perfeitos.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;Nada mais, nada menos. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não podemos querer ser apenas melhores pessoas, devagarinho e um dia de cada vez.&lt;/span&gt; Não, temos que ser perfeitos.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;Numa escala mais pequena tudo isto seriam as naturais incoerências do ser humano, não fosse o facto, parece-me, de já não acreditarmos em nada, de nos robotizarmos, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;de estarmos a perder a fé&lt;/span&gt;, disfarçando o facto com teorias inventadas à pressão. Em absoluto desespero. Em estertor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos estar tristes, de trombas, esquecermo-nos de dizer "bom dia", chegar atrasados, ter ataques de mau feitio, de intolerância, intransigência, preguiça. Não podemos apaixonarmo-nos pela pessoa errada. Errar. Não podemos. Podemos ter mau carácter, fingir, passar por cima dos outros, ser ardilosos, perversos, oportunistas, provocadores baratos e falsos, mas não podemos errar. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não podemos errar, isto é, não podemos falhar na pose&lt;/span&gt; (ou na do super-confiante ou na do super-humilde).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos deuses. Exigimos ser a Verdade, mas não procurá-la devagar, devagarinho, dia após dia, aceitando que na maior parte dos dias falhamos e somos seres insuportáveis de aturar. Cheios de contradições, cheios de incoerências, cheios de erros ortográficos e de perguntas mal formuladas, mas também com coisas maravilhosas como a compaixão e a capacidade de ter dúvidas, ainda que mal formuladas.  Não nos tem sido suficiente sermos apenas humanos, temos que ter montado todo um cenário, no qual não acreditamos minimamente, mas que lá nos vai salvando entre uma e outra paragem de metro até chegarmos ao destino. Que destino?&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Às vezes, em momentos de dor aguda, parece-me que nos ouço a todos gritar em uníssono: "mééééééééééé", enquanto meia-dúzia, nesta aldeola que se quer global, rouba à tripa-forra - a nossa comida e a nossa alma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isto pensei, enquanto fazia de conta que ouvia a senhora que me vendia o creme. E tudo isto pensei, enquanto me achava desprezível por não conseguir prestar atenção numa senhora que estava a trabalhar e a dar o seu melhor. Mas aquela palavra, a palavra &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;perfeição&lt;/span&gt;, tem sempre este efeito em mim: fico insuportável, inquieta, aflita. E em tudo isto penso eu agora. Em tudo isto e no pouco valor que tudo isto tem. Mas enfim, todos temos direito a ter um blogue, uma espécie de quarto de brincar escondidinho, onde depositamos as baboseiras que vamos pensando... &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4704654243411676286?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4704654243411676286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4704654243411676286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/08/sobre-perfeicao.html' title='Sobre a perfeição'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/--CdHgUCRbjA/Tj1acp0X6WI/AAAAAAAAAI0/o29Jm428Koc/s72-c/perfei%25C3%25A7%25C3%25A3o.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7156523852643384799</id><published>2011-08-05T04:08:00.010+01:00</published><updated>2011-08-06T17:05:42.433+01:00</updated><title type='text'>Sim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-AMyAbZMu-VM/TjtjsKh6LEI/AAAAAAAAAIk/0plLinb-FAE/s1600/mar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 97px; height: 73px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-AMyAbZMu-VM/TjtjsKh6LEI/AAAAAAAAAIk/0plLinb-FAE/s400/mar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637208968976280642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D&lt;/span&gt;eixa entrar os livros do meu passado&lt;br /&gt;e do passado fotografias ainda.&lt;br /&gt;Dentro de um abraço quente amado&lt;br /&gt;aceita tudo tudo na minha vinda...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;E&lt;/span&gt;scolhe então um quarto pensando,&lt;br /&gt;vá, nas minhas e nas tuas memórias,&lt;br /&gt;visitamo-las à vez, vez em quando,&lt;br /&gt;para que não cresçam essas histórias.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;D&lt;/span&gt;epois sim, será nosso uterino lar&lt;br /&gt;o resto da casa, o resto da casa.&lt;br /&gt;Peço-te com muita luz e cheiro a mar,&lt;br /&gt;comigo sempre sempre na tua asa...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;E&lt;/span&gt; se fores, meu bem, cuidadoso assim&lt;br /&gt;e nas críticas amoroso também, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;S&lt;/span&gt;im.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7156523852643384799?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7156523852643384799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7156523852643384799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/08/outono.html' title='Sim'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-AMyAbZMu-VM/TjtjsKh6LEI/AAAAAAAAAIk/0plLinb-FAE/s72-c/mar.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-1008864697113972241</id><published>2011-07-10T16:54:00.001+01:00</published><updated>2011-07-10T16:56:07.095+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Acompanhando Gide, faço votos que a loucura me inspire e a razão me exprima" .&lt;br /&gt;(Agostinho da Silva)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-1008864697113972241?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1008864697113972241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1008864697113972241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/07/acompanhando-gide-faco-votos-que.html' title=''/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6692843588160745192</id><published>2011-07-08T02:17:00.008+01:00</published><updated>2011-07-10T16:57:45.430+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;"Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida. Sou do &lt;strong&gt;paradoxo&lt;/strong&gt;, que a contém no total".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;(Agostinho da Silva)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6692843588160745192?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6692843588160745192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6692843588160745192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/07/nao-sou-do-ortodoxo-nem-do-heterodoxo.html' title=''/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7303099854785407275</id><published>2011-07-06T10:00:00.032+01:00</published><updated>2011-08-05T00:56:16.041+01:00</updated><title type='text'>Motivação?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ando há uns dias a digerir uma reportagem sobre a divisão de tarefas domésticas que saiu no domingo passado (3 de Julho), na Notícias Magazine. A reportagem estava boa, ilustrando bem o abismo entre a teoria e a realidade na tão falada mas pouco praticada igualdade de géneros. Numa das caixas, porém, estava algo que não deixou de me surpreender, e, desta feita, pela negativa. A caixa tinha por título "Estratégias para eles fazerem mais (e elas menos) tarefas domésticas" e apresentava conselhos como, por exemplo, &lt;em&gt;"Quando ele lhe diz 'eu depois faço' dê-lhe tempo. E encha-se de paciência, porque sabe que vai ter de esperar";&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;"Elogie-o quando ele tomar a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;iniciativa&lt;/span&gt;. Ele precisa de motivação".&lt;/em&gt; [Lamento pela jornalista que teve de ouvir estas pérolas, vindas certamente de um qualquer douto especialista]. &lt;strong&gt;Ele precisa de motivação?&lt;/strong&gt; Fez-me lembrar aquelas revistas dos anos 50 que eu comprava nos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;alfarrabistas, &lt;/span&gt;nos tempos faculdade, para me rir à gargalhada com as minhas amigas, e que rezavam assim:&lt;em&gt; "Quando o seu marido chegar a casa, não se queixe do trabalho doméstico, seja meiga, pergunte-lhe como correu o dia, retire-lhe os sapatos e faça-lhe uma massagem aos pés".&lt;/em&gt; Setenta anos passados, temos que lhes dar motivação... &lt;strong&gt;E água de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;malvas&lt;/span&gt;, não?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, eu não sei se isto me dá vontade de rir ou chorar. Se fosse homem sentia-me insultado com tanta &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;condescendência&lt;/span&gt;. E como mulher sinto-me indignada por continuarmos a tratar os nossos homens como se eles fossem nossos filhos, como se fossem criancinhas de cinco anos a quem temos que dar motivação. Chego à triste conclusão, assim, que uma parte da responsabilidade é nossa, das mulheres, que continuamos a criar os filhos homens como os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;tesourinhos&lt;/span&gt; das nossas vidas - muitas vezes transferindo para eles o amor conjugal que não temos ou tivemos - e não para serem cidadãos responsáveis e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;independentes&lt;/span&gt; que um dia serão, muito provavelmente, maridos de alguém. Algumas de nós chegam a competir com as futuras &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;noras&lt;/span&gt;, desejando-lhes secretamente a mesma sina de submissão. Conheço uma que diz: &lt;em&gt;"O meu menino não casa com qualquer uma. Ai não, não"&lt;/em&gt;. Ainda o fedelho mal largou os cueiros e já a mãe anda em guerra com a futura nora... E claro, o rapazinho, qualquer rapazinho, aprende desde cedo que nesta guerra de mulheres - que pela força das &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;mordaças&lt;/span&gt; seculares aprenderam a competir e a serem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;mazinhas&lt;/span&gt; umas para as outras - pode ser rei e senhor. Pois se elas competem pelo títulos de melhores mães, os rapazinhos-já-homens deixam-nas fazerem tudo, para que a deles, a mulher deles, seja a melhor. Pois se elas fazem maratonas, enquanto fumam o cigarro (quanta emancipação!!!!!), para ver quem é a melhor "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Stepford&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;wife&lt;/span&gt;", para que vão eles interferir? E, entretanto, aprenderam com as mães a arte do queixume, mas adaptada: "Trabalho 12 horas por dia, só saio da empresa às 11 da noite", dizem eles. E nós, admiradas com tanta valentia, com os nossos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;meninos&lt;/span&gt; de oiro, esquecemos de perguntar: E quem abandona o emprego às seis da tarde para ir buscar os filhos à escola? E quem enfrenta hora e meia de trânsito na pior altura do dia? E quem vai ainda pensar e fazer o jantar, dar banho, lavar atrás das orelhas, cortar unhas dos pés, ajudar a fazer os trabalhos de casa? Varrer a casa? Tratar da roupa para o dia seguinte? &lt;strong&gt;Quem é que faz o segundo turno?&lt;/strong&gt; Quem é que com dores nas cruzes ou sem elas carrega o mundo às costas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste triste é a ideia de que morrerei eu, morrerá a minha filha, a filha da minha filha, e tudo continuará igual, ou então a caminhar muito lentamente, porque, entretanto, é preciso dar-lhes motivação... Triste triste é pensar que um casamento só pode durar muito, se a mulher convencer-se de que terá que ser ela a fazer quase tudo e a pedir quase nada. E pedir é entendido na língua deles como "cobrar". Tadinhos!!!! Triste triste é pensar que se a mulher lutar por essa igualdade no dia-à-dia, o casamento vai transformar-se num campo de batalha. Uma guerra que Ela perderá, em 90% dos casos. Porque ou perderá o marido, por não aguentar, ou perderá a ilusão e a inocência, o que é pior... E triste triste é pensar que tudo isto é promovido, em parte, por nós, pelas próprias mulheres, e vezes de mais pelas mulheres mais velhas: umas corruídas pela amargura e pela inveja, desejando ver passar o que passaram; outras muito generosas, mas cansadas, resignadas e omissas já...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...É evidente que há &lt;strong&gt;honrosas excepções,&lt;/strong&gt; homens maravilhosos que trabalham fora e dentro de casa, sem ser preciso dizer-lhes nada, que tomam a iniciativa, que são companheiros e não &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;criançolas&lt;/span&gt; em ponto grande. E depois também os há que se esforçam diariamente para serem melhores, por contrariarem séculos de uma tradição que lhes foi confortável. Lembro-me do meu irmão com orgulho. O meu irmão ficou &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;órfão&lt;/span&gt; de mãe aos 13 meses e aos 10 anos entrava num colégio militar de onde só saiu já homem e militar. O meu pai é um homem de mentalidade patriarcal (mas deu todos os instrumentos às filhas para serem independentes) e, portanto, seria de esperar que o meu irmão fosse pouco cooperante na vida doméstica. É precisamente o contrário. Lembro-me que um dia estava ele a passar a ferro e o meu pai lhe disse: &lt;em&gt;"Já entrei e saí da tua casa não sei quantas vezes e tu continuas a passar a ferro... há duas horas. Onde é que anda a tua mulher, pá?".&lt;/em&gt; &lt;em&gt;"A minha mulher anda há duas horas a limpar o pó, pai".&lt;/em&gt; A motivação do meu irmão é a responsabilidade perante o trabalho, seja ele fora ou dentro de portas, e o amor que sente pela mulher. Bastaria. Há esperança? Há, "enquanto há vida, há esperança", diz o ditado. Mas muito ténue... &lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S.1&lt;/strong&gt; Dedicado a minha mãe que morreu há 31 anos, com 36. Se fosse viva, faria &lt;strong&gt;hoje&lt;/strong&gt; 67.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S.2&lt;/strong&gt; Não me admira muito que o&lt;strong&gt; relatório da ONU &lt;/strong&gt;revele &lt;strong&gt;hoje&lt;/strong&gt;, mais uma vez, que as mulheres, na Europa, ganham salários menores que os homens a desempenharem as mesmas tarefas, que estão mais vulneráveis no trabalho e mais expostas à violência do que os homens. Não me admira, mas entristece. E isto é na Europa, o continente dos direitos...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7303099854785407275?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7303099854785407275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7303099854785407275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/07/motivacao.html' title='Motivação?'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8121136052776494598</id><published>2011-06-26T20:40:00.003+01:00</published><updated>2011-06-26T20:58:57.844+01:00</updated><title type='text'>As horas</title><content type='html'>Tenho uma urgência a consumir-me o corpo e uma alma amarrada pela mente.&lt;br /&gt;E as horas que não passam...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8121136052776494598?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8121136052776494598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8121136052776494598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/as-horas.html' title='As horas'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4296951002529382118</id><published>2011-06-26T02:56:00.000+01:00</published><updated>2011-06-26T02:59:32.908+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object style="height: 390px; width: 640px"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8tKfYwc4zxA?version=3"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8tKfYwc4zxA?version=3" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="390" width="640"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4296951002529382118?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4296951002529382118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4296951002529382118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/blog-post.html' title=''/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3663091738973087117</id><published>2011-06-25T22:32:00.004+01:00</published><updated>2011-06-26T01:39:43.002+01:00</updated><title type='text'>A escadaria</title><content type='html'>As escadas velhas&lt;br /&gt;que subo para chegar a ti rangem.&lt;br /&gt;Obrigo o coração a galgá-las&lt;br /&gt;duas a duas&lt;br /&gt;e o prédio inteiro ouve,&lt;br /&gt;a cidade inteira ouve,&lt;br /&gt;o Mundo inteiro ouve&lt;br /&gt;e Sabe&lt;br /&gt;...como te quero...&lt;br /&gt;Tanto&lt;br /&gt;e mais ainda&lt;br /&gt;na medida&lt;br /&gt;do que a minha expressão&lt;br /&gt;o contraria.&lt;br /&gt;Que direi quando se findar a escadaria&lt;br /&gt;e abrires a porta?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3663091738973087117?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3663091738973087117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3663091738973087117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/escadaria.html' title='A escadaria'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6888232446481882498</id><published>2011-06-17T01:01:00.005+01:00</published><updated>2011-06-17T01:24:14.644+01:00</updated><title type='text'>A escola</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--CUmo9Gf0-c/TfqbAv5sjJI/AAAAAAAAAH8/qnKn0LJ4Vag/s1600/leonor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618973922258881682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 236px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/--CUmo9Gf0-c/TfqbAv5sjJI/AAAAAAAAAH8/qnKn0LJ4Vag/s320/leonor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tentei fugir dela,&lt;br /&gt;da Desilusão.&lt;br /&gt;Agarrei-me às tuas pernas&lt;br /&gt;e não quis ir.&lt;br /&gt;Gritei&lt;br /&gt;numa birra descontrolada,&lt;br /&gt;cravando as minha unhas nas tuas canelas.&lt;br /&gt;Mas disseste que fosse,&lt;br /&gt;que era uma boa escola,&lt;br /&gt;que voltaria depois&lt;br /&gt;mais crescida.&lt;br /&gt;Fui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou mais alta&lt;br /&gt;Só mais alta,&lt;br /&gt;Triste talvez,&lt;br /&gt;mas ficas a saber, vós, ó pai,&lt;br /&gt;que a criança que sou continua...&lt;br /&gt;a acreditar no que lhe dá na telha&lt;br /&gt;e a construir todos os castelos que vós, meu pai, dizeis no ar.&lt;br /&gt;E só não me agarro às tuas pernas -&lt;br /&gt;quando vejo os meus príncipes, dragões maus e borboletas coloridas&lt;br /&gt;-para disfarçar.&lt;br /&gt;Para pensares que já sou grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes,&lt;br /&gt;Ela quer levar-me&lt;br /&gt;outra vez...&lt;br /&gt;Sabe que continuo moça pequena,&lt;br /&gt;e diz que gosta dos meus cabelos,&lt;br /&gt;que sou bonita,&lt;br /&gt;que me vai raptar Para Sempre,&lt;br /&gt;para o sítio onde todas as respostas se sabem&lt;br /&gt;e os erros se evitam.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E eu tenho medo&lt;/strong&gt;;&lt;br /&gt;não gosto dela,&lt;br /&gt;é má&lt;br /&gt;nunca oferece chocolates&lt;br /&gt;ou rebuçados,&lt;br /&gt;apenas aquele sorriso para quem já não há surpresas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas horas,&lt;br /&gt;deixo-a brincar com os meus cabelos,&lt;br /&gt;finjo acreditar em seus conselhos,&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;acalmo-me&lt;/strong&gt;,&lt;br /&gt;acalmo-a&lt;br /&gt;e adormeço-lhe a ansiedade e o medo&lt;br /&gt;da Solidão.&lt;br /&gt;Adormeço-a.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Adormeço-me&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;E depois corro,&lt;br /&gt;corro para os meus castelos no ar&lt;br /&gt;onde tudo é possível,&lt;br /&gt;e onde posso Ser...&lt;br /&gt;a criança que sempre fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trato assim com Ela,&lt;br /&gt;usando de artimanha&lt;br /&gt;para dela me escapar,&lt;br /&gt;mesmo sabendo que,&lt;br /&gt;um dia,&lt;br /&gt;me vai apanhar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6888232446481882498?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6888232446481882498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6888232446481882498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/tentei-fugir-dela-da-desilusao.html' title='A escola'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/--CUmo9Gf0-c/TfqbAv5sjJI/AAAAAAAAAH8/qnKn0LJ4Vag/s72-c/leonor.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-1830789312819729392</id><published>2011-06-16T01:00:00.008+01:00</published><updated>2011-06-17T00:58:43.791+01:00</updated><title type='text'>Um mau poema</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-orNcklMhrSw/TfqYHOCwTvI/AAAAAAAAAH0/k5a866XFkZA/s1600/piano.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618970734894272242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-orNcklMhrSw/TfqYHOCwTvI/AAAAAAAAAH0/k5a866XFkZA/s200/piano.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Queria escrever...&lt;br /&gt;Um poema&lt;br /&gt;...que descesse&lt;br /&gt;até às raízes da minha desilusão&lt;br /&gt;e que subisse&lt;br /&gt;depois&lt;br /&gt;ao limite da minha Fé.&lt;br /&gt;Que nessa ascensão,&lt;br /&gt;pelas teclas de um gigante piano,&lt;br /&gt;se declamasse&lt;br /&gt;tudo o que numa alma habita.&lt;br /&gt;Contradições várias,&lt;br /&gt;paixões eternas,&lt;br /&gt;tristezas muitas&lt;br /&gt;e amor Tanto.&lt;br /&gt;Pela Vida, quanto mais não seja,&lt;br /&gt;e por querer ao mesmo tempo vê-la partir.&lt;br /&gt;Um poema exacto&lt;br /&gt;que descrevesse a perfeição&lt;br /&gt;de que é feita a incoerência dos Homens:&lt;br /&gt;volúveis&lt;br /&gt;frágeis&lt;br /&gt;bons;&lt;br /&gt;e pérfidos&lt;br /&gt;vingativos&lt;br /&gt;maus.&lt;br /&gt;E, pelo tanto, corajosos,&lt;br /&gt;pela temeridade de se permitirem&lt;br /&gt;existir.&lt;br /&gt;Dolorosa tarefa essa;&lt;br /&gt;e Esta,&lt;br /&gt;de escrever mal,&lt;br /&gt;o que uma pobre alma dita.&lt;br /&gt;Restam as teclas do gigante piano que,&lt;br /&gt;pelos pés&lt;br /&gt;de uma catraia endiabrada&lt;br /&gt;que sobe e desce&lt;br /&gt;os labirintos da existência,&lt;br /&gt;vai tocando&lt;br /&gt;o que jamais&lt;br /&gt;se consegue escrever.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S- &lt;/strong&gt;Dedicado à minha querida Mesquita, que faz hoje anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-1830789312819729392?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1830789312819729392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1830789312819729392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/queria-escrever.html' title='Um mau poema'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-orNcklMhrSw/TfqYHOCwTvI/AAAAAAAAAH0/k5a866XFkZA/s72-c/piano.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-2011351468061335366</id><published>2011-06-15T19:30:00.008+01:00</published><updated>2011-06-26T02:08:51.091+01:00</updated><title type='text'>Coisas do ego</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cp9_1UW8vvU/TfkA8nXofbI/AAAAAAAAAHM/FMAZFqMj1OI/s1600/escovas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618523051481660850" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 94px; CURSOR: hand; HEIGHT: 121px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-cp9_1UW8vvU/TfkA8nXofbI/AAAAAAAAAHM/FMAZFqMj1OI/s400/escovas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Enervava-a que ele colocasse a escova de dentes do lado esquerdo do lavatório. Irritava-o que ela mantivesse a dela no lado direito. Para ela tinham que estar juntas do lado direito e para ele tinham que estar juntas mas do lado esquerdo. Começaram por comunicar o seu desagrado, mas ambos recusaram a sugestão do outro com um sorriso nos lábios; depois conversaram informalmente e também não chegaram a conclusão alguma. Vieram ainda as conversas com ar solene e... nada; e mais tarde as discussões, travadas de razões de parte a parte. Nada. Por fim, um discutia e o outro calava, alternadamente. Ambos juravam a pés juntos que jamais aceitariam ultimatos. No fim, ambos calaram. A escova de dentes dele continuou no lado esquerdo e a dela no lado direito. Acabaram por separar-se, amando-se [estranho Mundo este], e quando explicaram as razões à criança que puseram no Mundo sem lhe terem pedido permissão, a criança perguntou: E por que é que não as puseram juntas no meio do lavatório?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-2011351468061335366?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2011351468061335366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2011351468061335366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/enervava-que-ele-colocasse-escova-de.html' title='Coisas do ego'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-cp9_1UW8vvU/TfkA8nXofbI/AAAAAAAAAHM/FMAZFqMj1OI/s72-c/escovas.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5172364674832881296</id><published>2011-06-08T02:08:00.024+01:00</published><updated>2011-06-15T21:04:38.650+01:00</updated><title type='text'>Sempre o Tempo</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615666567800315074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 73px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-b6_aaJCFVYE/Te7a_YbGXMI/AAAAAAAAAHE/ovPo15uIi1Q/s400/s%25C3%25A9pia.jpg" border="0" /&gt;Deixou-lhe um bilhete: &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;"Juntos na vida.&lt;br /&gt;Separados no viver.&lt;br /&gt;Unidos?&lt;br /&gt;Sós.&lt;br /&gt;Um com o outro. Amor.&lt;br /&gt;Um sem o outro. Amor".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Disse ele que era "um pequeno lamento de quem não sabe amar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que ficou aflita. Julgara ter falhado. Pediu perdão. Obviamente também não sabia amá-lo, pensou. Escreveu cartas. Más, muito más, não era poeta. Não obteve resposta. Gastou palavras. Tortas, porventura. Explicou coisas e perguntou outras. De lá, silêncio. Sempre o Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, julgando que mais nenhuma palavra sua seria eficaz, lembrou-se daquele filme que vira. Estavam lá todas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;" To look life in the face. Always to look life in the face and to know it for what it is. At last to know it. To love it for what it is, and then, to put it away.... &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;...Always the years between us. Always the years. Always the love. Always the hours...".&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pendurou-as na porta que ela foi batendo um dia após o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que, com o passar dos anos, a rapariga perdeu a cor, desbotou, e acabou por desaparecer. As palavras, porém, continuam penduradas na mesma porta, que balança dias inteiros para a frente e para trás, num barulho ensurdecedor para os vizinhos. Dele? Nada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5172364674832881296?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5172364674832881296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5172364674832881296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/sempre-o-tempo.html' title='Sempre o Tempo'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-b6_aaJCFVYE/Te7a_YbGXMI/AAAAAAAAAHE/ovPo15uIi1Q/s72-c/s%25C3%25A9pia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-1682033602308478885</id><published>2011-06-05T00:59:00.001+01:00</published><updated>2011-06-05T01:11:01.644+01:00</updated><title type='text'>E para depois das eleições</title><content type='html'>&lt;object style="height: 390px; width: 640px"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FTlVrqTywX8?version=3"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/FTlVrqTywX8?version=3" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="390" width="640"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-1682033602308478885?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1682033602308478885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1682033602308478885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/danca-do-desempregado.html' title='E para depois das eleições'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3109671273400543689</id><published>2011-06-05T00:14:00.010+01:00</published><updated>2011-06-05T01:12:10.634+01:00</updated><title type='text'>Ultimatum (belo poema para dia de eleições)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-aDQX8hxvfQ4/TerAlkDnaeI/AAAAAAAAAGs/YNtUY9qVltM/s1600/fernando%2BPessoa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 61px; height: 82px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-aDQX8hxvfQ4/TerAlkDnaeI/AAAAAAAAAGs/YNtUY9qVltM/s400/fernando%2BPessoa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614511637037279714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mandado de despejo aos mandarins do mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fora tu reles snobe plebeu&lt;br /&gt;E  fora tu, imperialista das sucatas&lt;br /&gt;Charlatão da sinceridade e tu, da juba  socialista, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;tu&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;qualquer outro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ultimatum a todos eles &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e a todos que sejam  como eles todos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Monte de tijolos com pretensões a casa&lt;br /&gt;Inútil luxo,  megalomania triunfante&lt;br /&gt;E tu Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral que nem te  queria descobrir.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Que  confundis tudo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vós anarquistas deveras sinceros&lt;br /&gt;Socialistas a invocar a  sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.&lt;br /&gt;Sim, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;todos  vós que representais o mundo&lt;/span&gt;, homens altos, passai por baixo do meu  desprezo&lt;br /&gt;Passai, aristocratas de tanga de ouro,&lt;br /&gt;Passai frouxos&lt;br /&gt;Passai  radicais do pouco!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Quem acredita neles?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mandem tudo isso para casa,  descascar batatas simbólicas&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Fechem-me isso a chave e deitem a chave  fora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sufoco de ter só isso a minha volta.&lt;br /&gt;Deixem-me respirar!&lt;br /&gt;Abram  todas as janelas&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Abram mais janelas do que todas as janelas que há no  mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia  grão!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E o mundo quer a inteligência nova&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O mundo tem sede de que se  crie&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o  futuro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O que aí está não pode durar porque não é nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu, da raça dos  navegadores, afirmo que não pode durar!&lt;br /&gt;Eu, da raça dos descobridores,  desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.&lt;br /&gt;Proclamo isso bem alto,  braços erguidos, fitando o Atlântico&lt;br /&gt;e saudando abstratamente o infinito".                  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Álvaro de Campos (1917)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3109671273400543689?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3109671273400543689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3109671273400543689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/ultimatum-um-belo-poema-para-dia-de.html' title='Ultimatum (belo poema para dia de eleições)'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-aDQX8hxvfQ4/TerAlkDnaeI/AAAAAAAAAGs/YNtUY9qVltM/s72-c/fernando%2BPessoa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5896222288535164693</id><published>2011-06-04T03:19:00.010+01:00</published><updated>2011-06-04T05:02:00.762+01:00</updated><title type='text'>Menos simpatia e mais rigor, só para aperitivo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-6C_ExI-MFqc/TemtzfSCgmI/AAAAAAAAAGU/IjYMb2iuHkg/s1600/carro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-6C_ExI-MFqc/TemtzfSCgmI/AAAAAAAAAGU/IjYMb2iuHkg/s200/carro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614209510576128610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pergunta que não me sai da cabeça hoje : Por que é que em certos organismos deste país, como por exemplo hospitais, os administradores têm carros topos de gama "oferecidos" pelo Estado e, além de ganharem gigantescos salários (10 vezes o salário mínimo nacional para mim é gigantesco), ainda têm  mais uns cobres para despesas de representação? O que são despesas de representação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país vive acima das suas possibilidades, dizem os nossos intelectuais (que são obrigados a dizer aquilo senão acaba-se-lhes o tacho na TV e nos jornais). Mas quem  exactamente?  Quem é que vive acima das suas possibilidades? Quem é que carrega o país com aquilo que ele não pode e não devia comportar? O Zé Povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só um exemplo. Podia ser outro. E outro, e outro... Exactamente a mesma merda, só outras moscas.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O que é realmente desprezível é difundirem permanentemente a ideia de que a culpa desta crise é de todos nós. Como disse? Todos nós? Pois...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5896222288535164693?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5896222288535164693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5896222288535164693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/menos-simpatia-e-mais-rigor-so-para.html' title='Menos simpatia e mais rigor, só para aperitivo'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6C_ExI-MFqc/TemtzfSCgmI/AAAAAAAAAGU/IjYMb2iuHkg/s72-c/carro.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8836555682907070008</id><published>2011-06-03T04:15:00.007+01:00</published><updated>2011-06-04T23:32:18.492+01:00</updated><title type='text'>O Intelectual (visto por uma insónia em véspera de médico)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-Ka3fx6GL7pg/TehTdO-qRlI/AAAAAAAAAGA/PirxqSjmYKU/s1600/circos.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 263px; height: 192px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Ka3fx6GL7pg/TehTdO-qRlI/AAAAAAAAAGA/PirxqSjmYKU/s400/circos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613828697219548754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O problema dos intelectuais é só se darem com intelectuais. Numa competição estéril, num &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;mundinho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  fechado de conceitos repetidos até à exaustão mas embrulhados em  palavras caras. De costas viradas para o povo. Sendo um país o seu povo,  parece-me que estes intelectuais não sabem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;rigorosamente&lt;/span&gt; nada sobre o seu país. Sinto, portanto, que fazem tanta falta como uma viola num enterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em  boa verdade, será graciosidade que baste chamar a esta gente - repleta  de vícios e pedantismos - intelectuais. O verdadeiro intelectual seria  aquele que pensaria sobre o Mundo habitando-o, misturando-se com os  demais, ouvindo-os e pretendendo depois agir. Fosse lá como fosse: a  escrever, livros ou artigos de jornal, a criar associações, escolas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;IPSS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;´s, a fazer &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;voluntariado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;,  a ensinar, o que fosse; a fazer alguma coisa para mudar alguma coisa,  para melhorar alguma coisa... por pequena que fosse. Para Acrescentar.  Repita-se: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ACRESCENTAR&lt;/span&gt;. Para praticar ideias, e entenda-se que praticar  deve ir além de pensar. Porque as ideias só têm utilidade se anteciparem  uma prática. Com &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;GENEROSIDADE.&lt;/span&gt; Mas não, para os intelectuais que temos a  Generosidade é coisa de tontos e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;naifs&lt;/span&gt;. Fazem o culto do olhar altivo, da distância e do cinismo. Sentem assim que são mais sábios. Que saberão eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdadeiros  intelectuais, porém, andarão aí escondidos, muitas vezes frustrados  porque não os deixam fazer coisas, Acrescentar, porque esbarram  sistematicamente no poder instalado e no tal medo de existir, no tal  incómodo que sempre representa o hipotético sucesso alheio. Mesmo que  este seja para beneficiar apenas a Sociedade, o Outro. Sobretudo isso.  Porque poderiam, mesmo sem qualquer pretensão a tal, vir a ocupar o  destaque de um destes intelectuais que temos por cá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim  sendo, nós, o povo, somos obrigados a ouvir destes intelectuais, destes  que fazem tanta falta como uma viola num enterro, destes que se  acotovelam e insultam e interrompem em programas televisivos e páginas  de jornal. Tanto bom jornalista, filósofo, actor, poeta, professor -  sobretudo professor (porque é todo aquele que ensina) - sem um salário, e  tanto intelectual de merda a ganhar um salário por crónica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  repetem-se, esperam uns pelos outros, copiam-se uns aos outros,  invejam-se uns aos outros, insultam-se uns aos outros, competindo na  forma. Apenas na forma. No conteúdo não se ousa, jamais se ousa. Antes  um intelectual de banalidades engravatadas, do que apenas um homem  simples a dizer Verdade. A Verdade é para heróis, isto é, renegados e  condenados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho-lhes graça. Ao longo dos anos, trabalhei com  alguns (felizmente, só alguns) destes intelectuais. De pequeno porte é  certo, mas já lá estavam os maneirismos. Fumavam cigarro atrás de  cigarro, verbo atrás de verbo e não faziam nada, muito menos  misturarem-se com os pobres ou com aqueles que faziam reportagem sobre  os pobres. Ignoram, na sua imensa sabedoria, que este é um país pobre.  Que somos todos pobres. Desfiavam nomes de escritores e políticos e  sociólogos e faziam o culto da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;personalidade&lt;/span&gt;. Por siglas. É mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;fashion&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Ele é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;MEC&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, ele é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;MST&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, ele é mais uns disparates na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;tentativa&lt;/span&gt;  de mostrarem o quão bem relacionados são. Porque o que importa é  aparentar. Competiam uns com os outros nos seus conhecimentos teóricos.  Jamais para construir ou chegar a uma Síntese. Antes para terem razão.  Apenas verborreia. Para avançarem na escala social. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Foda&lt;/span&gt;-se, tanta vaidade, tanto alpinismo. Tão pouca &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;simplicidade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, falam de poesia e de literatura, mas desconhecem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;empiricamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  que a literatura e a poesia se fazem da alegria e do sofrimento que  alguém sentiu. Da alegria e do sofrimento de um indivíduo, ou de um  povo. Que tudo isso é vida, que eles ignoram por rejeitaram os  sentimentos; porque, para esta gente, o que importa são os pensamentos. E  quanto mais brilhantes, melhor. Desconhecem, porventura, que não há  pensamento sem emoção. Que, no limite, toda a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;inteligência&lt;/span&gt; é emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falam  do país e de política e avançam soluções sem saberem, muitos deles,  qual o ponto de partida, qual a realidade presente: qual o montante do  salário mínimo e como se vive com isso; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;como se vive no Interior deste  país onde há gente que não pode votar porque não tem transporte&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;s&lt;/span&gt;; a real  percentagem do desemprego (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;contabilizando&lt;/span&gt;  aqueles que não entram na estatística porque estão a fazer cursos de  formação, ou por outras razões bastantes discutíveis); a taxa de  escolaridade ou, melhor dizendo, de analfabetismo funcional; enfim, sem  nunca terem olhado de frente para a pobreza, para a falta de comida na  mesa e nos olhos de alguém; ou sem nunca terem sentido a alegria &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;genuína&lt;/span&gt; de conseguirem fazer alguém mais feliz. De terem, de facto, acrescentado, mudado alguma coisa. Alguma coisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não  se misturam estes intelectuais, vivem num mundo à parte. Falam de  conceitos e desligam-nos das pessoas. Pergunto-me se saberão - ainda no  que diz respeito ao país e à política - que "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;macroeconomia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;", "globalização", "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;flexigurança&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;", "mercados", "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;spreads&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;", "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;ordoliberalismo&lt;/span&gt;",  e outros palavrões que dizem - na arrogância de quem detém o saber como  uma forma de poder - afectam a vida das pessoas. P-e-s-s-o-a-s. Às  vezes parece-me que já esqueceram. São só conceitos e exercícios  conceptuais. É só uma equação que tem que dar certo. É só uma questão de  razão. Porque cada um tem que ter razão. Mais razão do que o outro.  Porque o importante é ter razão. Saberão eles o que é a Razão?. Para  estes será ser bem visto, ser tido como inteligente. Por isso se repetem  uns aos outros. Assim não há erro. São sempre meninos muito  inteligentes. E muito queridos da mamã, desta pátria mamã com imensa  tolerância para o intolerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, que mal pergunte, se estes  intelectuais não conhecem o seu país, e se, como tal, não podem  discuti-lo em Verdade, para depois construir, então, para que servem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos  ao princípio: para entreter (qual viola faz) um país cujo ânimo já se  assemelha a um velório. Para quando já não resta qualquer respeito pela  dor dos demais, é o ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Circo já temos. ...Falta o pão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8836555682907070008?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8836555682907070008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8836555682907070008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/06/o-intelectual-visto-por-uma-insonia-em.html' title='O Intelectual (visto por uma insónia em véspera de médico)'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Ka3fx6GL7pg/TehTdO-qRlI/AAAAAAAAAGA/PirxqSjmYKU/s72-c/circos.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4762900874463715260</id><published>2011-04-10T02:13:00.000+01:00</published><updated>2011-04-10T02:32:37.146+01:00</updated><title type='text'>Sem título</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-nYzMIsRXNoc/TaD-bACzZPI/AAAAAAAAADw/xDItJMaA_y8/s1600/galaxia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593750477015835890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 178px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-nYzMIsRXNoc/TaD-bACzZPI/AAAAAAAAADw/xDItJMaA_y8/s200/galaxia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;Levanto o braço e toco o céu. Tudo desaparece e o negro da noite devolve-me o sinal do que sou. Estico-me, crio asas e vejo-me lá em baixo, de olhos fechados e braço levantado. E voo, numa espiral ascendente tão sulcada quanto a linha da vida da minha mão que me toca; tão diáfana como esta brisa. E chove. E está negro. E passo por entre as gotas de água. E estou lá em baixo com o braço levantado. A tocar-me. Sinal intermitente. Às vezes desapareço. Nem sempre me vejo, nem de cima, nem de baixo. Às vezes não há reciprocidade. Às vezes desapareço. Às vezes voo continuamente, sem parar, sem parar, para cima, para cima, para cima, e agora já a planar, como se fosse a minha condição natural. E é. Lá em cima. Lá em baixo estou ali, sozinha, com o braço no ar, o resto do corpo mole, adormecido. Cá em cima, estou Eu, o infinito do negro da noite e o Tempo que une todas as coisas. E tenho poderes mágicos, posso fazer dançar o meu corpo lá em baixo. Aquele torpor quem o controla sou eu. Levito-o, trago-o até cá acima e dançamos. Eu e eu. Pela noite fora, por todos os tempos, por todo o Tempo que tem o Espaço, por todo o Espaço que tem o Tempo. Até lá longe, até não haver memórias, só gigantes vermelhas, anãs brancas e buracos negros. Distorcemo-nos num deles e saímos no mesmo lugar, no Todo que é isto tudo. Pousadas num trígono de Vénus a Marte. Unidas. Pela noite fora, de regresso até às memórias, até mais cá abaixo, aos parapeitos das janelas abertas. Ver dormir os nossos amores. Mais um pé de dança e encontramos todas as senhoras de branco, as nossas mães e as nossas avós. Quanta saudade. Dançamos num abraço apertado. Longo, longo. "Está na hora de ires, minha filha". "Só mais um bocadinho, minha mãe. Só mais um bocadinho". Mais um bocadinho e retornamos aos parapeitos. Um a um e entramos num. Estou lá eu, corpo mole, adormecido, braço no ar. Baixamo-lo. Deixamo-lo nanar e enroscamo-nos dentro dele. De mansinho. Eu e eu. Vem aí o dia. &lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4762900874463715260?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4762900874463715260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4762900874463715260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/04/um-sonho-bom.html' title='Sem título'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-nYzMIsRXNoc/TaD-bACzZPI/AAAAAAAAADw/xDItJMaA_y8/s72-c/galaxia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-2567326144660455793</id><published>2011-03-22T01:30:00.005Z</published><updated>2011-03-22T01:50:54.946Z</updated><title type='text'>Dia da Poesia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-MVifbfl1tfs/TYf-O1xgE_I/AAAAAAAAADo/TXROAFbDglQ/s1600/gato.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586713393682715634" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 167px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-MVifbfl1tfs/TYf-O1xgE_I/AAAAAAAAADo/TXROAFbDglQ/s200/gato.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aqui vai um poema para o Dia da Poesia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Deitar cedo e cedo erguer&lt;br /&gt;é fodido&lt;br /&gt;mas tem de ser". (Anónimo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como alguém me ensinou, em vez de "Feliz dia da Poesia" prefiro "Feliz Poesia todos os dias".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-2567326144660455793?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2567326144660455793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2567326144660455793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/03/dia-da-poesia.html' title='Dia da Poesia'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-MVifbfl1tfs/TYf-O1xgE_I/AAAAAAAAADo/TXROAFbDglQ/s72-c/gato.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4999196458629648785</id><published>2011-03-15T23:41:00.004Z</published><updated>2011-03-16T00:07:13.688Z</updated><title type='text'>E ainda</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nraKOo9J5uo/TX_98uWXgYI/AAAAAAAAADg/UGU9gqAxAmg/s1600/imagem3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5584461282638528898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 114px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-nraKOo9J5uo/TX_98uWXgYI/AAAAAAAAADg/UGU9gqAxAmg/s200/imagem3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;...Há uma solidão profunda no Ser. Uma enormidade sem som. Um cosmos eterno. Uma impossibilidade de grito e eco a trespassar a galáxia. Vê-se nas estrelas, vive-se cá em baixo. Há essa solidão que se respira em conjunto nos metropolitanos, e que a cada inspiração aumenta, condensa, comprime e faz do Nós um tetris desfocado. Há essa solidão. Sempre a mesma, enfim. A Solidão. Que nos liga pelos olhos calados e nos aparta pelo ruído das estações terminais. Essa solidão que, às vezes, em raros e brevíssimos momentos, apesar da dor, é sinónimo de Paz. De uma grandiosidade morna e uterina que comove...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seremos todos uma Única e a Mesma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4999196458629648785?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4999196458629648785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4999196458629648785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/03/e-ainda.html' title='E ainda'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nraKOo9J5uo/TX_98uWXgYI/AAAAAAAAADg/UGU9gqAxAmg/s72-c/imagem3.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7228993891852468879</id><published>2011-01-22T00:50:00.004Z</published><updated>2011-01-22T01:39:49.088Z</updated><title type='text'>Continuação</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/TTo0lK99s-I/AAAAAAAAACU/HzOh8NTsOSI/s1600/arvores-secas-4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564818102773724130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/TTo0lK99s-I/AAAAAAAAACU/HzOh8NTsOSI/s320/arvores-secas-4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Houve tempos em que lhe chamei imperativo biológico. Pensava no corpo como a única força que ordenava continuar.... A força que continuaria a comer (no caso de haver comida), que continuaria a tomar banho (no caso de haver água), que continuaria a viver, fosse como fosse e em que circunstancias fosse. Há quem lhe chame a "má-fé original", sem a qual não aguentaríamos, por exemplo, a morte de alguém querido, ou a fome, ou viver num país em guerra. Houve tempos em que dizia acreditar, assim, na matéria, na natureza amoral que se limita a funcionar para a perpetuação da espécie. No triunfo da vontade nem que fosse só pelo estômago: "Ao terceiro dia após a morte de meu pai, voltei a comer". Houve tempos em que jurava acreditar apenas nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentia e não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri depois que acreditava, porque o sentia, em outro motor: a fé. A fé, a religiosidade, não a religião e muito menos uma qualquer igreja. Apenas a fé: pulsão, que se tem ou não se tem, quase indestrutível, insuflada de esperança; e que, no limite de tudo, nos faz acreditar no dia seguinte, na generosidade (ainda que possa ser pouca), no triunfo do Bem sobre o Mal (ainda que de formas bem subtis e com efeitos muito lentos), na Verdade, no Conhecimento como um Todo, na Filosofia: força ampla e congregadora, cuja ausência representa atrasos seculares, a decadência e mesmo a morte da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim entrei em guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me questionava se a fé não seria mais um instrumento, uma invenção da Natureza para perpetuar o imperativo biológico; e porque depois respondia, indignada, que não, que o corpo é que era um instrumento de algo maior e invisível. Mas se era invisível como poderia eu prová-lo?. Demorou anos essa guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa trincheira estive enquanto miúda, daquelas que fazem festas em casa até às tantas nos intervalos das frequências da faculdade, daquelas que têm grandes crises existenciais, lêem cinco livros num mês (tanto atum e milho comi eu para poder comprar livros) e ignoram algumas terríveis memórias de infância. Nessa trincheira continuei já mais crescidinha, enquanto ocupada a construir uma carreira que se revelou uma nulidade -porque nela entrei cheia de expectativas, que é como quem diz com a arrogância do querer salvar o mundo, ainda que um caso de cada vez - e da qual quase saí num caixão. Nessa trincheira permaneci ainda mais crescidinha, enquanto mudava fraldas e dava leitinho e depois papinha e depois sopinha e depois copinhos de água a meio da noite e depois beijinhos e depois noites em claro, franzindo o sobrolho e refilando com a sorte. E lá nessa mesma trincheira fiquei quando decidi adoptar um menino que me fazia limpar cocó das paredes a horas desumanas, que aos quatro anos mal falava e andava, que não controlava urina ou esfíncteres, mas que me cerrava os dentes em óbvia provocação e mordia na irmã até quase lhe arrancar a carne, que me obrigava a correr com ele para terapias da fala e ocupacionais a horas laborais, que me obrigava a confrontar com o facto de eu não ter uma mãe, uma mulher velha que me valesse em horas aflitas, desse um conselho, um ombro, um beijo, um par de bofetadas se preciso fosse. E continuei, continuei, continuei, continuei na mesma trincheira quando tudo o que julgava sólido desabou, quando a subir e a defender com unhas e dentes esta íngreme montanha que me parece ser a vida vi alguns companheiros virarem as costas (não importa de que forma, há muitas formas de virar as costas); quando me vi sozinha com duas crianças às costas, quando me vi num divórcio que me atirou para um poço de culpa absolutamente suicida; quando me vi atolada em contas para pagar e papeis para resolver; quando a cabeça quase rebentava por não conseguir travar a fúria contida dos que me cobravam e partiam por incompreensão, imaturidade, egoísmo, dor ou seja lá o que for. [Ocorre-me dizer que, quando tudo desaba, amigos são aqueles que pedem para ir lá a casa mesmo que esta fique no cu do Mundo, mesmo que as conversas possam ser interrompidas a cada cinco minutos por crianças barulhentas ou até deficientes, não são os que mandam mensagens de telemóvel para manter a coisa e poderem regressar quando as coisas estiverem mais calmas (muito menos se viverem a poucos metros). Amigos são aqueles que deitam a mão quando a cambalear já não nos restam forças, não os que apenas dão palpites via telefone e pelo meio pedem um favorzinho. São os que falam pouco mas agem cirurgicamente, no momento certo. São os que ficam quando nos é diagnosticada uma depressão profunda, daquelas em que todas as memórias terríveis vêm à superfície e a saudade de mãe é insuportável. São os que regressam e se comprometem. São os que não julgam decisões radicais. Porque sabem, porque estiveram lá. Enfim, uns ficaram outros partiram... Cada um faz o melhor que pode].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa trincheira continuei, perguntando sempre - e à medida que a vida endurecia, mais intensamente - se o que nos segura é o tal imperativo biológico ou essa tal de fé. À medida que essa guerra saía do plano das ideias e passou a sentir-se na carne, dolorosamente e diariamente, muitas vezes perguntei: Mas afinal o que é que me segura? Mas, afinal, o que é que te segura? A ti e a ti, a ti? Afinal, o que é que nos segura quando aparentemente tudo falhou e a vida parece uma imensa cruz? Para uns sem pão, para outros sem saúde; educação; amor, amizade; razão... Agora que me lembro, sempre me perguntei isto. Mesmo em criança quando via um pedinte fazia-o. A pobreza sempre me consumiu a alma, porque é um atentado à dignidade. Agora que me lembro, quando era criança rezava - antes da fase em que acreditava apenas no imperativo biológico - e pedia sempre as mesmas três coisas: para o meu pai nunca morrer, para não haver pobrezinhos no mundo, e para eu nunca vir a ser pobrezinha. Tudo coisas possíveis... Haverá personalidade mais neptuniana do que a minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na trincheira continuei até julgar ter perdido a fé. Até me julgar mesmo no fim da linha. Até fazer-se um silêncio tão longo, tão grande, tão profundo, que se fosse possível fotografar uma alma, a minha seria o tronco seco de uma árvore plantada num terreno vazio e árido. E só mesmo chegada aí, com o corpo, em simultâneo, a falir, é que a guerra acabou. Mesmo sem saúde e mesmo tolhida pela doença vi a vida, vi-me escolhida por ela, força bruta que não pede licença e exige Ser, pelo amanhã... Pela pouca bondade que ainda possa haver no Mundo... Pela Arte ( a música, a pintura, a poesia)... Pela amizade... Pelo amor (no seu sentido mais amplo e mais restrito)... Pelos nossos filhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se isto não é fé, não sei que raio será a fé... E se não é a fé que nos segura, então ainda sei menos do que julgava. E se esta força não é Deus, então não sei o que é Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se todos não somos Deus, então não sei mesmo rigorosamente nada...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7228993891852468879?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7228993891852468879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7228993891852468879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2011/01/continuacao.html' title='Continuação'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/TTo0lK99s-I/AAAAAAAAACU/HzOh8NTsOSI/s72-c/arvores-secas-4.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7742780681209237874</id><published>2010-11-08T22:15:00.049Z</published><updated>2010-11-09T05:27:14.644Z</updated><title type='text'>O Suicídio</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/TNirWa9-8xI/AAAAAAAAABc/007-QN36PMI/s1600/Anjo_branco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537364143536796434" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 269px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/TNirWa9-8xI/AAAAAAAAABc/007-QN36PMI/s320/Anjo_branco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; I&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porquê? Por que é que fazem isso? - perguntaste tu. Não respondi. Mal sabias tu que dentro de mim a resposta desenhava-se linha a linha, em catadupa, sem hesitações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis aqui a tua resposta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ninguém se suicida por causa de um acontecimento isolado, embora um acontecimento isolado possa detonar a bomba-relógio que é o desespero prolongado que sempre antecipa o suicídio. O suicídio é o corolário de um somatório de realidades que levam à ausência de fé.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deixa-se de acreditar no dia seguinte, sente-se um desespero tão fundo que torna impossível vislumbrar dias diferentes, que torna impossível reencontrar a lógica para a vida. Um sentido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o breu. O breu que encurrala na "mesmice" que não se explica, por total ausência de explicações. Acaba-se a lógica e a justificação para a matéria e suas repetidas humilhações. Cresce a pequenez de que somos feitos. Que somos. Cresce o sentimento de ser-se apenas um pequeno ponto perdido, completamente abandonado, no Universo, vasto, negro e cruel. Um muito pequenino ponto no meio do caos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vai-se Deus, vai-se a família,vai-se a memória doce da mãe, do pai, do sorriso dos filhos, vai-se tudo. Esvaziamo-nos, reduzimo-nos, sem querer, involuntariamente, como uma doença, como uma espécie de Alzheimer, devagar, devagarinho, ao desespero do nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A morte outrora distante pelos afazeres do duro quotidiano deu-lhes a volta, enganou-os e surreptícia - como aquelas mulheres de voz delicodoce que sempre conseguem tudo o que querem -começa a andar por perto. Senhora de branco. Sempre tão elegante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Presente revela-se uma grande mentira e acabam-se as desculpas divinas ou esotéricas para o sofrimento humano, para o nosso e para o dos outros. Para o colectivo e para o individual. Nada faz sentido. Nada. Uma só frase vem à cabeça: "A natureza não tem moral, funciona". Morre a esperança e a desilusão corrói a linfa e a alma. Consumimo-nos da dor alheia e da nossa já indolor dor: as rejeições, os abandonos, as contas, a fome, as traições, os erros, os nossos erros, os nossos remorsos. A certeza de que falhamos uma única oportunidade. A certeza de que pensamos de mais, por nós e pelos demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E nem o silêncio de Deus dói mais. Nem mesmo o silêncio de Deus dói mais. Porque Deus já se foi. Já estamos nós e nós. Apenas nós e nós, dentro de nós.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é a fome que nos leva ao suicídio ou metade do planeta já estaria morto. É a ausência de fé, é o confronto com o nada, com o sem-sentido, com a ausência de Deus e de esperança. Se Deus (a esperança) morrer em cada Homem, morre a humanidade. Sempre que os olhos de alguém não esperam rigorosamente mais nada - seja o que for, um pedaço de pão, um abraço, um amor, um amigo - a opção da morte anda por perto. Senhora de branco. Sempre tão elegante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7742780681209237874?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7742780681209237874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7742780681209237874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/11/o-suicidio.html' title='O Suicídio'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/TNirWa9-8xI/AAAAAAAAABc/007-QN36PMI/s72-c/Anjo_branco.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6008022924817081540</id><published>2010-07-09T13:51:00.002+01:00</published><updated>2010-07-09T13:59:04.056+01:00</updated><title type='text'>É lixado, meu General</title><content type='html'>"O Vosso tanque General, é um carro forte&lt;br /&gt;Derruba uma floresta&lt;br /&gt;esmaga &lt;span id="SPELLING_ERROR_0" class="blsp-spelling-error"&gt;cem Homens&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;Mas tem um defeito&lt;br /&gt;- Precisa de um motorista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vosso bombardeiro, general&lt;br /&gt;É poderoso:&lt;br /&gt;Voa mais depressa que a tempestade&lt;br /&gt;E transporta mais carga que um elefante&lt;br /&gt;Mas tem um defeito&lt;br /&gt;- Precisa de um piloto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem, meu general, é muito útil:&lt;br /&gt;Sabe voar, e sabe matar&lt;br /&gt;Mas tem um defeito&lt;br /&gt;- Sabe pensar." (&lt;span id="SPELLING_ERROR_1" class="blsp-spelling-error"&gt;Bertold&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_2" class="blsp-spelling-error"&gt;Brecht&lt;/span&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6008022924817081540?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6008022924817081540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6008022924817081540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/07/e-lixado-meu-general.html' title='É lixado, meu General'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4840315247803821037</id><published>2010-07-07T17:24:00.005+01:00</published><updated>2010-07-09T14:01:24.334+01:00</updated><title type='text'>Como gado, para o matadouro</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;"Primeiro levaram os negros&lt;br /&gt;Mas não me importei com isso&lt;br /&gt;Eu não era negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida levaram alguns operários&lt;br /&gt;Mas não me importei com isso&lt;br /&gt;Eu também não era operário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois prenderam os miseráveis&lt;br /&gt;Mas não me importei com isso&lt;br /&gt;Porque eu não sou miserável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois agarraram uns desempregados&lt;br /&gt;Mas como tenho meu emprego,&lt;br /&gt;também não me importei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estão me levando&lt;br /&gt;Mas já é tarde.&lt;br /&gt;Como eu não me importei com ninguém&lt;br /&gt;Ninguém se importa comigo". (Bertold Brecht)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Como não sou judeu, não me incomodei&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Como não sou comunista, não me incomodei&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Como não sou católico, não me incomodei&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;No quarto dia, vieram e me levaram;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;já não havia mais ninguém para reclamar"... (Martin Niemöller)&lt;/div&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4840315247803821037?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4840315247803821037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4840315247803821037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/07/amigo-e.html' title='Como gado, para o matadouro'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3082669945023580257</id><published>2010-07-06T11:00:00.002+01:00</published><updated>2010-07-06T11:21:29.871+01:00</updated><title type='text'>O tempo</title><content type='html'>Vive-se tantas vidas numa só vida que, ainda que muito bem acompanhado, é inevitável um certo sentimento de solidão. Uma cor, um gesto, um cheiro, que remete para aqui e além, para uma cara, uma situação, um lugar, uma gargalhada. Já estive ali e ali, e agora aqui, sem ninguém dali, só alguém daqui. Outro "aqui e agora" e mais outro e mais outro. Cidades, pessoas, cheiros, cores. Sempre por uma estação, sempre de malas na mão. E o silêncio, lá no leito do oceano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3082669945023580257?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3082669945023580257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3082669945023580257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/07/o-tempo.html' title='O tempo'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5297659205197984443</id><published>2010-06-27T15:02:00.002+01:00</published><updated>2010-06-27T15:04:59.347+01:00</updated><title type='text'>Discriminação</title><content type='html'>"Quando cheguei ao Porto, tive mais problemas por ser americano do que por ser judeu, homossexual e viver com um homem. As pessoas de esquerda achavam que todos os americanos eram imperialistas". (Richard Zimler, em entrevista à Notícias Magazine, de 27 de Junho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5297659205197984443?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5297659205197984443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5297659205197984443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/06/discriminacao.html' title='Discriminação'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4149169026081451073</id><published>2010-06-18T17:30:00.004+01:00</published><updated>2010-06-27T15:05:25.358+01:00</updated><title type='text'>A lucidez do Nobel</title><content type='html'>" Cumpriram-se hoje exactamente 50 anos sobre a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos (...).Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. &lt;strong&gt;A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante".&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;José Saramago (Estocolmo, 10 de Dezembro de 1998)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4149169026081451073?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4149169026081451073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4149169026081451073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/06/cumpriram-se-hoje-exactamente-50-anos.html' title='A lucidez do Nobel'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-9099992418914212355</id><published>2010-04-01T09:55:00.003+01:00</published><updated>2010-04-01T10:01:04.003+01:00</updated><title type='text'>Mobbing</title><content type='html'>"Nas sociedades do nosso mundo Ocidental, altamente industrializado, o posto de trabalho constitui o último campo de batalha onde uma pessoa pode matar outra sem nenhum risco de chegar às salas de tribunal" (Heinz Leymann)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-9099992418914212355?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9099992418914212355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9099992418914212355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/04/mobbing.html' title='Mobbing'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5242393557679887526</id><published>2010-03-22T11:33:00.008Z</published><updated>2010-03-22T16:15:20.281Z</updated><title type='text'>Os cadáveres dos meus inimigos</title><content type='html'>Fiz como dizia o provérbio chinês. Sentei-me à beira do rio e esperei, esperei pela calma, esperei que a tristeza das traições serenasse, esperei pela resignação, esperei pelo regresso da força para continuar. Apenas esperei. E quando horas, dias, semanas, meses e anos haviam já passado por aquele rio, quando a tristeza serenou e a força regressou, vi passar pelas suas águas os cadáveres dos meus inimigos. Um por um. Traziam no rosto pálido todas as maldades que fizeram, todos os abusos de poder, todas as prepotências, todas as traições, todas as ambições, todas as vingancinhas patéticas, toda a ganância, todas as humilhações, todas as ameaças veladas, todos aqueles que fizeram desistir em nome de uma colectiva paz podre. Mas acima de tudo - e só por isso cadáveres - traziam no rosto pálido todas as palavras mal ditas àqueles que, afinal, podiam mais do que eles. Traziam no rosto o veneno que tanto deram a provar. Traziam na pele as marcas dos mais poderosos, igualmente patéticos e gananciosos. Haveria de vê-los também. Levantei-me, com deferência, porque à morte se deve sempre respeito, e pensei: nada disto era preciso. E caminhei, atrás de mim, muito lentamente como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5242393557679887526?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5242393557679887526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5242393557679887526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/03/os-cadaveres-dos-meus-inimigos.html' title='Os cadáveres dos meus inimigos'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4052991131485015927</id><published>2010-01-15T12:11:00.004Z</published><updated>2010-01-15T17:33:40.853Z</updated><title type='text'>As palavras</title><content type='html'>Por muito tempo as palavras foram bonitas porque se referiam a algo, que acontecera, que estava a acontecer, que queria que acontecesse. Alguma coisa se partiu. Como se tudo sempre tivesse sido feito de uma simples casca de ovo. Hoje, as palavras emocionam-me, só porque são bonitas. Não remetem para nada ou ninguém, para desejos ou sequer desilusões. Alguma coisa se partiu. Há quem diga que o tempo traz muito. Subtrai outro tanto e, para já, parece-me que sempre que um Homem (que é como quem diz uma Mulher) perde a inocência perde quase tudo. Quase tudo. Ficam as palavras que depois de deixarem de ter valor, ganham todo um outro valor, o valor de serem sozinhas, insufladas de vazio, vazias de expectativas e memórias. E, no entanto, nunca me esqueci de ti. E de ti, e de ti. Alguma coisa se partiu. E, no entanto, como me emociona um bom poema. E como me emociona uma boa história de amor ou de paixão, daquelas que ceifam tudo. E como rezo para que acabem bem. Ou nem acabem. Desde que a mim me deixem com os meus poemas, no final da noite, depois de cumprido o &lt;span id="SPELLING_ERROR_0" class="blsp-spelling-corrected"&gt;cansaço&lt;/span&gt; do dia. Quase tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4052991131485015927?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4052991131485015927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4052991131485015927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2010/01/as-palavras.html' title='As palavras'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3961248796457339131</id><published>2009-08-14T12:59:00.004+01:00</published><updated>2010-11-09T03:52:42.745Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>IV- Claus aprende a ouvir</title><content type='html'>O dia acabava. Com o entardecer outra jornada começaria para os pequenos duendes. Mas, antes de acordarem, já &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Claus&lt;/span&gt; tinha decidido não prosseguir caminho. Antes voltar à árvore da regeneração que muito espantada ficou quando o viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então pequenino chapéu verde, o que vens tu aqui fazer? Julguei que tivesses ido.&lt;br /&gt;- Não consigo tirar a toca da cabeça e tudo o que aqui se passa. - respondeu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Claus&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;- Tens pena dos pequenos seres da floresta, não é?&lt;br /&gt;- Tenho. Isto é inconcebível.&lt;br /&gt;- Chapéu verde, esconde-te junto a mim e deixa-me contar-te uma história.&lt;br /&gt;- Está bem.&lt;br /&gt;- Sabes, nem sempre foi assim. Há muito muito tempo, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; viviam na toca sozinhos fazendo as suas tarefas diárias sem incomodarem ninguém. Os pequenos seres da floresta eram seus vizinhos e todos conviviam pacificamente.&lt;br /&gt;- Então como se chegou a isto?&lt;br /&gt;- Começou de forma muito simples. Um dia, um dos chefes de uma das tribos dos pequenos seres da floresta veio até aqui pedir aos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; que o deixassem ajudar nos trabalhos da toca, a troco de um pouco de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração. A árvore que o fornecia tinha morrido. Aliás, essa árvore fornecia uma série de tribos contíguas. Apenas os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; tinham uma outra árvore da regeneração. Uma só deles. Sou eu, que já muito vi e ouvi. Mas, continuando, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; reuniram-se e acabaram por aceitar. Afinal, precisavam de alguém mais pequeno que fizesse os trabalhos que eles não conseguiam fazer devido à sua forte estrutura. Trabalhos mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;minuciosos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;- E então?&lt;br /&gt;- e então veio esse e, com o tempo, vieram muitos outros da sua tribo. Nos primeiros tempos, correu tudo muito bem. Trabalhavam todos em conjunto. Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; viam a sua toca crescer e os pequenos seres tinham toda a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;áhua&lt;/span&gt; que tanto precisavam. O tempo foi passando e outros chefes apareceram trazendo também as suas tribos. E também, durante muito tempo, todos se entenderam. Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; viam as suas construções crescerem de dia para dia e os pequenos seres da floresta tinham toda a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração de que tanto precisavam.&lt;br /&gt;- O que aconteceu depois?&lt;br /&gt;- Um dia, um dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; e um dos chefes dos pequenos seres da floresta desentenderam-se sobre a construção de uma das grutas verticais. O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Belkier&lt;/span&gt; entendia que quanto mais amplo fosse o tecto que a identificava melhor, mas o pequeno chefe entendia que aquilo iria desabar e matar aqueles que ainda trabalhavam na parte interior da gruta. Entendia que o tecto teria que ser a última coisa a fazer e que ainda teriam que ser estudados os suportes para evitar aquele tecto tão grande de cair. Deu grande discussão. Tão grande que os outros &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; e os outros pequenos seres da floresta foram obrigados a intervir. Discutiram horas a fio e os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; decidiram que iriam avançar com o telhado da gruta.&lt;br /&gt;- E os pequenos seres?&lt;br /&gt;- Decidiram que não voltariam mais ali.&lt;br /&gt;- Mas voltaram...&lt;br /&gt;- Não durante dias. E foram muitos dias. Só que lhes começou a faltar a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração, coisa sem a qual já não podem viver. Aos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; faltavam os corpos pequeninos dos seres da floresta, que se entranhavam nas construções e faziam todos aqueles trabalhos de precisão tão necessários à cidade-toca.&lt;br /&gt;- E então, e então?&lt;br /&gt;- Então, um dia, um dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; foi até à pequena aldeia do chefe com que tinha discutido. Disse-lhe que lhe daria mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração, se ele cedesse e fizesse o tecto tão grande quanto eles desejavam, se ele o terminasse o mais depressa possível e se o mais depressa possível passasse à grande ponte pela qual estavam tão ansiosos. O pequeno chefe disse que não, que aquilo iria desabar, que não poderia aceitar de maneira alguma aquele trato. Mas o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Belkier&lt;/span&gt; ofereceu-lhe o triplo da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;áhua&lt;/span&gt; por dia e disse-lhe que ele passaria a ter um lugar no Conselho dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;, ajudando a tomar decisões.&lt;br /&gt;- Claro que o pequeno chefe não aceitou...&lt;br /&gt;- Não naquele dia, mas quando a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;áhua&lt;/span&gt; armazenada acabou e os seus seres começaram a ficar doentes decidiu ir falar com o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Belkier&lt;/span&gt;. Acabou por ceder.&lt;br /&gt;- E depois?&lt;br /&gt;- E depois convenceu todos os pequenos seres da sua tribo a voltarem ao trabalho. Contou-lhes que, afinal, seria possível construir aquele tecto sem que ele desabasse. E eles foram. Com eles foram as outras tribos todas. Durante uns dias a cidade-toca foi crescendo e o final do dia era compensado com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração. Muita &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração. Até que o tecto quase acabado desabou, matando muitos dos pequenos seres que trabalhavam no interior da gruta.&lt;br /&gt;- E depois?&lt;br /&gt;- E depois construíram-se teorias e justificações. Os pequenos seres não queriam regressar, mas a verdade é que já não viviam sem a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração. Então continuaram. E depois um deles já fazia parte do Conselho dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;. Prometia protecção. Com o tempo, chapéu verde, mais pequenos seres foram convidados para o Conselho. As regalias eram boas. Podiam, por exemplo, habitar uma gruta já concluída e não eram obrigados a trabalho braçal. Apenas controlavam o trabalho dos pequenos seres.&lt;br /&gt;- E os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;- Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; perceberam que não tinham que fazer muito. Tinham quem trabalhasse por eles e quem controlasse esse mesmo trabalho. Só precisavam controlar os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;controleiros&lt;/span&gt; e assim estava tudo sob controlo. E esta parte era fácil: mais um lugar no Conselho, mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração.&lt;br /&gt;- Coitadinhos dos seres da floresta.&lt;br /&gt;- Não tenhas tanta pena.&lt;br /&gt;- Como podes dizer isso?&lt;br /&gt;- Eles nada fizeram para saírem daqui.&lt;br /&gt;- Ah?&lt;br /&gt;-Os pequenos seres são em maior quantidade. E deles depende todo o trabalho, todo o resultado final, se não fossem eles nada disto seria possível...&lt;br /&gt;- Mas eles precisam da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração.&lt;br /&gt;- Eles precisam tanto da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;áhua&lt;/span&gt; como os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; precisam deles. Tiveram oportunidade para saírem em bloco da toca, atrasarem toda a construção, evidenciarem uma posição de igualdade.&lt;br /&gt;- Quantos dias, coitadinhos, aguentariam sem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;áhua&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;- E quantos dias, chapéu verde, aguentariam os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; sem eles?&lt;br /&gt;- O que me dizes?&lt;br /&gt;- Digo-te que no coração de cada um deles vivia a esperança de ir parar ao Conselho dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;, em cada um a secreta esperança de habitar uma gruta da toca e controlar o trabalho alheio. E em cada um, ao mesmo tempo, o medo de perder o pouco que tinham. Em cada um a vaidade e o medo. Houve oportunidades, houve momentos em que poderiam ter virado a situação ao contrário, mas sistematicamente optaram pelo inverso.&lt;br /&gt;- Dizes-me que eles são culpados por estarem agrilhoados, por trabalharem com correntes nos pés, por serem escravos?&lt;br /&gt;- Sim, são culpados.&lt;br /&gt;- Não consigo compreender.&lt;br /&gt;- Então ouve. Mas ouve.&lt;br /&gt;- Sim...&lt;br /&gt;- Outros tectos desabaram, outras discussões houveram, outras negociações se sucederam. E tudo sempre se recompôs. Sempre do mesmo modo. Mas um dia desabou a ponte que os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; tanto queriam. Morreram duas tribos inteiras e quatro membros do Conselho.&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;- Claro que não. Dos que andavam no terreno. Aí sim, foi grave. Juntaram-se todos, atacaram os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;. Falaram mesmo em abandonar completamente as grutas, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;áhua&lt;/span&gt;, todas as regalias, tudo por tempo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;indeterminado&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;- Que aconteceu?&lt;br /&gt;- No início todos disseram que sim, que era o justo e a única saída. A única forma de obrigar a negociações que implicariam decisões partilhadas e a protecção dos pequenos trabalhadores. Mas depois veio a conversa de um que não podia prescindir da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;áhua&lt;/span&gt; porque a família estava doente, a de um outro que já tinha cedido a sua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;toquita&lt;/span&gt; na floresta e que não poderia agora ficar sem a gruta conquistada na toca dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;, ainda a de um outro que argumentava que abandonar o Conselho seria abandonar a vigilância... Enfim, cada um vestiu o medo com a cor que quis. Alguns foram para casa, é certo. Mas outros não. Os que não foram asseguraram aos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; o trabalho que era necessário. Com isto, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; sentiram que não tinham por que negociar e, com isto, os pequenos seres que tinham partido acabaram por regressar.&lt;br /&gt;- E então?&lt;br /&gt;- E então, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;, que eram burros mas não infinitamente burros, perceberam que os seres da floresta tinham a mais conveniente de todas as fraquezas: a cobardia. E que ser em maior número não era uma vantagem.&lt;br /&gt;- Sendo assim, para quê dar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;áhua&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;- Exactamente. Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; começaram a destratar os pequenos seres. Deixaram de dar três &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;ôoms&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração por dia, para darem dois e depois um. Hoje, só têm direito a meio. E meio porque precisam mesmo daquilo para viverem. E não os deixam sair daqui para aproveitarem as horas que eles estariam nas suas casas e em família.&lt;br /&gt;- E os grilhões? Eles não têm energia para fugir...&lt;br /&gt;- Fazem-no porque podem.&lt;br /&gt;- Mas eu continuo a ter pena deles.&lt;br /&gt;- Haverá entre eles muitos inocentes, muitos que teriam tido a coragem de fazer diferente. Mas a maioria não. Ou tudo seria diferente.&lt;br /&gt;- Custa tanto a acreditar.&lt;br /&gt;- Foram muitas as conversas e pequenas reuniões que apanhei aqui, debaixo dos meus ramos. Pequenas conspirações, pequenos planos, pequenas traições. Todos queriam um lugar, todos queriam almoçar com os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;. Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; são o que são, os outros queriam ser como eles. A verdade é que os pequenos seres caminharam a passos largos para aqui.&lt;br /&gt;- Ah?&lt;br /&gt;- Acho que tens que ir embora, chapéu verde. Quando fizeres o regresso, visita-me.&lt;br /&gt;- Não, eu vou para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;Urukk&lt;/span&gt;, onde está todo o conhecimento duende. De lá não sairei mais...&lt;br /&gt;- Todo o conhecimento?&lt;br /&gt;- Sim, toda a sabedoria.&lt;br /&gt;- E serão a mesma coisa?&lt;br /&gt;- Ah?&lt;br /&gt;- Não te esqueças do caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3961248796457339131?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3961248796457339131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3961248796457339131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/07/iv-claus-aprende-ouvir.html' title='IV- Claus aprende a ouvir'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5731217819560209374</id><published>2009-07-13T11:33:00.015+01:00</published><updated>2010-11-09T03:52:02.803Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>III - Claus e a primeira grande traição</title><content type='html'>Assim que a madrugada chegou, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Golguier&lt;/span&gt; partiu em direcção à cela de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;kail&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo teria que ser muito rápido, pensou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Golguier&lt;/span&gt;. Teria que salvar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Kail&lt;/span&gt;, levá-lo até aos outros e convencê-los a fugir imediatamente. Não haveria tempo para mais nada. Eram em menor número que os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;, tinham menos tamanho, menos instrumentos para uma luta e não conheciam o território. Tudo estava a favor dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Belkiers&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Golguier&lt;/span&gt; sabia que tinha prometido a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Claus&lt;/span&gt; ajudá-lo a salvar os outros seres da floresta. O que poderia ele fazer para contornar essa promessa que ele sabia ser a destruição de todos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corria o mais que podia em &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;direcção&lt;/span&gt; à cela de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Kail&lt;/span&gt;. Todos dormiam, todos ressonavam, um enorme ronco era a toca dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; naquela hora. E, então, submerso em pensamentos que viajavam entre a culpa e a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;responsabilidade&lt;/span&gt;, Golguier decidiu parar, tirar todos os planos da toca dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; que tinha debaixo do chapéu e escondê-los. Escondeu-os ao lado de uma árvore onde os muitos dos seres da floresta explorados bebiam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;áhua&lt;/span&gt; quando cansados. Era a árvore da vida. Da vida possível naquele antro de escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais leve no corpo, mas não necessariamente na consciência, chegou à cela de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Kail&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Anda, anda daí &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Kail&lt;/span&gt;. Vou abrir-te isto e vais correr atrás de mim o mais depressa que puderes e, por favor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Kail&lt;/span&gt;, não tropeces. As nossas vidas estão nas tuas mãos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Kail&lt;/span&gt;, nos teus pés quero dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correrem os dois muito e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Kail&lt;/span&gt; não tropeçou, nenhum &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Belkier&lt;/span&gt; acordou, nenhum vento se zangou.&lt;br /&gt;Chegados à cela onde estavam os outros, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Golguier&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Kail&lt;/span&gt; acordaram-nos. Imediatamente saíram todos da cela, dirigindo-se para um lugar mais escondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, encontraste os planos da toca? - perguntou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Claus&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Claus&lt;/span&gt;, temos que fugir daqui. Há milhares de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; lá fora. Não temos muito tempo, meu amigo. Daqui a pouco, eles vão acordar, dar pela nossa falta e começar as buscas.&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Golguier&lt;/span&gt;, temos que fazer alguma coisa por estes seres. Viste como trabalham, com grilhões nas pernas para não se afastarem muito? Viste como tratam os mais pequenos? Os dedos deles servem para moldar o rococó das construções deles. Viste? Temos que fazer alguma coisa. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Golguier&lt;/span&gt;, dá-me os planos que encontraste.&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Claus&lt;/span&gt;, haverá sempre escravos no Mundo.&lt;br /&gt;- E que diabo sabes tu disso, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Golguier&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;- Sei o que o nosso ancião dizia e ele dizia que o Mundo teria sempre escravos, presas e predadores.&lt;br /&gt;- O ancião é parvo. Dá-me os planos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Golguier&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande silêncio se fez e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Golguier&lt;/span&gt; respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não encontrei os planos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Claus&lt;/span&gt;. Desculpa.&lt;br /&gt;- Tu não encontraste os planos?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Estás a mentir?&lt;br /&gt;- Achas que eu te mentiria &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Claus&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;Claus&lt;/span&gt; não respondeu. Não tinha como provar aquilo que dentro de si era uma certeza. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;Golguier&lt;/span&gt;, o Bondoso, traiu-o. Mas não podia fazer grande coisa. Convenceu-se, portanto, de que estava a julgar mal &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;Golguier&lt;/span&gt;, de que ele, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;Claus&lt;/span&gt;, é que era desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá, vamos, por favor, vamos.&lt;br /&gt;- E vamos em que direcção?&lt;br /&gt;- Em frente. Encontraremos uma árvore, lá poderemos tomar a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração e seguir caminho. Muito perto há uma saída. Dentro da floresta já será mais difícil para os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; apanharem-nos.&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Golguier&lt;/span&gt;, com sabes tu que há uma saída perto dessa tal árvore?&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Claus&lt;/span&gt;, não desconfies de mim. Ouvi uma conversa entre eles. Um dizia ao outro que tinham que ter mais cuidado com aquela saída porque era muito perto da nova área de trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal e qual &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;Golgueir&lt;/span&gt; disse, eles fizeram. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Malka&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;Mirkles&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;Irtka&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Leilyii&lt;/span&gt; seguiram &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Golguier&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;Claus&lt;/span&gt;. Onde &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;ia&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;Kail&lt;/span&gt;, o distraído? Às costas de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;Leilyii&lt;/span&gt;, o aventureiro. Correram até à árvore da vida e lá beberam da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;áhua&lt;/span&gt; da regeneração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham que ir embora. O tempo começava a escassear e havia ainda o risco de chover. Se chovesse, a poeira transformar-se-&lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;ia&lt;/span&gt; em lama e não haveria mais hipótese de saírem dali enquanto os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;Belkiers&lt;/span&gt; dormiam. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;Claus&lt;/span&gt; deixou os seus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;amiguinhos&lt;/span&gt; irem e ficou um pouco para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, pequeno chapéu verde, porque estás triste?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- Vai, vai, cumpre o teu destino. O &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;teus&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;amiguinhos&lt;/span&gt; estão à tua espera. Tens aí um pequeno ôom?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Então, coloca lá um pouco da &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;minha&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;áhua&lt;/span&gt; e bebe, sempre que te sentires como agora.&lt;br /&gt;- Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;Claus&lt;/span&gt; partiu, devagar. Entretanto, ouviu uns pequenos passos e escondeu-se, assustado, atrás de um monte amarelo de pó, de onde viu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;Malka&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;Malka&lt;/span&gt; estava a escavar perto da &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;árvore&lt;/span&gt; da regeneração, onde acabou por encontrar os planos que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;Golguier&lt;/span&gt; escondera... &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;Claus&lt;/span&gt; fingiu que nada viu; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;Malka&lt;/span&gt;, com o seu bom faro, não sentiu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;Claus&lt;/span&gt;. Estava demasiado inebriado com a sua descoberta. Escondeu os planos no chapéu e foi ter com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontraram a saída e depois de uma longa madrugada conseguiram, finalmente, entrar na floresta. Mas continuaram a andar. Andaram até as forças esgotarem. Quando o sol começou a raiar, decidiram dormir, para &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;retomarem depois&lt;/span&gt; a sua viagem até aos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;Urukk&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ficaram muito perto uns dos outros. Menos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;Claus&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;Claus&lt;/span&gt; escolheu uma folha mais distante, onde chorou até mais um dia começar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5731217819560209374?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5731217819560209374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5731217819560209374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/07/claus-e-primeira-grande-traicao.html' title='III - Claus e a primeira grande traição'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5046778517381351580</id><published>2009-06-28T16:49:00.016+01:00</published><updated>2010-11-09T03:51:14.080Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>II - O Claus encontra os Belkiers</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SkeozIqu6kI/AAAAAAAAABM/nbb1zS6xeMA/s1600-h/Bola_de_pelo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352432278606637634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SkeozIqu6kI/AAAAAAAAABM/nbb1zS6xeMA/s320/Bola_de_pelo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Começaram a viagem e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claus acreditava, do fundo do seu coraçãozinho verde de duende, que tudo correria bem. Olhava os seus amiguinhos com orgulho e pensava que eram seis destemidos. Sentia-se forte, invencível, leve e dono da sua vida. Pouco lhe importava se as folhas o incomodavam, se as ervas o arranhavam, se a resina das árvores se lhe colava ao franzino corpo, se as chuvas intensas chegavam quando menos se esperava, se a humidade se se entranhava, se a água escasseava. Caminhavam juntos, paravam juntos, analisavam mapas juntos, definiam caminhos juntos, comiam juntos. Era isso que importava. Contavam histórias, liam as cábulas das poções mágicas para as memorizar, magicavam em como resolver eventuais problemas. Sentiam-se preparados. E à medida que os dias se sobrepunham uns nos outros, mais preparados se sentiam para conhecer o Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, já muito distante da partida e ainda muito longe do destino, Kail, distraído e sempre a tropeçar nos próprios pés, caiu num enorme fosso. Teria sido enorme mesmo para um humano... Horas e horas à volta do buraco e nenhuma das cordas de Golguier o conseguia resgatar, nenhum plano de salvamento foi eficaz, nenhuma poção mágica surtia efeito. Apaziguava a frustração destes amiguinhos as refeições quentes de Mirkles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou esse dia e com a noite chegou o silêncio. Leilyii não tinha mais aventuras para contar a Kail que desesperava em dores, lá em baixo. Irtka não sabia o que decidir, Mirkles adormeceu de cansaço. Apenas Malka não conseguia estar calado e repetia, incansavelmente, que estava a pressentir coisa ruim no caminho. Ficaram todos sentados à volta do grande buraco onde estava Kail. Acabaram a adormecer. Muito cansadinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia acordou com um grupo de gigantes barrigudos a rodearem os sete amiguinhos. Eram os Belkiers. Claus foi o primeiro a abrir os olhos. Fechou-os e abriu-os outra vez, na esperança de se ter enganado. Voltou a fechá-los e a abri-los. E lá estavam os barrigudos, cheios de pêlos e caras zangadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claus sentiu a boca seca, não conseguia acordar os outros, não conseguia dizer ou fazer nada. Estava com tanto medo que as pernas lhe tremiam sem autorização. Por sua vez, os barrigudos conferenciavam sobre o que fazer com aqueles minúsculos seres. Não serviam propriamente para comer, afinal, cabiam-lhes na cova de um dente. Também não serviriam para trabalhar. Pelo menos, aparentemente. Mas se caíram no buraco é porque eram inimigos, pensavam, e, portanto, teriam que levá-los. Decidiriam depois a sua utilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A toca dos Belkiers era enorme. Edificavam-se construções subterrâneas com o trabalho escravo de muitos outros seres da floresta. A Kail colocaram-no num cela sozinho, perto de um barrigudo sonolento, mas tão maior do que os outros que provocava pavor. A Claus e aos outros colocaram-nos juntos, a olhar para os que trabalhavam nas construções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante dias, Claus não conseguiu dizer uma palavra. Mal comia as refeições trazidas pelos barrigudos. Não conseguia raciocinar sobre o que diziam os seus amigos e não conseguia parar de pensar em Kail, sozinho ao lado de um barrigudo mais-do-que-gigante, Bigbelkier. Lembrava-se do ancião da sua comunidade que sempre dizia para não acreditarem em tudo o que vinha nas cartas das outras comunidades duendes. Dizia o velho duende, já com as barbas azuladas, que o jardim dos outros parece sempre mais bonito de que o nosso, mas que o Mundo, a soma de todos os jardins, era um portentoso cardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao quinto dia, porém, Claus abriu a palavra e pediu a todos os amiguinhos que o rodeassem. Tinha um plano para salvar Kail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irtka fingir-se-ia de doente, simulando uma maleita cujo sintoma principal era gritar; e Malka chamaria o chefe dos barrigudos - um barrigudo muito comilão chamado Milkbelkier - para pedir ajuda a acabar a persuadi-lo a libertá-los. Caso não desse certo, Irtka continuaria com a mesma encenação; e Malka frente-a-frente com Milbelkier, novamente, oferecer-lhe-ia uma iguaria de Mirkles que o colocaria a dormir. Quando estivesse sem ânimo, retirar-lhe-iam as chaves que sempre usava ao pescoço, abririam aquela cela, e Golguier entraria no seu bolso para ter depois acesso a todos os planos na sua toca. Teria apenas que ter muito cuidado com o seu chapéu pontiagudo. Não poderia ser visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de Claus não era salvar apenas Kail, era salvar todos os seres da floresta que estavam a ser explorados pelos barrigudos. Mas os seus amiguinhos não concordaram com tudo. Entenderam que, uma vez no bolso de Milkbelkier, Golguier iria tentar descobrir todos os planos, mas preocupar-se fundamentalmente com a libertação de Kail. Quando estivessem todos juntos outra vez, esconder-se-iam e pensariam em como resolver o problema dos outros seres da floresta. Claus acabou por consentir, mas muito contrariado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gritos lancinantes de Irtka e os dotes persuasivos de Malka não resultaram. Milkbelkier não se deixou convencer, mas sabia que alguma coisa tinha que fazer para acabar com aquela gritaria muito incomodativa. Tanto ruído constituia uma má influência na produtividade dos seres da floresta explorados. Resolveu, então,voltar uma segunda vez para ouvir as eventuais soluções de Malka. Após uns minutos de conversa, Malka ofereceu-lhe a tal iguaria de Mirkles. Tal como previra Claus, o comilão caiu redondo no chão. Arrancou-lhe as chaves que trazia no pescoço e abriu a porta da cela, deixando Golguier alojar-se no bolso do inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monstro foi imediatamente levado pelos outros monstros para os seus aposentos. Lá deitaram-no e continuou a ressonar. Golguier teve tempo de sobra para descobrir todos os planos impressos em folhas que pareciam de árvore da borracha e teve tempo para descobrir todas as outras chaves que Milkbelkier não carregava no pescoço. O pior seria sair dali, ir até à cela de Kail e passar pelo barrigudo Bigbelkier sem ser visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros, na cela, coçavam as costas com a ponta dos seus chapéus pontiagudos. Estavam tão nervosos que até as suas perninhas verdes mudavam de cor. Sorte por ninguém dar pela falta de Golguier. O trabalho e a poeira eram tão intensos que ninguém tinha tempo para ver grande coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho, Golguier decidiu que só debandava dos aposentos do comilão Milkbelkier durante a madrugada. Tinha percebido naqueles dias que toda a gente ali dormia profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que a madrugada chegou, Golguier partiu em direcção à cela de Kail...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5046778517381351580?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5046778517381351580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5046778517381351580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/06/o-claus-o-pequeno-duende.html' title='II - O Claus encontra os Belkiers'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SkeozIqu6kI/AAAAAAAAABM/nbb1zS6xeMA/s72-c/Bola_de_pelo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3561232499267145043</id><published>2009-06-24T12:38:00.017+01:00</published><updated>2010-11-09T03:50:33.756Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o pequeno duende. Uma alegoria sobre a maldade humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claus'/><title type='text'>I - Claus, o pequeno duende (parabéns, Natércia)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/Sken6duiTjI/AAAAAAAAABE/pT_P33XWmLY/s1600-h/elf+1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352431305007189554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/Sken6duiTjI/AAAAAAAAABE/pT_P33XWmLY/s320/elf+1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Era um pequeno duende de olhos enormes, azuis e espertos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Alegre e traquinas, o Claus cresceu no recanto mais inóspito da sua floresta. Não havia um lago, um espaço mais aberto, uma sociedade de humanos por perto, apenas florestação densa, apertada, alta. A sua pequena estatura não o ajudava, tampouco aos seus amiguinhos, alguns já com família. Menos ainda ajudavam as missivas vindas de outras comunidades duendes que davam conta de sítios maravilhosos onde os chapéus dos seus habitantes cirandavam o dia todo em trabalhos de embelezamento doméstico e feitiços grandiosos para colocar o universo no seu lugar. Até os que viviam nas minas pareciam viver melhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Os seus amiguinhos foram ficando rezingões, um pouco amargos, um pouco desiludidos. Mas o Claus não. O Claus tinha uns olhos azuis tão grandes que parecia que via acima da vegetação que o cobria, sabia que havia mais Mundo, sítios onde ir, outros pequenos duendes e engraçados humanos para conhecer. Às vezes, à noite, quando todos paravam de ralhar uns com os outros, Claus ia até um cantinho muito seu, trepava para uma folha com ligação directa à luz das estrelas e ficava lá, de perna verde trançada, a sonhar um glorioso futuro. Acreditava que viria a ser um duende muito importante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Uma noite, na mesma folha, decidiu que iria convencer todos os seus amiguinhos a sairem dali, a iniciarem uma viagem que os levaria, nada mais nada menos, à comunidade de duendes mais influente, aquela de onde tinham saído todos os livros de magia, toda a sabedoria, todos os poderes que havia permitido a estes pequeninos seres viverem até aos dias de hoje. Até à comunidade dos Urukk.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Nessa noite saltou da folha com a força de quem tinha encontrado uma missão e resolveu acordar toda a gente. Num ápice, estavam todos reunidos, com ar ensonado e zangado e chapéus amarrotados a ouvir Claus. Claus colocou a voz, afirmou, explicou, protestou, argumentou, mas nos olhos dos seus ouvintes só via que eles não podiam crer que tinham interrompido os seus sonhos para ouvirem tanta babuseira. Claus insistiu. Tanto que a comunidade ensonada e desejosa de voltar às suas casas decidiu fazer um voto de silêncio por três dias para pensarem no que ele propôs.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Por três dias não se ouviram os lamentos, os ralhetes, a ponta dos seus chapéus a ensaiarem poções mágicas. Só as folhas a baterem umas nas outras, competindo por uma nesga de sol. Às vezes ouvia-se um suspiro. Claus estava nervoso, nada sabia sobre como começar aquela viagem, como chegar aos Urukk, mas sabia que haveria de lá chegar. Nada nele dizia "não".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Três dias volvidos, todos se reuniram outra vez. Aquilo que parecera ser uma ideia sem pernas para andar, transformou-se num quebra-cabeças para a maioria deles e todos se mostravam rendidos à perspectiva de partir,sair daquele lugar húmido, quente e muito abafado. Mas, por maioria, decidiram que não o fariam. As desculpas foram variadas. &lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Apenas seis optaram por Claus. Partiriam assim que o dia nascesse, com as suas perninhas verdes e os seus chapéus pontiagudos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Raiou o Sol e Claus esperou pelos seus seis amiguinhos: Golguier, Malkam, Mirkles, Irtka, Leilyii e Kail.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Golguier trazia uma bússsola, pequenas cordas, cábulas com todas as poções que os pudessem defender das adversidades do caminho e mapas com as melhores rotas. Não esqueceu os planos de salvamento, caso algum dos seus amigos ficasse preso numa armadilha florestal. Tudo muito organizado, tudo muito calculado. Sempre racional, inteligente e generoso este Golguier&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;. O Malka trazia a esperteza, o faro irrepreensível, farejava o perigo à distância. Trazia ainda o seu poder de negociação, para o caso de uma necessidade. Mirkles, a duenda, presentearia o grupo com maravilhosas comidas já preparadas, com a sua capacidade de análise e o seu sentido de justiça e Irtka, a outra duenda, com a capacidade de decidir, no tempo certo. O Leilyii trazia o gosto pela aventura e pelo desconhecido. E Kail chegou atrasado,a dizer "sim" a tudo, a não ouvir nada, completamente distraído, a tropeçar nos próprios pés.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Começaram a viagem e...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;(Continua)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3561232499267145043?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3561232499267145043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3561232499267145043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/06/claus-o-pequeno-duende.html' title='I - Claus, o pequeno duende (parabéns, Natércia)'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/Sken6duiTjI/AAAAAAAAABE/pT_P33XWmLY/s72-c/elf+1.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6004154192413980005</id><published>2009-03-16T14:54:00.001Z</published><updated>2009-03-16T14:54:59.212Z</updated><title type='text'>A data</title><content type='html'>Porto, 16 de Março de 1980. Há 29 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6004154192413980005?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6004154192413980005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6004154192413980005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/03/data.html' title='A data'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6884806036061898111</id><published>2009-03-08T15:39:00.002Z</published><updated>2009-03-08T15:49:02.321Z</updated><title type='text'>Conversa fiada...</title><content type='html'>A finalidade do Homem também eu julguei ser a sua progressiva identificação com o Absoluto. Mas, como pode o Homem - imbuído na resolução do ego, primeiro; e convicto na travessia das ilusões, desilusões e humilhações económicas, sociais e pessoais, depois - identificar-se com o Absoluto? Quanta abnegação seria necessária para chegarmos ao Silêncio de que somos feitos? Para percebermos, enfim, o nosso tão invisível quanto insignificante lugar no Todo de que somos parte... Quem pode percebê-lo se os dias da pequenez são feitos de ruído?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6884806036061898111?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6884806036061898111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6884806036061898111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/03/conversa-fiada.html' title='Conversa fiada...'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-2215610077775006117</id><published>2009-03-05T14:13:00.003Z</published><updated>2009-03-05T14:21:43.767Z</updated><title type='text'>Cada um sabe o que deve...</title><content type='html'>Reza a História que Diógenes, o cínico, recebeu um dia a visita de Alexandre Magno e que este lhe perguntou se ele tinha algum desejo, dizendo-lhe que, caso tivesse, aquele seria satisfeito. Reza ainda a História que Diógenes respondeu: “Sim, desejo que te afastes da frente do Sol”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-2215610077775006117?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2215610077775006117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2215610077775006117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/03/cada-um-sabe-o-que-deve.html' title='Cada um sabe o que deve...'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8765846121226103533</id><published>2009-03-02T11:16:00.011Z</published><updated>2009-03-07T11:35:58.055Z</updated><title type='text'>Ninguém é perfeito...</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;Há uma certa vaidade serôdia que me dá pena. É aquela de quem nunca teve nada e, de repente, se vê com aquilo que antes dizia não dar importância. Vive naquelas pessoas que pregam secas monumentais sobre aquilo que recentemente sabem ou têm. Normalmente, ouço-as e deixo que se sintam deslumbradas com o tanto que recentemente sabem ou têm. Mas tenho pena, porque algumas são tão inteligentes que não era preciso caírem nessa tão triste cena. Faz-me lembrar uma frase do meu velho pai, cínico até à medula, que reza assim: "nunca peças a quem pediu, nunca devas a quem deveu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Gosto de cínicos, vêem o mundo da cor da crueza de que ele é feito e, ainda assim, fazem dele uma comédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;Também os cagarolas provocam em mim uma certa inquietação. Nada contra o medo, é uma das mais básicas e necessárias emoções. Mas os cagarolas vivem o lado paralisante do medo. E issso dá-me pena. Pelos cagarolas simples, aqueles que o são e pronto, eu nutro ainda a simpatia de quem lhes deseja melhores dias. Agora dos cagarolas que embrulham o medo em concepções intelectuais e pseudo-sublimes para o disfarçarem, dos cagarolas mentirosos que incham o peito e evocam as glórias do passado, dos cagarolas cagões, desses... é que eu tenho mesmo pena. Apenas pena. Muita pena.&lt;br /&gt;... Acho que tenho que me perdoar desta minha arrogância (agora em silêncio: hummm, gosto tanto da auto-indulgência)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8765846121226103533?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8765846121226103533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8765846121226103533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/03/destilar.html' title='Ninguém é perfeito...'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7438962756791338911</id><published>2009-02-15T12:03:00.004Z</published><updated>2009-02-15T12:20:02.144Z</updated><title type='text'>Um belo castelo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SZgHF6KI1wI/AAAAAAAAAA8/4e-R586DdJs/s1600-h/Pessoa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302996359321278210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 117px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SZgHF6KI1wI/AAAAAAAAAA8/4e-R586DdJs/s320/Pessoa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;mas não esqueço que minha vida é a maior empresa do mundo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;e posso evitar que ela vá à falência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;incompreensões e períodos de crise. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;e se tornar um autor da própria história.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;É atravessar desertos fora de si,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;É saber falar de si mesmo.&lt;br /&gt;É ter coragem para ouvir um "não".&lt;br /&gt;É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..." &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span &gt;Fernando Pessoa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7438962756791338911?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7438962756791338911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7438962756791338911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/02/um-belo-castelo.html' title='Um belo castelo'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SZgHF6KI1wI/AAAAAAAAAA8/4e-R586DdJs/s72-c/Pessoa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3903366910750540459</id><published>2009-01-25T13:48:00.003Z</published><updated>2009-01-25T14:38:19.007Z</updated><title type='text'>Saudade</title><content type='html'>O José Manuel Amaral Rodrigues da Silva, que me dava a honra de lhe chamar Zé Manel ou tão só Zé, morreu. E esta merda não me sai da cabeça. De manhã à noite não me sai da cabeça, porque não acredito. Dou por mim a pensar que ' há muito que não lhe ligo' e que 'tenho que o fazer um dia destes'. Passávamos temporadas sem falar e, depois, em quatro ou cinco horas seguidas desbobinávamos um infindável rol de histórias e sempre numa intimidade que fazia o resto do mundo, mesmo num espaço barulhento, desaparecer. Lembro-me, não sei bem por que razão, de uma das vezes em que fui a Lisboa e do almoço que tivemos antes da reportagem que eu iria fazer sobre crianças em risco. E sorrio. Tem graça que o meu percurso como jornalista foi sempre ligada à solidariedade social, aos mais desfavorecidos, à realidade nua e crua, sem mimos ou peneiras, a levar murros no estômago e banhos necessários de humildade, e tem graça que eu sempre tenha querido ir parar à Cultura e que no curtíssimo espaço de tempo que lá estive só tenha tido como única vantagem conhecer o Zé Manel, tendo regressado rapidamente ao que sempre aqui me quiseram a fazer. E tem graça que agora, depois de sempre ter querido apagar da memória a minha curta estadia pela secção da Cultura, dê por mim, afinal, a agradecer essa temporada sem a qual, verdade seja dita, nunca teria conhecido o Zé Manel. A vida escreve-se por linhas insondáveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3903366910750540459?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3903366910750540459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3903366910750540459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2009/01/saudade.html' title='Saudade'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6131039681152855533</id><published>2008-12-22T17:02:00.008Z</published><updated>2008-12-23T11:44:16.811Z</updated><title type='text'>A mesmice</title><content type='html'>Segunda-feira tento saber os pormenores de um crime. Mulher morreu com duas facadas no pescoço, às mãos do ex-companheiro. Terça-feira vou a casa de uma mãe que acabou de saber que o filho morreu num acidente de viação e peço-lhe uma fotografia para o jornal. Quarta-feira vou a uma bairro qualquer saber de um taxista que foi esfaqueado na cara durante a noite anterior. Quinta-feira vou para a faculdade de arquitectura para ouvir sobre um projecto, mas quando lá chego é engano. Volto para trás e.... segunda-feira entrevisto um paraplégico; terça-feira um tetraplégico; quarta-feira escrevo sobre os dois; quinta-feira interrompo para... ir falar com os desalojados de uma zona qualquer da cidade. "Viver todos os dias cansa" dizia o outro. A mim cansa-me a desgraça do Outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6131039681152855533?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6131039681152855533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6131039681152855533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/12/mesmice.html' title='A mesmice'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-590123003125218256</id><published>2008-12-11T00:30:00.009Z</published><updated>2009-01-25T13:00:37.165Z</updated><title type='text'>Então rapariga?</title><content type='html'>O dia foi interrompido com a notícia de que o Zé Manel tem cancro. Há algum tempo, mas eu não sabia. Vem-me à cabeça o Zé Manel no seu melhor. O Zé Manel vem-me sempre à cabeça no seu melhor.&lt;br /&gt;Conheci-o numa rua de Itália, mais concretamente em Pontedera, estava ele encostado a um poste a esfumar do cachimbo enquanto cofiava o bigode e amimava a barba. E eu ali sozinha, perto do poste, com uma enorme vontade de chorar. Estava a trabalhar, tinha que escrever muitas peças sobre aquele festival designado de “Sete Sóis, Sete Luas” e, afinal, tinha acabado de saber que alguém de quem eu gostava muito tinha desaparecido, evaporado sob a suspeita de rapto, homicídio, e de todos os horrores que assombram a imaginação quando alguém que nos é querido simplesmente desaparece.&lt;br /&gt;“Então rapariga, estás com um ar tão, o que se passa?”. A voz de bagaço, vinda das profundezas que habitam a profundidade do Zé Manel, foi o mote. O Zé Manel é jornalista como eu, ou melhor, o Zé Manel é jornalista e eu é que ando para aqui a ensaiar, mas, como dizia, o Zé Manel é jornalista e jornalista da alma gosta de coleccionar histórias e, portanto, viu-me com um ar tão compungido e ali tão só que se lhe juntou na curiosidade o sentido de humor e o lado enfermeiro. Foi remédio santo, largou (largamos) o poste, levou-me ali a um café onde pedi um sumo de laranja em português e recebi um de manga em italiano e soltei as lágrimas…Ele colocou-me debaixo da asa e do cachimbo. A mim e às sucessivas embalagens de lenços de papel para limpar as lágrimas e o ranho. Onde se visse uma nuvem de fumo com uma espécie de Madalena acolitada pelo pai Natal éramos nós. Assim sendo durante sete dias, sete sóis e sete luas. Há mais ou menos sete anos.&lt;br /&gt;Quando eu liguei para os hospitais portugueses, o Zé Manel esteve por perto; quando eu liguei para a morgue, o Zé Manel esteve por perto; quando eu liguei para os familiares da figura desaparecida, o Zé Manel esteve por perto. “Então rapariga?”, “Tens aí os lenços de papel, rapariga?”, “Há novidades, rapariga?”, “Vamos a Florença, rapariga?”, “Vamos a Siena, rapariga”, “Tens aí os lenços de papel, rapariga?”, “Caralho rapariga, tu estás na casa do Dante e estás a chorar?”.&lt;br /&gt;E depois o trabalhinho. Levou-me aos eventos (palavra que ele detestava), sentou-me na frente do computador, ditou-me os textos quando eu comecei a olhar para ontem, corrigiu-me os escritos e mandou as minhas peças para o meu jornal. O Zé Manel chegou a reescrever-me peças inteiras. “Rapariga, se calhar só foi dar um passeio até Espanha e tu estás aí a julgar que morreu…”. "Mulher, distraiu-se e entrou em Espanha. Tu já viste o quão pequeno é Portugal, rapariga? Esta merda é um bidé". Claro que o Zé Manel sabia que algo de muito grave se tinha passado. Mas não havia nada que eu pudesse fazer, muito menos regressar. Tinha um editor que me dizia não estar interessado nos meus problemas pessoais e um chefe de redacção que me ligava para saber como eu estava, mas a pedir-me que me aguentasse, que o jornal sai todos os dias. Como o que não tem remédio remediado está, o Zé Manel decidiu entreter-me a contar-me dele para saber de mim, mesmo com ranho, mesmo com lágrimas, que ao fim de uns dias foram sendo menos lágrimas e menos ranho.&lt;br /&gt;E foi numa camioneta a desintegrar-se, qual Valpi, qual Vimeca, por caminhos velhos e balançados, onde Cristo perderia os socos e teria perdido os pés também, que me explicou a teoria da morte parental. Pormenorizadamente, ele não tinha morto a mãe dentro dele e era por isso que gostava sempre de mulheres mais novas, e eu não tinha morto o meu pai e era por isso que estava apaixonada por um "gajo carcaça", dizia. [O "gajo carcaça", que, por acaso, é pai dos meus dois filhos, é capaz de não gostar muito de ler isto]. Tudo isto a cofiar a barba. E depois contava-me histórias da vida dele e das pessoas que ao longo de décadas tinha entrevistado, muitas no mundo das artes e das letras. Misturava aquilo tudo com os devidos contextos políticos e ideológicos e, assim, num rol interminável de histórias que me fascinaram, conhecemos a Toscana. No comboio, numa camioneta velha, a pé, de lenços de papel em punho.&lt;br /&gt;Não mais esqueço a escarpa de Montecastello, a voz da Guerreiro por lá a ecoar e o pulôver vermelho do Zé Manel. Nem as galerias Uffizi, o Batistério San Giovanni, ou o Campanário de Giotto, em Florença; muito menos Siena, os caminhos de Siena, o Duomo de Siena. E a viagem a Pietrasanta, onde “Michelangelo comprava o mármore para esculpir as suas estátuas” e onde eu comprei um anel que não me servia: “bonito é, mas para que é que serve essa merda, pôrra?”, riu-se o Zé Manel.&lt;br /&gt;Serve-me para eu esbugalhar um sorriso e ouvir-te dizer isso de cada vez que olho para ele. Serve para sorrir que tenho sorrido pouco. Serve para lembrar da generosidade da qual tenho memória pouca. E serve para eu me espantar com o facto de um homem com décadas de carreira - que podia ter feito o seu trabalho com uma perna às costas sem aborrecimento algum; um editor de um jornal que é uma das maiores referências culturais do país, que podia ter tido ali mais umas boas férias - ter reparado em mim, verdadeira mala sem alça, e ter-me ajudado a rir num cenário de tristeza imensa. Imenso és tu.&lt;br /&gt;E, portanto, - que não consigo escrever mais porque a amizade é que baste intraduzível, - sei apenas que, por cima deste incómodo na barriga e deste aperto no peito, estás lá tu, só tu. Porque o cancro não passa de um ladrãozeco de merda ao qual, sinceramente, não me apetece dar importância. Tanto para te contar, Zé Manel. Até terça, Zé Manel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-590123003125218256?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/590123003125218256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/590123003125218256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/12/ento-rapariga.html' title='Então rapariga?'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8275136888627763774</id><published>2008-12-05T15:10:00.001Z</published><updated>2008-12-05T15:52:21.415Z</updated><title type='text'>Da minha sapataria</title><content type='html'>Tenho uma casa vazia na palma da mão.&lt;br /&gt;Pergunto-me para onde foram "as caixas de sapatos vazias", lindas, deslumbrantes, cheias de promessas, vazias. Tantas. Incrível como os anos acumulam tanto vazio. Desapareceram, deixando um vazio maior, amplo, absoluto. Essencial. O único que deveria ser permitido.&lt;br /&gt;[Finalmente] Tenho uma casa vazia na palma da mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8275136888627763774?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8275136888627763774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8275136888627763774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/12/da-minha-sapataria.html' title='Da minha sapataria'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-9163996604248302177</id><published>2008-12-03T11:47:00.000Z</published><updated>2008-12-03T12:02:22.923Z</updated><title type='text'>Ainda sobre a tacanhez dos dias II</title><content type='html'>Talvez o Tweedledee tenha saído do País da Alice, mandado o gémeo à merda e saltado, finalmente, para um dos lados. Para o lado de fora. A caminho da ponte mais próxima, a rebolar cheio de balanço para a verdadeira tontura dos sentidos. Resiliente como é, aposto que o cabrão chega lá abaixo e começa a flutuar, entrando num mundo de concepções sublimes. Nada como uma ponte. Pena que o outro continue em cima do muro, a sofrer de dupla personalidade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-9163996604248302177?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9163996604248302177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9163996604248302177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/12/ainda-sobre-tacanhez-dos-dias-ii.html' title='Ainda sobre a tacanhez dos dias II'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7915512889869522332</id><published>2008-11-22T15:21:00.004Z</published><updated>2008-11-22T16:54:10.905Z</updated><title type='text'>A Festa</title><content type='html'>Nunca integrei a necessidade de aparecermos em festas para as quais não fomos convidados. Para mim, aliás, nunca foi uma necessidade. Antes uma violência quando imposta pelas circunstâncias. Raramente entro numa e da única vez que isso aconteceu o resultado foi (ou tem sido) desconfortável. E desconfortável o foi (ou é) porque tinha (tem) que ser; porque se não somos convidados, não devemos ir, mesmo que do lado de fora a luz se apresente como um convite irrecusável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dez anos que deambulo pelos cantos desta festa, a ouvir as efémeras tristezas e alegrias de uns e de outros. Como corpo único, se fosse uma pessoa, esta festa teria com toda a certeza uma personalidade maníaco-depressiva. Interessante porque a cada Sol Nascente trocam posições, numa eufórica dança das cadeiras que perpetua o vício da permanência.&lt;br /&gt;Aqui bati porque era noite escura e não havia pouso ou alternativa. E de resto pareceu-me, por breves momentos é certo, que poderia contribuir, ser um dos elos que a mantém magnética para quem passa lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estava tudo ocupado já. Todos os cantos estavam cheios de gente e todos pareciam ter uma função específica e um discurso insubstituível. Ainda assim conheci as pessoas, ouvi-lhes os gostos e li-lhes os interesses, fiz amigos e antipatias, aprendi, desaprendi, brindei e brinquei e até brilhei (por pouco tempo, sabido é) mas nunca aqui me senti bem. Não trouxe a roupa apropriada, logo de princípio. E, de princípio, os olhares impiedosos acusaram: “Não pertences aqui”. Pois não, nunca pertenci e deveria ter saído logo. Mas lá fora estava tão escuro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez devesse ter-me aproximado do anfitrião, talvez isso fosse o educado e conveniente a fazer. Dizer-lhe: “Obrigado por me ter aberto a porta”, quem sabe isso não me teria dado o conforto que nunca senti. Mas não o fiz. A princípio porque não sabia, depois porque ele estava sempre com muita gente, e, finalmente, porque já não o queria. E não quis porque percebi, afinal, que não tinha que lhe agradecer. Abrir-me a porta era só uma esmola que me dera em troca de mais uma presença que o fazia resplandecente. Era apenas mais uma. De resto, nunca em mim ou em tantos como eu reparou. Fazíamos andar a festa, de Sol Nascente a Sol Poente, numa dança ininterrupta, diária e magnética para quem passa lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que festa esta. Que cansaço este. Que vontade esta... de percorrer o escuro lá fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7915512889869522332?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7915512889869522332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7915512889869522332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/11/festa.html' title='A Festa'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4527546701479827160</id><published>2008-11-19T10:56:00.002Z</published><updated>2008-11-19T14:45:02.619Z</updated><title type='text'>Da tacanhez dos dias III</title><content type='html'>Há na necessidade de sermos amados a traição daqueles que nos usam para alimentarem egos. E há nessa urgência de sermos amados a traição da parcialidade, as injustiças que cometemos perante aqueles que não nos bajulam. Nunca vi alguém com poder que não caísse nesta armadilha. Espero sempre, como os meus filhos esperam a hora dos desenhos animados mesmo antes do jantar, que, desta vez, ao menos desta vez, seja diferente. Mas não tem sido. E é por isso que a vida [fora de portas] se vai transformando num ofício de galopante cinismo. É uma pena. Bastava olhar. Bastava ver. Claramente, não basta ter dois olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4527546701479827160?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4527546701479827160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4527546701479827160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/11/da-tacanhez-dos-dias-iii.html' title='Da tacanhez dos dias III'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-894344538795095414</id><published>2008-08-04T10:38:00.004+01:00</published><updated>2011-08-05T01:22:49.825+01:00</updated><title type='text'>Da tacanhez dos dias II</title><content type='html'>A vida é uma grande merda quando, por um lado, se tem uma fé virgem no dia seguinte, mas, paradoxalmente, não se acredita no Outro. Ficamos ali, entre o Candide de Voltaire e O Banqueiro Anarquista do Fernando Pessoa. Em cima do muro, como o Tweedledum da Alice no País das Maravilhas... Não sei bem onde encaixar o Tweedledee...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-894344538795095414?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/894344538795095414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/894344538795095414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/08/da-tacanhez-dos-dias-ii.html' title='Da tacanhez dos dias II'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-2131759871742800825</id><published>2008-07-29T11:37:00.005+01:00</published><updated>2008-07-29T11:55:40.893+01:00</updated><title type='text'>A tacanhez dos dias</title><content type='html'>Não devia pesar tanto. Não devia pesar tanto a vida.&lt;br /&gt;Ou mudamos de Mundo, ou proibimos a lucidez. A lucidez mata. A lucidez provoca cancro pela acumulação de desilusão. A lucidez provoca impotência. A lucidez prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam. O seu empregador, pai, avô, psiquiatra ou, em última análise, o seu farmacêutico podem ajudá-lo a deixar a lucidez: bicho mau, vingativo, ressentido, com ilusões de justiça, verme a exterminar depressa, que escarnece da organização dos dias...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-2131759871742800825?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2131759871742800825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2131759871742800825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/07/tacanhez-dos-dias.html' title='A tacanhez dos dias'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-926915346166759352</id><published>2008-06-03T10:40:00.000+01:00</published><updated>2008-06-03T10:44:08.215+01:00</updated><title type='text'>Sara</title><content type='html'>Há poucos dias reclamaste a actualização do meu blogue. Entendi hoje que só o poderia fazer com um texto teu. Este em particular por ser um texto mesmo muito bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AQUI ESTÁ:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Perguntas infantis surgem-me com o torpor do sono. Imagino-me como um coelhinho branco de porcelana atropelado repetidas vezes numa autoestrada sem emoções. Os condutores, claro.&lt;br /&gt;Eu apesar de inerte e feita em milhares de pontiagudas limalhas sinto tudo, ao jeito duma boa Miss Universo. E mudar de canal, não? E ser um Rambo feito de carne brilhante, alguém que pelo menos possa andar, sair da estrada? Alguém que sangre na berma enquanto pragueja. Com direito a cura e a seguir em frente. Sai daí coelhinho". (Sara Martins)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-926915346166759352?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/926915346166759352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/926915346166759352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/06/sara.html' title='Sara'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-2181593811661026522</id><published>2008-04-12T23:30:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T23:34:14.732Z</updated><title type='text'>O charme</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SAEaUgUCFII/AAAAAAAAAAk/iW205dpAW_4/s1600-h/gatinho+verde.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188457185281184898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SAEaUgUCFII/AAAAAAAAAAk/iW205dpAW_4/s320/gatinho+verde.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (Foto de Sara Martins)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-2181593811661026522?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2181593811661026522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2181593811661026522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/04/o-charme.html' title='O charme'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/SAEaUgUCFII/AAAAAAAAAAk/iW205dpAW_4/s72-c/gatinho+verde.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5911851543890196606</id><published>2008-04-12T23:00:00.001+01:00</published><updated>2008-04-12T20:33:05.146+01:00</updated><title type='text'>Escrito antigo</title><content type='html'>O vento bate na cara e sinto-a deslizar para trás num desmaio de prazer. Lembro-me do exercício que me ensinaste a fazer com a mão. Dizias que se podia transformar em monstro, se muito desfocada. No meu desmaio, nos breves segundos antes de chegar a ti, ao teu rosto, penso se a distância a que estamos das coisas interfere no afecto que podemos ter por elas. Mas a ti, meu amor, mesmo quando te vejo de perto, mesmo quando respiro o teu respirar, mesmo quando os meus olhos são os teus, nunca viras monstro, mesmo que desfocado, mesmo que já invisível de tão misturado em mim. Apenas gigante. Gigante sim. Mas a mão sim, a mão vira-se monstro. Um monstro de dedos largos e compridos a fugirem pelo universo e a agarrarem-te pela cintura: para mim, só para mim, meu escravo, meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou amarrar-te e respirar-te, vou sufocar-te e agrilhoar-te. Vou amar-te de mais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5911851543890196606?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5911851543890196606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5911851543890196606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/02/escrito-antigo.html' title='Escrito antigo'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3511998517500693543</id><published>2008-03-28T22:33:00.005Z</published><updated>2008-03-28T23:44:29.359Z</updated><title type='text'>Vuelvo Al Sur</title><content type='html'>Desce-me&lt;br /&gt;pelo corpo&lt;br /&gt;a violência vermelha&lt;br /&gt;do querer.&lt;br /&gt;Ou pegas em mim&lt;br /&gt;e dançamos um tango,&lt;br /&gt;já!,&lt;br /&gt;sem que te diga&lt;br /&gt;do meu apetecer,&lt;br /&gt;sem que to mostre,&lt;br /&gt;sem que to segrede sequer,&lt;br /&gt;ou assalto-te o juízo...&lt;br /&gt;moo-te&lt;br /&gt;e torturo-te&lt;br /&gt;a paixão&lt;br /&gt;até desesperares&lt;br /&gt;no meu silêncio,&lt;br /&gt;no meu desprezo,&lt;br /&gt;no meu abandono.&lt;br /&gt;E para a próxima adivinhas...&lt;br /&gt;Mas se me pegares,&lt;br /&gt;já!,&lt;br /&gt;se me souberes&lt;br /&gt;e me contares uma história&lt;br /&gt;na penumbra&lt;br /&gt;dos passos&lt;br /&gt;compassados&lt;br /&gt;da noite,&lt;br /&gt;prometo...&lt;br /&gt;não me findar&lt;br /&gt;no suor,&lt;br /&gt;na fraqueza dos músculos,&lt;br /&gt;no raiar do dia.&lt;br /&gt;...Tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3511998517500693543?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3511998517500693543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3511998517500693543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/03/vuelvo-al-sur.html' title='Vuelvo Al Sur'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-1853315458559498477</id><published>2008-03-22T22:34:00.003Z</published><updated>2008-03-22T23:27:02.251Z</updated><title type='text'>O Poder II</title><content type='html'>Há um certo tipo de pessoas que me enoja. É aquele que gravita - sob a forma de musa sedutora, acólito subserviente ou cão de fila - à volta do Poder, com o único propósito de dele beber. Como o Poder é algo que, invariavelmente, muda de mãos, também esse tipo de gente vai passando de mão em mão qual puta de luxo.  Não tenho nada contra quem fode (muito pelo contrário), apenas contra fazê-lo por dinheiro. O oportunismo, por regra, chateia-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-1853315458559498477?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1853315458559498477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1853315458559498477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/03/o-poder-ii.html' title='O Poder II'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6076371955829633616</id><published>2008-03-14T21:49:00.006Z</published><updated>2008-12-10T23:34:15.080Z</updated><title type='text'>O Poder</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R9r-rKRugtI/AAAAAAAAAAc/x1x5zsk7TPg/s1600-h/macacos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177730739062342354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R9r-rKRugtI/AAAAAAAAAAc/x1x5zsk7TPg/s320/macacos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Oligarquia: O Poder nas mãos de um grupo de comparsas que fazem o que lhes apetece, sem outro critério que não seja o seu próprio benefício (normalmente, fodendo tudo à volta).&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"O pequeno filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é sempre&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um pequeno filho-da-puta;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas não há filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por pequeno que seja,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que não tenha&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a sua própria&lt;/div&gt;&lt;div&gt;grandeza,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no entanto, há&lt;/div&gt;&lt;div&gt;filhos-da-puta &lt;/div&gt;&lt;div&gt;que nascem grandes&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e &lt;/div&gt;&lt;div&gt;filhos-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que nascem pequenos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de resto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os filhos-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não se medem aos palmos, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz ainda&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno&lt;/div&gt;&lt;div&gt;filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tem uma pequena&lt;/div&gt;&lt;div&gt;visão das coisas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e mostra em&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo quanto faz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e diz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que é mesmo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno&lt;/div&gt;&lt;div&gt;filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no entanto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tem orgulho em&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ser&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos os grandes&lt;/div&gt;&lt;div&gt;filhos-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;são reproduções em&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ponto grande&lt;/div&gt;&lt;div&gt;do pequeno&lt;/div&gt;&lt;div&gt;filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dentro do&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pequeno filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;estão em ideia&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos os grandes filhos-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o pequeno filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo o que é mau&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para o pequeno&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é mau&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para o grande filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;foi concebido&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pelo pequeno senhor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;à sua imagem&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e semelhança,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é o pequeno filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que dá ao grande&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo aquilo de que ele&lt;/div&gt;&lt;div&gt;precisa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para ser o grande filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de resto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno filho-da-puta vê&lt;/div&gt;&lt;div&gt;com bons olhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o engrandecimento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;do grande filho-da-puta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno senhor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sujeito Serviçal&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Simples Sobejo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ou seja, o pequeno filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;também em certos casos começa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por ser&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um pequeno filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e não há filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por pequeno que seja,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que não possa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vir a ser&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um grande filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;no entanto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;há filhos-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que já nascem grandes&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e &lt;/div&gt;&lt;div&gt;filhos-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que nascem pequenos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de resto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os filhos-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não se medem aos palmos, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz ainda&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande &lt;/div&gt;&lt;div&gt;filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tem uma grande&lt;/div&gt;&lt;div&gt;visão das coisas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e mostra em&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo quanto faz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e diz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que é mesmo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por isso&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tem orgulho em&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ser&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os pequenos filhos-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;são reproduções em&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ponto pequeno&lt;/div&gt;&lt;div&gt;do grande filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dentro do&lt;/div&gt;&lt;div&gt;grande filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;estão em ideia&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos os&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pequenos filhos-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo o que é bom&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para o grande&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não pode&lt;/div&gt;&lt;div&gt;deixar de ser igualmente bom&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para os pequenos filhos-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;foi concebido&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pelo grande senhor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;à sua imagem e&lt;/div&gt;&lt;div&gt;semelhança,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é o grande&lt;/div&gt;&lt;div&gt;filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que dá ao pequeno&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo aquilo de que ele&lt;/div&gt;&lt;div&gt;precisa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para ser&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pequeno filho-da-puta,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz o grande filho-da-puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de resto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta vê&lt;/div&gt;&lt;div&gt;com bons olhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a multiplicação&lt;/div&gt;&lt;div&gt;do pequeno filho-da-puta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande filho-da-puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande senhor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Santo e Senha&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Símbolo Supremo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ou seja, o grande filho-da-puta." (Alberto Pimenta)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. E aos filhos-da-puta a gente deve mandá-los para a puta-que-os-pariu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Leonor Paiva Watson&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6076371955829633616?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6076371955829633616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6076371955829633616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/03/o-poder.html' title='O Poder'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R9r-rKRugtI/AAAAAAAAAAc/x1x5zsk7TPg/s72-c/macacos.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4005205476756126512</id><published>2008-03-05T11:50:00.019Z</published><updated>2008-12-10T23:34:15.477Z</updated><title type='text'>Manifesto</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R86LRBM7zaI/AAAAAAAAAAU/YZthmN6w894/s1600-h/ElliotErwitt-SimonedeBeauvoir,Paris,1949.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174226146392001954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R86LRBM7zaI/AAAAAAAAAAU/YZthmN6w894/s320/ElliotErwitt-SimonedeBeauvoir,Paris,1949.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;(Simone de Beauvoir, Mulher)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Manifesto:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O feminismo não pode ser uma forma de misoginia ao contrário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O feminismo não pode ser sinónimo de amargura ou a expressão de frustrações individuais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O feminismo não pode ser o resultado da nossa própria cobardia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O feminismo não pode ser a negação do romance, da paixão, da ternura, da candura, do amor, entre géneros ou de qualquer género.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O feminismo não pode ser o escape da solidão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O feminismo deve ser 'apenas' um pedido veemente de Justiça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Leonor Paiva Watson (também feminista)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. Manifesto dedicado aos homens da minha vida, em especial ao meu querido pai.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4005205476756126512?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4005205476756126512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4005205476756126512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/03/manifesto.html' title='Manifesto'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R86LRBM7zaI/AAAAAAAAAAU/YZthmN6w894/s72-c/ElliotErwitt-SimonedeBeauvoir,Paris,1949.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7230564221753922703</id><published>2008-03-02T17:00:00.009Z</published><updated>2008-03-02T17:41:52.896Z</updated><title type='text'>A dor, o silêncio, a liberdade</title><content type='html'>Não há nada&lt;br /&gt;que eu possa dizer&lt;br /&gt;que não esteja já dito;&lt;br /&gt;e a mim,&lt;br /&gt;desde que sou velha,&lt;br /&gt;sempre me cansa falar,&lt;br /&gt;convencer,&lt;br /&gt;persuadir.&lt;br /&gt;De resto,&lt;br /&gt;o teu caminho é teu,&lt;br /&gt;tanto quanto o meu é meu...&lt;br /&gt;Não quero glórias&lt;br /&gt;ou culpas&lt;br /&gt;numa vida que não a minha;&lt;br /&gt;ou não mais&lt;br /&gt;do que aquelas&lt;br /&gt;que sempre temos.&lt;br /&gt;Quando chegares,&lt;br /&gt;onde quer que chegues,&lt;br /&gt;e estou certa de que chegarás,&lt;br /&gt;ficarei feliz...&lt;br /&gt;por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Dedicado a minha irmã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7230564221753922703?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7230564221753922703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7230564221753922703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/03/o-silncio.html' title='A dor, o silêncio, a liberdade'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6306618683940894851</id><published>2008-02-26T11:14:00.013Z</published><updated>2008-02-26T16:24:30.873Z</updated><title type='text'>O Belo</title><content type='html'>O Belo é aquilo que nos toca naquele não-sei-bem-onde por dentro&lt;br /&gt;e nos abana a estrutrura.&lt;br /&gt;O Belo é um vendaval que dá cabo de nós e nos rende e cativa.&lt;br /&gt;Aqui segue um exemplo de Belo: &lt;strong&gt;David Mourão-Ferreira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tentei fugir da mancha mais escura&lt;br /&gt;que existe no teu corpo, e desisti.&lt;br /&gt;Era pior que a morte o que antevi:&lt;br /&gt;era a dor de ficar sem sepultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi entre os teus flancos a loucura&lt;br /&gt;de não poder viver longe de ti:&lt;br /&gt;és a sombra da casa onde nasci,&lt;br /&gt;és a noite que à noite me procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por dentro de ti há corredores&lt;br /&gt;e em quartos interiores o cheiro a fruta&lt;br /&gt;que veste de frescura a escuridão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por dentro de ti rebentam flores.&lt;br /&gt;Só por dentro de ti a noite escuta&lt;br /&gt;o que me sai, sem voz, do coração". (David Mourão-Ferreira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S. &lt;/strong&gt;Ontem fui convidada para integrar uma mesa onde se falará sobre os direitos das mulheres. Eu não gosto de falar. Disse que não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6306618683940894851?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6306618683940894851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6306618683940894851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/02/o-belo.html' title='O Belo'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-2626819822943323</id><published>2008-02-15T12:15:00.010Z</published><updated>2008-12-10T23:34:15.662Z</updated><title type='text'>"Pornografia para românticos"</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R85-mxM7zZI/AAAAAAAAAAM/-GVMwROdVgc/s1600-h/sara+e+joÃ£o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174212226402995602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R85-mxM7zZI/AAAAAAAAAAM/-GVMwROdVgc/s320/sara+e+jo%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (Fotografia de Sara Martins)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ama-me num beijo...&lt;br /&gt;Daqueles em que perdemos&lt;br /&gt;as fronteiras do outro;&lt;br /&gt;e onde os corpos&lt;br /&gt;encasacados de Inverno&lt;br /&gt;se despem,&lt;br /&gt;de tudo e de medos.&lt;br /&gt;Ama-me nesse beijo...&lt;br /&gt;Numa queda livre,&lt;br /&gt;fragilidade imensa,&lt;br /&gt;precipício&lt;br /&gt;...sem fundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Dedicado à Sara e ao João.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-2626819822943323?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2626819822943323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2626819822943323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/02/pornografia-para-romnticos.html' title='&quot;Pornografia para românticos&quot;'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_TZOkMCBhUGE/R85-mxM7zZI/AAAAAAAAAAM/-GVMwROdVgc/s72-c/sara+e+jo%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-9170977504746615001</id><published>2008-02-10T14:00:00.000Z</published><updated>2008-02-10T14:02:58.249Z</updated><title type='text'>A esquizofrenia da razão</title><content type='html'>Eu não fico,&lt;br /&gt;eu não vou ficar,&lt;br /&gt;eu não quero ficar,&lt;br /&gt;eu quero ficar,&lt;br /&gt;mas eu não vou ficar,&lt;br /&gt;não fico, não fico, não fico.&lt;br /&gt;Nunca mais.&lt;br /&gt;Fico fico,&lt;br /&gt;fico,&lt;br /&gt;fico sim.&lt;br /&gt;Eu quero ficar.&lt;br /&gt;Eu vou ficar.&lt;br /&gt;Para sempre...&lt;br /&gt;... Até que se me acabe a vontade de dizer "para sempre"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-9170977504746615001?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9170977504746615001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/9170977504746615001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/02/esquizofrenia-da-razo.html' title='A esquizofrenia da razão'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-1435188503551322702</id><published>2008-02-09T18:23:00.000Z</published><updated>2008-02-09T18:33:59.463Z</updated><title type='text'>O Sono</title><content type='html'>Incomoda-me sempre...&lt;br /&gt;que o sono chegue&lt;br /&gt;antes das decisões.&lt;br /&gt;Incomoda-me sempre...&lt;br /&gt;que o tempo,&lt;br /&gt;velho cínico,&lt;br /&gt;mate as paixões.&lt;br /&gt;E incomoda-me sempre...&lt;br /&gt;que a inércia moral&lt;br /&gt;ou amoral,&lt;br /&gt;ou seja lá o que for,&lt;br /&gt;não deixe cumprir&lt;br /&gt;as potencialidades de uma vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-1435188503551322702?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1435188503551322702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/1435188503551322702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/02/o-sono.html' title='O Sono'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-2603298877198918099</id><published>2008-02-07T11:40:00.000Z</published><updated>2008-02-09T14:20:45.115Z</updated><title type='text'>Pequeno e antigo escrito (ou nunca digas Nunca)</title><content type='html'>Eu era de ficar,&lt;br /&gt;até que um dia&lt;br /&gt;alguém me ensinou a partir,&lt;br /&gt;partindo,&lt;br /&gt;e, desde esse dia,&lt;br /&gt;Nunca mais fiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-2603298877198918099?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2603298877198918099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/2603298877198918099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/02/pequeno-escrito-antigo-sobre-liberdade.html' title='Pequeno e antigo escrito (ou nunca digas Nunca)'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-4545939995695788453</id><published>2008-02-05T13:03:00.000Z</published><updated>2008-02-05T14:17:55.110Z</updated><title type='text'>Coisas incompreensíveis</title><content type='html'>Magoei-te, disseste.&lt;br /&gt;Não vês que é essa a minha substância?&lt;br /&gt;Por falar de menos,&lt;br /&gt;e, súbito, de mais;&lt;br /&gt;coisas incompreensíveis...&lt;br /&gt;Por me silenciar&lt;br /&gt;e, sem aviso,&lt;br /&gt;Seguir,&lt;br /&gt;até onde me levam os olhos,&lt;br /&gt;lá longe,&lt;br /&gt;Infinito,&lt;br /&gt;Poesia,&lt;br /&gt;sustento da vida...&lt;br /&gt;Não vês que recuso ser uma só?&lt;br /&gt;Não vês que Sou e gosto de Ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-4545939995695788453?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4545939995695788453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/4545939995695788453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/02/coisas-incompreensveis.html' title='Coisas incompreensíveis'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7000234495179730747</id><published>2008-01-31T11:46:00.000Z</published><updated>2008-02-04T12:41:48.170Z</updated><title type='text'>Morte certa</title><content type='html'>Pego em ti&lt;br /&gt;e dançamos,&lt;br /&gt;pode ser?&lt;br /&gt;Um vôo nocturno.&lt;br /&gt;Ascensão de espirais&lt;br /&gt;lentas, brancas&lt;br /&gt;e perfeitas,&lt;br /&gt;riscando os céus.&lt;br /&gt;Até à eternidade,&lt;br /&gt;ao ABSOLUTO de nós.&lt;br /&gt;À morte.&lt;br /&gt;Pequena morte.&lt;br /&gt;Morte certa.&lt;br /&gt;.... Morte tão certa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7000234495179730747?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7000234495179730747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7000234495179730747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/01/morte-certa.html' title='Morte certa'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7094965620401629403</id><published>2008-01-27T16:15:00.000Z</published><updated>2008-01-27T17:46:05.809Z</updated><title type='text'>A navalha da manga</title><content type='html'>Perguntas-me&lt;br /&gt;o que vejo&lt;br /&gt;de olhos fechados.&lt;br /&gt;[O Sol bate na cara,&lt;br /&gt;e o mar está longe].&lt;br /&gt;Eu, calada,&lt;br /&gt;vejo uma navalha&lt;br /&gt;de ponta afiada...&lt;br /&gt;... Faço-te um fiozinho de sangue&lt;br /&gt;nas costas&lt;br /&gt;e bebo-te até doer,&lt;br /&gt;me doer...&lt;br /&gt;No corpo e na Alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7094965620401629403?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7094965620401629403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7094965620401629403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/01/navalha-da-manga.html' title='A navalha da manga'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6401057656569919399</id><published>2008-01-24T11:41:00.000Z</published><updated>2008-01-24T11:57:45.516Z</updated><title type='text'>O Fim das coisas</title><content type='html'>Houve um tempo,&lt;br /&gt;em que o fim das coisas,&lt;br /&gt;me findava;&lt;br /&gt;qualquer fim.&lt;br /&gt;Tragicamente...&lt;br /&gt;Depois o tempo,&lt;br /&gt;em que o fim das coisas,&lt;br /&gt;era o dia seguinte;&lt;br /&gt;a saudade,&lt;br /&gt;materializada,&lt;br /&gt;do Devir...&lt;br /&gt;Ainda um outro,&lt;br /&gt;em que o fim das coisas,&lt;br /&gt;era sede minha,&lt;br /&gt;de partir...&lt;br /&gt;Hoje,&lt;br /&gt;o fim das coisas,&lt;br /&gt;seja como for,&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;Uma naturalidade.&lt;br /&gt;...De todas as cores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Dedicado a minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6401057656569919399?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6401057656569919399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6401057656569919399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/01/o-fim-das-coisas.html' title='O Fim das coisas'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-5736975995134768854</id><published>2008-01-20T14:21:00.000Z</published><updated>2008-02-04T12:40:46.586Z</updated><title type='text'>O Sol e a Lua</title><content type='html'>Julguei que eras o Sol&lt;br /&gt;e julguei ser a Lua;&lt;br /&gt;que jamais nos encontraríamos,&lt;br /&gt;ou apenas num lapso da Natureza,&lt;br /&gt;eclipse denso, intenso, fugaz&lt;br /&gt;...e assim me resignei&lt;br /&gt;na minha essência nocturna,&lt;br /&gt;às vezes minguante, às vezes crescente,&lt;br /&gt;numa dança de brilhos e silêncios,&lt;br /&gt;constelações e neblinas...&lt;br /&gt;...Julguei seres uma ilha do Pacífico&lt;br /&gt;e eu uma no Atlântico,&lt;br /&gt;numa determinação rígida,&lt;br /&gt;perene,&lt;br /&gt;para sempre,&lt;br /&gt;impossível&lt;br /&gt;...e assim me resignei&lt;br /&gt;na minha essência insular,&lt;br /&gt;às vezes muito só, às vezes um pouco menos,&lt;br /&gt;numa dança periférica,&lt;br /&gt;entre as margens de mim&lt;br /&gt;e a saciedade,&lt;br /&gt;furtiva e secreta,&lt;br /&gt;trazida por turva água...&lt;br /&gt;... assim julguei...&lt;br /&gt;Até que num intervalo da Terra,&lt;br /&gt;minha mãe, mãe minha,&lt;br /&gt;num ecplise mais longo,&lt;br /&gt;numa tempestade&lt;br /&gt;cheia de Destino,&lt;br /&gt;mares trazidos de longe&lt;br /&gt;me engoliram&lt;br /&gt;até ti;&lt;br /&gt;a noite fechou-se mais cedo,&lt;br /&gt;e eu lua,&lt;br /&gt;absorvida,&lt;br /&gt;acordei depois,&lt;br /&gt;tua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-5736975995134768854?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5736975995134768854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/5736975995134768854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/01/o-sol-e-lua.html' title='O Sol e a Lua'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7946575071744676223</id><published>2008-01-17T23:09:00.000Z</published><updated>2008-01-17T22:45:36.334Z</updated><title type='text'>Agora sobre a surdez dos homens</title><content type='html'>Acredito nas pessoas,&lt;br /&gt;acredito que podem falhar,&lt;br /&gt;muito, muitíssimo,&lt;br /&gt;em jeito irreparável e imperdoável;&lt;br /&gt;que podem amar,&lt;br /&gt;perdidamente,&lt;br /&gt;fatalmente;&lt;br /&gt;e magoar,&lt;br /&gt;concientemente,&lt;br /&gt;para sempre;&lt;br /&gt;e que para sempre&lt;br /&gt;voltam a amar,&lt;br /&gt;a partir e voltar,&lt;br /&gt;a magoar e perdoar,&lt;br /&gt;a partir e voltar,&lt;br /&gt;como uma onda do mar;&lt;br /&gt;Que são humanas&lt;br /&gt;e insufladas de humanidade,&lt;br /&gt;na benção que é falhar;&lt;br /&gt;na errância, viagem do erro,&lt;br /&gt;até chegar,&lt;br /&gt;para sempre,&lt;br /&gt;ou quase sempre,&lt;br /&gt;nunca mais,&lt;br /&gt;ou quase nunca mais.&lt;br /&gt;E nunca tanto as amaria se fossem perfeitas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonor Paiva Watson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Dedicado a meu pai que faz hoje 66 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7946575071744676223?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7946575071744676223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7946575071744676223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/01/agora-sobre-surdez-dos-homens.html' title='Agora sobre a surdez dos homens'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6581078997892688942</id><published>2008-01-14T12:08:00.000Z</published><updated>2008-01-14T12:10:31.908Z</updated><title type='text'>Do arranjo burguês do Hesse</title><content type='html'>Às vezes, cai-nos a máscara burguesa e o resto do Mundo, mascarado, fica escandalizado.&lt;br /&gt;Que ricos filhos-da-puta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6581078997892688942?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6581078997892688942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6581078997892688942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/01/do-arranjo-burgus-do-hesse.html' title='Do arranjo burguês do Hesse'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-445401632123871142</id><published>2008-01-11T17:11:00.000Z</published><updated>2008-01-11T17:37:14.398Z</updated><title type='text'>Meus anjos tristes</title><content type='html'>A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É necessário amar&lt;br /&gt;qualquer coisa ou alguém;&lt;br /&gt;o que interessa é gostar&lt;br /&gt;não importa de quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa de quem,&lt;br /&gt;nem importa o quê;&lt;br /&gt;o que interessa é amar&lt;br /&gt;mesmo o que não se vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser uma mulher (homem),&lt;br /&gt;uma pedra, uma flor,&lt;br /&gt;uma coisa qualquer,&lt;br /&gt;seja lá o que for"... (António Gedeão)&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;B&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;"Tu tens um medo:&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Acabar.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Não vês que acabas todo o dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Que morres no amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Na tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Na dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;No desejo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Que te renovas todo o dia. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;No amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Na tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Na dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;No desejo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Que és sempre outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Que és sempre o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Que morrerás por idades imensas.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Até não teres medo de morrer.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;E então serás eterno". (Cecília Meireles)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-445401632123871142?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/445401632123871142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/445401632123871142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2008/01/meus-anjos-tristes.html' title='Meus anjos tristes'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7570800531144243037</id><published>2007-10-22T12:00:00.001+01:00</published><updated>2007-10-22T13:22:33.475+01:00</updated><title type='text'>Desabafos</title><content type='html'>O mais chocante é que sendo a maioria totalmente omissa em relação ao sofrimento do vizinho se sinta no direito de opinar sobre quem faz alguma coisa para o minimizar. Dito de outro modo, a esmagadora maioria de nós não faz um real corno para ajudar quem quer que seja, mas ainda assim sente-se no direito de julgar quem faz. Vem isto a propósito de uma conversa que ouvi sobre a Madre Teresa de Calcutá, à porta dos correios. Cenário inverosímil é certo, mas aquela conversa também assim o pareceu. De mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me da conversa toda, mas estou muito cansada e não a vou transcrever. Mas ficou-me na revolta que, a dada altura, uma das intervenientes disse que a Madre tinha um ar seco, um olhar até duro e mau. Um ar seco, duro e mau? O que é que esta merda quer dizer, assim concretamente? A outra não respondia, mas estava visivelmente incomodada. Talvez não respondesse para evitar uma discussão ( a primeira falava com a veemência de quem detém a verdade absoluta) - e, depois, há muito que nos habituamos a calar face a ignomínias e é assim, parece-me, que a má educação vai proliferando, confiando na boa educação dos restantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava ao lado, com as tripas a revirarem-se-me, a conter-me e tentar honrar a educação que o meu pai me deu, sendo certo que só me apetecia descarregar a bílis, que no meu caso, contrariamente à educação recebida, faço regularmente com um leque invejável de palavrões. Por escrito. Para a gaveta. Ali, não disse nada, pois claro. A conversa não era comigo e mesmo que fosse duvido da minha habilidade para responder a isto. As pessoas têm o direito à sua opinião. E quem ouve tem o direito ao silêncio, por todas as razões, e porque, no que me diz respeito, a mediocridade sempre me esmaga a ponto de não restar voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nestas alturas, lembro-me sempre de um escritor que afirma que a maioria da humanidade vive em estado permanente de amargura. A amargura de que ele fala não é, contudo, a da Madre Teresa, que trazia no rosto o sofrimento dos que tratou, mas a dos demais, a amargura dos frustrados, dos que não suportam ver o inverso de si em alguns outros, forjando falsas desconfianças para se libertarem do buraco onde sabem viver. A amargura de que ele fala é a dos invejosos. E a estes é-lhes óbvio que quem lida com o sofrimento dos outros numa base diária não pode ter o ar mais feliz do Mundo. É-lhes óbvio que quem muda o Mundo um-caso-de-cada-vez não fica imune ao que vê. É-lhes óbvio também que há pessoas cuja função no Mundo é maior do que pregar aos peixes, com saias até aos pés e ar cândido. Se não lhes fosse óbvio não teriam tanta necessidade de o negar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim, sendo-me óbvio o meu carácter deveras duvidoso com pouca capacidade para o perdão ou para aceitar a estupidez, apetece-me perguntar por que é que não pegamos nos invejosos, todos, e não os mandamos para a puta-que os-pariu; mas também me é óbvio que ficaríamos por de mais desfalcados...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7570800531144243037?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7570800531144243037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7570800531144243037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/10/desabafos.html' title='Desabafos'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8954613571217435791</id><published>2007-10-13T13:57:00.001+01:00</published><updated>2008-01-11T22:42:03.962Z</updated><title type='text'>Iguais? Mais ou menos</title><content type='html'>- [gargalhada sonora] Menina, as mulheres hoje estão todas tolas. Sabe quem é que me ligou?&lt;br /&gt;- Pois... não, não sei.&lt;br /&gt;- Eu vou contar-lhe isto porque eu nem caibo em mim de parvo.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- No outro dia, entrou-me aqui uma maluca no taxi que eu nem lhe conto. Eu olhei para ela e ela para mim e aquilo foi tiro e queda, não sei se está a ver...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Duas de letra e acabamos aí num quarto manhoso. Mas sabe, eu gostei tanto que acabei por gostar dela, era maluca, viva, fêmea, tá a ver a coisa não tá? Tou perdido menina, tou perdido, é o bêco sem saída...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;-Bom, a coisa foi indo e acabamos por estar juntos mais umas vezes, a bem da verdade, nós estamos juntos. Mas mete-me em cada uma a Mulher, já fizemos umas coisas, menina, que eu já podia morrer feliz. Era ela agora ao telefone, por isso é que eu me ri, menina. E a menina desculpe lá tudo isto, mas um homem tem que arranjar maneira de ser feliz e às vezes também faz bem desabafar e a menina tem uns ares assim de que quem sabe ouvir. E eu tenho uma vida de merda. Desculpe a linguagem, mas, sabe, eu vivo com a minha mulher e a estúpida da minha sogra. Desculpe mais uma vez menina, mas a puta da velha põe-me nervoso. Está no quarto ao lado e sempre que eu e a minha mulher tentamos, tá a ver?, a velha aparece, diz que tem uma dor aqui e outra dor ali, e eu digo à minha mulher que a gente não nada por causa da velhaca e depois a minha mulher fica triste, diz que anda dividida. Que vou fazer? Matar a velha? Viro-me para o lado e durmo...&lt;br /&gt;-...&lt;br /&gt;- Agora esta maluca liga-me. Sabe o que ela me fez no outro dia? Disse-me para ir ter com ela a casa dela e eu fui. Disse-me que estava lá uma amiga interessada em nós, tá a ver?, larguei logo a máquina e fui. Quando lá cheguei estava ela à porta, depois apareceu a outra. Nem queira saber quem era a outra...&lt;br /&gt;- A sua mulher?&lt;br /&gt;- [Gaguejou] Menina, a minha mulher é uma mulher séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Silêncio até quase ao fim da viagem.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina, a minha mulher nunca faria uma coisa dessas comigo.&lt;br /&gt;- Estou a ver...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8954613571217435791?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8954613571217435791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8954613571217435791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/10/iguais-mais-ou-menos.html' title='Iguais? Mais ou menos'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8231673812129492113</id><published>2007-10-04T11:11:00.000+01:00</published><updated>2007-10-04T12:42:54.040+01:00</updated><title type='text'>Já tenho a minha conta</title><content type='html'>Não tenho nada contra as pessoas mesmo muito amargas,&lt;br /&gt;desde que não se sintam no direito de contaminar-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8231673812129492113?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8231673812129492113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8231673812129492113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/10/j-tenho-minha-conta.html' title='Já tenho a minha conta'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-3275018860772178271</id><published>2007-06-24T03:44:00.000+01:00</published><updated>2007-06-24T04:17:26.979+01:00</updated><title type='text'>O Tejo, um livro e um anel de cobre</title><content type='html'>Nove anos depois, reencontrei-te, na Brasileira, em Lisboa, neste dia imenso de luz imensa.&lt;br /&gt;Não fazias ideia de que irias ver-me porque foi um segredo muito bem guardado, e, ainda assim, trazias pela mão um livro que dentro, vi depois, tinha uma frase que te escrevi há dez anos: "Não és tu que sonhas de mais, são eles que vivem num pesadelo. Maria. 1997". Aquela frase, que mal reconheci como minha, recuperou as coincidências, empatias e telapatias de que sempre se fez esta amizade. E o que dizer-te, Filipa, do livro ser do meu favorito Herman Hesse?&lt;br /&gt;Se não conhecesse a nossa Mesquita, seria capaz de jurar que ela te revelou, num momento de fraqueza, que eu iria aparecer. Mas sei que não o fez, porque confio nela como confio na minha mão direita, a mesma que orgulhosamente ostenta o anel de cobre vindo da Índia que, supostamente, me vai dar energia; e que dará, só porque mo foi dado por essa imensa Mesquita de um metro e oitenta, mãos de pianista e nobreza nos olhos. Uma Mesquita linda como tu e como nós, as três, a conversarmos e a "esfumaçarmos" no Adamastor, como se o Tejo sempre connosco tivesse estado, como se o tempo tivesse parado para nós, eternamente sem rugas, sem cabelos brancos, sem óculos. E quando gargalhamos, o meu coração disparou, porque ainda o fazemos pelas mesmas razões e porque continua a ser forte, de um lugar que sonha, que, arrisco dizer, sonhará sempre. "Porque há coisas que o tempo não muda"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De regresso ao Porto, preparo o segundo aniversário da minha "morango", que me deu um abraço apertado quando me viu hoje entrar, depois de dia e meio de ausência. "Porque há maravilhas que o tempo traz, com as primeiras rugas, os cabelos brancos e os óculos"...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-3275018860772178271?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3275018860772178271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/3275018860772178271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/06/o-tejo-um-livro-e-um-anel-de-cobre.html' title='O Tejo, um livro e um anel de cobre'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-6309477688559196876</id><published>2007-04-13T01:36:00.000+01:00</published><updated>2007-04-14T00:01:46.953+01:00</updated><title type='text'>Como fui capaz de te perder o rasto?</title><content type='html'>Agora que as crianças dormem e os sons acalmam, liberto a cacofonia do dia, desligo-me das notícias, das discussões triviais, dos afazeres, dos barulhos da cidade, do país e do que falta responder e recolho às lombadas na estante. Convido a intimidade da noite, regresso ao silêncio de que sou feita, entranhando-se-me a sensação de que os dias são apenas a minha ida diária ao teatro. Não falo, não ouço, passo os dedos pelos meus livros e não evito sentir pena destes meus amiguinhos de tantas horas boas e sós; começam a ter pó, aquele pó fino que denuncia a frágil presença do espanador no móvel e ainda a negligência perante aquele e aquele outro narrador. Tenho saudades de alguns dos personagens, penso que os entenderia melhor agora e lembro-me de tudo o que viveram como me lembro da primeira conversa que tive com a minha melhor amiga há 16 anos (não gostei dela; no fundo, como diz a minha senhora Maria, eu sou uma impertinente). Apetece-me pegar-lhes, mas o cansaço é muito e o medo de o encanto não ser o mesmo tolhe maiores movimentos. Há desilusões que não se devem ter. Sei-os todos de cor e quando, como agora, um deles não aparece, neste caso "Onde Estivestes de Noite", de Clarice Lispector (e não há engano, é mesmo "estivestes"), o meu silencio silencia-se um pouco e levanta-se uma espécie de sentimento que faz barulho por de mais; com fui capaz de te perder o rasto? Mas regressa o silêncio, porque é o meu perseguidor, porque sou eu e o que somos apanha-nos sempre. E nesse estado de torpor passo em revista a vidinha; e tudo, apesar de tudo, faz sentido. Não porque a noite traga inércia moral mas por uma arrebatadora e quase inverosímil sensação de paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-6309477688559196876?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6309477688559196876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/6309477688559196876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/04/como-fui-capaz-de-te-perder-o-rasto.html' title='Como fui capaz de te perder o rasto?'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-8896418867933878820</id><published>2007-03-21T02:03:00.000Z</published><updated>2007-04-13T01:27:25.991+01:00</updated><title type='text'>Poesia</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;"os cegos dizem:veremos.&lt;br /&gt;nós vemos e calamo-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os mudos gesticulam.&lt;br /&gt;nós temos as mãos nos bolsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os surdos põem a mão em concha.&lt;br /&gt;nós tapamos os ouvidos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Pimenta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;"é no silêncio&lt;br /&gt;que melhor ludribio a morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não&lt;br /&gt;já não me prendo a nada&lt;br /&gt;mantenho-me suspenso neste fim de século&lt;br /&gt;reaprendo os dias para a eternidade&lt;br /&gt;porque onde termina o corpo deve começar&lt;br /&gt;outra coisa outro corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ouço o rumor do vento&lt;br /&gt;vai&lt;br /&gt;alma vai&lt;br /&gt;até onde quiseres ir"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al Berto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;"Um dia, gastos, voltaremos&lt;br /&gt;A viver livres como os animais&lt;br /&gt;E mesmo tão cansados floriremos&lt;br /&gt;Irmãos vivos do mar e dos pinhais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento levará os mil cansaços&lt;br /&gt;Dos gestos agitados irreais&lt;br /&gt;E há-de voltar aos nossos membros lassos&lt;br /&gt;A leve rapidez dos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então poderemos caminhar&lt;br /&gt;Através do mistério que se embala&lt;br /&gt;No verde dos pinhais na voz do mar&lt;br /&gt;E em nós germinará a sua fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia de Mello Breyner Andresen&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-8896418867933878820?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8896418867933878820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/8896418867933878820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/03/poesia.html' title='Poesia'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7026942264962127613</id><published>2007-03-20T15:44:00.000Z</published><updated>2007-03-20T15:59:40.600Z</updated><title type='text'>Se pensarmos bem</title><content type='html'>- Posso fazer-lhe uma pergunta?&lt;br /&gt;- Diga.&lt;br /&gt;- A menina acredita na encarnação?&lt;br /&gt;- Na reencarnação?&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- No outro dia, na televisão, ouvi essa conversa e fiquei a pensar. Mas até fiquei um bocadinho chocada, ó menina. Parece-me tudo um grande disparate. Aquilo é que era cá um paleio.&lt;br /&gt;- Senhora Maria, acredita em Deus?&lt;br /&gt;- Pois claro.&lt;br /&gt;- Mas nunca o viu, pois não?&lt;br /&gt;- Pois, não.&lt;br /&gt;- Então, por que é que a crença dos outros há-de ser mais, ou menos, disparatada do que a sua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... 15 minutos depois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem razão, menina. Se pensarmos bem, tudo é impossível.&lt;br /&gt;- Como disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... 30 minutos depois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E até é impossível que não haja Deus.&lt;br /&gt;- Então porquê, senhora Maria?&lt;br /&gt;- Então, ó menina, olhe lá à sua volta...&lt;br /&gt;- Então e quem passa fome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minutos depois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois, se pensarmos bem, tudo é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois, depois do banho, depois da refeição da minha filha, da minha, da do Tom, depois da entrada ao trabalhinho, depois de já ter feito uns contactos para umas pequenas notícias, depois de um cigarro, continuo com a frase da senhora Maria na cabeça. "Se pensarmos bem, tudo é impossível".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7026942264962127613?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7026942264962127613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7026942264962127613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/03/se-pensarmos-bem.html' title='Se pensarmos bem'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-7174244892952183835</id><published>2007-02-18T15:57:00.000Z</published><updated>2007-02-19T11:53:48.672Z</updated><title type='text'>Gisberta</title><content type='html'>Há um ano Gisberta foi espancada e torturada até à morte.&lt;br /&gt;A sorte de uma sociedade que não sabe nem quer saber da realidade dos transexuais baseou-se no facto de a Gisberta ter sido assassinada por um grupo de menores em risco. Sorte porque assim pôde branquear o que se passou, alegando que as crianças daquela instituição sofrem maus tratos. Isto deu origem a muitas histórias, verdadeiras, é certo, mas que fizeram esquecer a história principal: a morte, a agonia de um ser humano, só por ser diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Branquou-se assim a maldade de uma sociedade que ensina a odiar gente diferente, como os que pensam pela própria cabeça, como as pessoas do sexo feminino, como os idosos, os homossexuais, os transexuais, os negros, os americanos, os mexicanos, os muçulmanos, os chineses, os brasileiros, as minorias. Uma sociedade que molda crianças e jovens para não terem o mínimo de respeito pela individualidade, pelo direito que cada um tem de ser o que quiser, desde que não magoe alguém. Uma sociedade conivente com a morte, quando silencia, quando tenta justificar o que não tem justificação possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço alguns dos meninos que vivem na instituição de acolhimento onde antes viviam os putos que mataram a Gisberta. São carentes, sim; são muito sós, sim; contam histórias de maus tratos, sim; são, por vezes, agressivos, sim... mas são bons. Os putos que mataram a Gisberta, que, por acaso, também moravam na mesma instituição, não são bons. Mas não estão sós na culpa. São só o lado mais violento de um todo. São a carne para canhão de uma mentalidade a que nem os Media escapam. Foram a representação mais-do-que-perfeita de uma sociedade que se sente ameaçada pela diferença, que a humilha e a escorraça. Uma sociedade que, em tribunal, pergunta a uma mulher violada o que levava vestido no dia da agressão. A mesma que, vezes a mais, nas páginas de jornais, desculpa a violência conjugal com o álcool, com um distúrbio mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma que na sua versão pseuso-humanista diz coisas do género: "Sabias que o-não-sei-quantos é gay? Mas é assumido. Sim senhor...". Sim senhor, porquê? Por acaso, quando me apresento a alguém digo: Olá, eu sou a Sophia e sou heterossexual?. E alguém diz? (No reverso do preconceito traduzido em actos de violência está o preconceito que é pejado de uma condescendência filha-da-puta, tipo: Espelho meu, espelho meu, eu tenho um amigo gay, quem agora é mais fixe do que eu?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte da Gisberta é a nossa vergonha, é o nosso bolor, é a consequência do que temos de pior. É a estupidez de uma sociedade inteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-7174244892952183835?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7174244892952183835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/7174244892952183835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/02/gisberta.html' title='Gisberta'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-117124804426652020</id><published>2007-02-12T02:31:00.000Z</published><updated>2007-02-19T11:52:11.757Z</updated><title type='text'>O Homem</title><content type='html'>"Era uma tarde do fim de Novembro, já sem nenhum Outono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado, cor de frio. Os homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deviam ser quatro horas da tarde de um dia sem sol nem chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia muita gente na rua naquele dia. Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás de um homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza de uma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza de uma inocência humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instintivamente o meu olhar ficou um momento preso na cara da criança. Mas o homem caminhava muito devagar e eu, levada pelo movimento da cidade, passei à sua frente. Mas ao passar voltei a cabeça para trás para ver mais uma vez a criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que vi o homem. Imediatamente parei. Era um homem extraordinariamente belo, que devia ter trinta anos e em cujo rosto estavam inscritos a miséria, o abandono, a solidão. O seu fato, que tendo perdido a cor tinha ficado verde, deixava adivinhar um corpo comido pela fome. O cabelo era castanho-claro, apartado ao meio, ligeiramente comprido. A barba por cortar há muitos dias crescia em ponta. Estreitamente esculpida pela pobreza, a cara mostrava o belo desenho dos ossos. Mas mais belos do que tudo eram os olhos, os olhos claros, luminosos de solidão e de doçura. No próprio instante em que eu o vi, o homem levantou a cabeça para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como contar o seu gesto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um céu alto, sem resposta, cor de frio. O homem levantou a cabeça no gesto de alguém que, tendo ultrapassado um limite, já nada tem para dar e se volta para fora procurando uma resposta: A sua cara escorria sofrimento. A sua expressão era simultaneamente resignação, espanto e pergunta. Caminhava lentamente, muito lentamente, do lado de dentro do passeio, rente ao muro. Caminhava muito direito, como se todo o corpo estivesse erguido na pergunta. Com a cabeça levantada, olhava o céu. Mas o céu eram planícies e planícies de silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto se passou num momento e, por isso, eu, que me lembro nitidamente do fato do homem, da sua cara, do seu olhar e dos seus gestos, não consigo rever com clareza o que se passou dentro de mim. Foi como se tivesse ficado vazia olhando o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A multidão não parava de passar. Era o centro do centro da cidade. O homem estava sozinho, sozinho. Rios de gente passavam sem o ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só eu tinha parado, mas inutilmente. O homem não me olhava. Quis fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Era como se a sua solidão estivesse para além de todos os meus gestos, como se ela o envolvesse e o separasse de mim e fosse tarde de mais para qualquer palavra e já nada tivesse remédio. Era como se eu tivesse as mãos atadas. Assim às vezes nos sonhos queremos agir e não podemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem caminhava muito devagar. Eu estava parada no meio do passeio, contra o sentido da multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia a cidade empurrar-me e separar-me do homem. Ninguém o via caminhando lentamente, tão lentamente, com a cabeça erguida e com uma criança nos braços rente ao muro de pedra fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu penso no que podia ter feito. Era preciso ter decidido depressa. Mas eu tinha a alma e as mãos pesadas de indecisão. Não via bem. Só sabia hesitar e duvidar. Por isso estava ali parada, impotente, no meio do passeio. A cidade empurrava-me e um relógio bateu horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de que tinha alguém à minha espera e que estava atrasada. As pessoas que não viam o homem começavam a ver-me a mim. Era impossível continuar parada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como o nadador que é apanhado numa corrente desiste de lutar e se deixa ir com a água, assim eu deixei de me opor ao movimento da cidade e me deixei levar pela onda de gente para longe do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enquanto seguia no passeio rodeada de ombros e cabeças, a imagem do homem continuava suspensa nos meus olhos. E nasceu em mim a sensação confusa de que nele havia alguma coisa ou alguém que eu reconhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente evoquei todos os lugares onde eu tinha vívido. Desenrolei para trás o filme do tempo. As imagens passaram oscilantes, um pouco trémulas e rápidas. Mas não encontrei nada. E tentei reunir e rever todas as memórias de quadros, de livros, de fotografias. Mas a imagem do homem continuava sozinha: a cabeça levantada que olhava o céu com uma expressão de infinita solidão, de abandono e de pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do fundo da memória, trazidas pela imagem, muito devagar, uma por uma, inconfundíveis, apareceram as palavras:&lt;br /&gt;- Pai, Pai, por que me abandonaste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então compreendi por que é que o homem que eu deixara para trás não era um estranho. A sua imagem era exactamente igual à outra imagem que se formara no meu espírito quando eu li:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, Pai, por que me abandonaste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era aquela a posição da cabeça, era aquele o olhar, era aquele o sofrimento, era aquele o abandono, aquela a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além da dureza e das traições dos homens, para além da agonia da carne, começa a prova do último suplício: o silêncio de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os céus parecem desertos e vazios sobre as cidades escuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para trás. Subi contra a corrente o rio da multidão. Temi tê-lo perdido. Havia gente, gente, ombros, cabeças, ombros. Mas de repente vi-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha parado, mas continuava a segurar a criança e a olhar o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri, empurrando quase as pessoas. Estava já a dois passos dele. Mas nesse momento, exactamente, o homem caiu no chão. Da sua boca corria um rio de sangue e nos seus olhos havia ainda a mesma expressão de infinita paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança caíra com ele e chorava no meio do passeio, escondendo a cara na saia do seu vestido manchado de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a multidão parou e formou um círculo à volta do homem. Ombros mais fortes do que os meus empurram-me para trás. Eu estava do lado de fora do círculo. Tentei atravessá-lo, mas não consegui. As pessoas apertadas umas contra as outras eram como um único corpo fechado. À minha frente estavam homens mais altos do que eu que me impediam de ver. Quis espreitar, pedi licença, tentei empurrar, mas ninguém me deixou passar. Ouvi lamentações, ordens, apitos. Depois veio uma ambulância. Quando o círculo se abriu, o homem e a criança tinham desaparecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a multidão dispersou-se e eu fiquei no meio do passeio, caminhando para a frente, levada pelo movimento da cidade.&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;Muitos anos passaram. O homem certamente morreu. Mas continua ao nosso lado. Pelas ruas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sophia de Mello Breyner Andresen, in Contos Exemplares)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-117124804426652020?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/117124804426652020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/117124804426652020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/02/era-uma-tarde-do-fim-de-novembro-j-sem.html' title='O Homem'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-117018857034987177</id><published>2007-01-30T20:16:00.000Z</published><updated>2007-01-30T20:27:23.846Z</updated><title type='text'>IVG</title><content type='html'>Voto "Sim".&lt;br /&gt;O "Sim" não obriga ninguém a fazer uma IVG, o "V" é de voluntária.&lt;br /&gt;O "Não" obriga, ao abrigo da lei, a ter. Um filho. Mesmo que não se possa, mesmo que não se queira, mesmo que não se ame.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-117018857034987177?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/117018857034987177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/117018857034987177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/01/ivg.html' title='IVG'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-117013445325061711</id><published>2007-01-30T04:15:00.000Z</published><updated>2007-01-30T20:55:54.746Z</updated><title type='text'>"O gigante judeu em casa dos seus pais, no Bronx, 1979".</title><content type='html'>É um feio gigante, de lábios grossos e corpo curvado pelo tecto tão próximo.&lt;br /&gt;Mas é como se quase sorrisse para a mãe e é como se, assim, quase sorrindo, fosse ficando menos e menos desagradável. É aquele quase sorriso que prende. Um esgar. Quase imperceptível. Como se fosse possível entrar no seu sentir, nos olhos da sua mãe, no espanto do seu pai, na história daquela família, como se debaixo do mesmo tecto... tão próximo e a preto e branco. Um esgar, quase imperceptível, retém-nos e confronta-nos com a humanidade que rejeitamos. Todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pedinte numa fotografia de Diane Arbus, um travesti numa fotografia de Arbus, um deficiente numa fotografia de Arbus são a devolução da humanidade envergonhada. Nas ruas, nas beiras de estrada, nos lares da terceira idade, nos bancos de jardim, nas associações de deficientes, na solidão das casas forradas a papel de cornucópia e com relógios parados à porta. São o lugar onde os bilhetes menos afortunados à matéria encontram dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso encontro com o medo e este a dissipar-se, o tempo que pensávamos não ter. Talvez Deus. Ou um bocadinho dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-117013445325061711?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/117013445325061711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/117013445325061711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/01/o-gigante-judeu-em-casa-dos-seus-pais.html' title='&quot;O gigante judeu em casa dos seus pais, no Bronx, 1979&quot;.'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-116808669160231244</id><published>2007-01-06T12:30:00.000Z</published><updated>2007-01-06T12:31:31.620Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Para mim o sujeito de uma fotografia é sempre mais importante do que a fotografia. E mais complicado..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diane Arbus&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-116808669160231244?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116808669160231244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116808669160231244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/01/para-mim-o-sujeito-de-uma-fotografia.html' title=''/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-116761252051118548</id><published>2007-01-01T00:46:00.000Z</published><updated>2007-01-01T00:48:40.523Z</updated><title type='text'>Um Muitooooo Feliz 2007</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ol2fN0bZCso"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ol2fN0bZCso" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-116761252051118548?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116761252051118548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116761252051118548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2007/01/um-muitooooo-feliz-2007.html' title='Um Muitooooo Feliz 2007'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-116186088848041689</id><published>2006-10-26T01:02:00.000+01:00</published><updated>2006-10-26T12:08:08.496+01:00</updated><title type='text'>O Silêncio de Deus</title><content type='html'>Um daqueles dias em que se sente o corpo a falir. Em que dói por fora e dói por dentro, e estamos presos por um nada qualquer, com a cabeça vergada e os olhos a bater no chão lá longe, caminhando para o desespero que é sustentar o imperativo biológico. Em que nada se combina e os terrores deslizam por cada centímetro de pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...E a espada que desce um bocadinho mais e o seu bico quase quase a tocar no topo da matéria a que estamos confinados... E fora do corpo, a folha que continua a cair, a chuva que continua a cair, o Inverno que continua a cair...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um daqueles dias onde tudo se vai e com isso o sentido de tudo. E vai-se a fé. E as justificações, e "o karma de cada um" que atenua a fome, a miséria, a solidão, a violência dos corpos, a morte daqueles que amamos. Para o raio que os parta, para o raio que me parta com as teorias do sentido, com a mania de racionalizar, ordenar e sistematizar a escrita de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...E a chuva que continua a cair. E o silêncio a bater, a bater, insurdecedor. E as pessoas que falam lá longe. E eu que quero ir para casa, que fica naquele abraço que sempre me salva. E dormir, dormir muito, e acordar amanhã, como ontem, de bem com a vida e com as perguntas sem resposta... para sentir o fundo, o Todo, o outro silêncio, o leito do oceano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-116186088848041689?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116186088848041689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116186088848041689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2006/10/o-silncio-de-deus.html' title='O Silêncio de Deus'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-116112205843857673</id><published>2006-10-17T22:53:00.000+01:00</published><updated>2006-10-17T22:55:08.226+01:00</updated><title type='text'>L Word</title><content type='html'>Já tenho saudades do L Word. É bom que a terceira série comece depressa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-116112205843857673?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116112205843857673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116112205843857673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2006/10/l-word.html' title='L Word'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-116110420279863442</id><published>2006-10-17T17:10:00.001+01:00</published><updated>2011-06-09T01:59:07.029+01:00</updated><title type='text'>Delírios pseudo-literários</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou num recipiente com gasolina e regou as milhares de formigas que descobriu debaixo da pedra. Ateou-lhes fogo e ficou a ver. Quando a amiga mais nova a indagou sobre o facto, ela disse que aquelas tinham sido as formigas que mataram o seu primo. Livrou-se rapidamente da condenação e ficou a ver. Ela nunca teve primos. Quarenta e muitos anos mais tarde, tirou a conclusão: "Mais vale ser miúda do que formiga".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembra-se que, enquanto observava o circo de fogo, pensava no tamanho da formiga e no seu, em como o espectáculo da morte era viciante e em como a culpa era quase nula olhando para aqueles seres quase microscópicos. Não evitou sentir-se surpreendida por ter sentido assim. A amiga, ao contrário, estava horrorizada e, ainda que calada, não o escondera. Independentemente do tamanho dos animais, matar era um acto mau - repetira depois, incansavelmente. Quarenta e muitos anos mais tarde, a assassina de formigas tira ainda outra conclusão: "A minha amiga era a mais baixa da classe. A distancia entre ela e as formigas era menor que a distancia entre mim e elas ... e isto muda tudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;II &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de tudo isto aqui sentada, com ela ao lado. Nunca pensei estar às portas do Céu - quer dizer, pode ser do Purgatório, ou do Inferno - com uma formiga ao meu lado. Não sabia que tinham alma. Perdão, eu não sabia que tinham alma. Eu não quero ir para o Inferno. Penso em gritar, chorar, implorar-lhe perdão, mas não me parece que vá adiantar. Será? Será que estou aqui com ela por causa daquelas formigas que massacrei? Mas isso foi há quarenta e muitos anos, eu ainda era viva, apenas uma mortal com defeitos e... era uma miúda. Pois, é isso mesmo, eu era uma miúda. Ela olhou para mim, o que é que eu faço? Será que também estranha o facto de estar aqui comigo? E se eu lhe falasse? Mas elas não falam a mesma língua. Suspiro... Consigo ouvir o meu suspiro como se estivesse acima - ou abaixo- de mim e, ao mesmo tempo que vivo estas coisas, - vivo? - consigo narrá-las, como se estivesse fora de mim. Eu morri...&lt;br /&gt;- Sabes eu não sabia que as formigas tinham alma? Desculpa. Eu sei que não deve adiantar nada, mas pronto, assim vou melhor comigo.&lt;br /&gt;-Descansa. Não estamos aqui por causa dos milhares de meus irmãos que mataste - responde-me.&lt;br /&gt;[... O quê? Ela ouviu-me e percebeu-me... Mas que língua falamos? ]&lt;br /&gt;- Não falamos língua nenhuma, idiota... Comunicamos. Aqui somos só almas.&lt;br /&gt;[... O quê? Ela também ouve os meus pensamentos. Eu não estou preparada para morrer. Quero a minha privacidade].&lt;br /&gt;- E como é que sabes que não estamos aqui por causa das tuas companheiras?&lt;br /&gt;- Porque esta é a segunda vez que cá venho?&lt;br /&gt;- Mas vocês vivem duas vezes?&lt;br /&gt;[...Idiota...]&lt;br /&gt;[O quê? Ela não falou, ela pensou aquilo. Eu ouço os pensamentos dela. Afinal, isto pode ser divertido].&lt;br /&gt;- Eu morri há uns dias e vim aqui parar... e o velho das barbas disse-me para ir para a "nuvem especial" relembrar a minha vida, que depois me chamaria para me fazer umas perguntas. Vejo que é a tua primeira vez. Na minha primeira vez estava uma imensa fila de gente, cães, gatos, cobras, até um rinoceronte. Coitado do velho, farta-se de trabalhar. E os mais medrosos eram vocês. São uns ricos mafarricos, chegam aqui e admiram-se muito de nós, os irracionais - é assim que nos chamam, certo? - estarmos aqui, a dividir o mesmo espaço. Depois, arrependem-se de tudo. Para mim, estão todos desculpados. Um pé é só um pé, não lhe vejo o rosto, portanto, é sempre o mesmo - diz-me.&lt;br /&gt;[...Sendo assim, confesso, fico bem mais aliviada].&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-116110420279863442?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116110420279863442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/116110420279863442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2006/10/delrios-pseudo-literrios.html' title='Delírios pseudo-literários'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-115828909680551927</id><published>2006-09-15T01:16:00.000+01:00</published><updated>2006-09-15T04:16:09.636+01:00</updated><title type='text'>A deslumbrada e a amarga (a amarga sou eu)</title><content type='html'>Por momentos, pensei que estava a delirar e a ter um diálogo ao vivo com o Acácio, mas não era o gato Acácio, era só a amiguinha da minha amiga Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes fosse só um delírio do amargo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olá, então tu é que és a jornalista?!!- Começou assim, com um largo sorriso, como se me conhecesse há anos. Espeta-me com dois beijos repenicados de "dondoca" e um abraço... e eu, eu fiquei seca, no meio de um abraço que me pareceu ser mais à minha profissão do que a mim. De resto, não poderia ser destinado a mim, porque não me conhecia de lado algum. Fiquei embaraçada. Fico sempre embaraçada com manifestações efusivas de "afecto". De facto, detesto-as, a não ser quando partem de gente que conheço há muitos anos e que já entram e saem do meu coração sem pedirem permissão, porque assim já lhes permiti.&lt;br /&gt;Na minha cabeça, começa a sessão da troça, imagino-me a imitar os tiques de dondoca disfarçada, a pôr o braço no ar, a fazer esgares e boquinhas em contorcionismos labiais, a dizer "querida, gaja, ouvi falar tanto de ti" e parvoíces do género... Mas é só na imaginação. Por fora fico quieta, sou incapaz de fazer troça, ainda que me apeteça muito. Fico tão quieta que pareço tímida e quando eu pareço tímida é porque não estou a pensar coisa boa. É triste, mas é instantâneo. E naquele caso, foi mesmo muito instantâneo. Ali estava aquela menina de cabelo meticulosamente desalinhado, ganchinhos coloridos, malita e brincos género hippies, com o "gloss" rosa na mão para dar uns retoques, entre um abraço e outro, num exercício de conveniente alpinismo social...&lt;br /&gt;Detesto tiques. Detesto a falsa simpatia, detesto o riso que não vem da alma. Detesto que me abordem sem tempo e me invadam o espaço de forma barulhenta. Sou uma rapariga de origens rurais e as pessoas do campo gostam da simplicidade, da elegância, da economia de gestos. E além disso sou chata. Mas parei e disse para comigo: Rapariga, estás a ser má. Pode ser porreira, lá porque parece parva, não quer dizer que seja. E fiquei, assim, a tentar ter cara, para quando me confrontasse com a cara dela, depois do abraço vindo de nenhures. Mas ela voltou à carga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda, agora vamos para ali para me contares tudo dessa tua fantástica profissão. - Não imagino como estava a minha expressão, lembro-me de ter feito um sorriso amarelo. Olhei à volta para ver se via a Ana. E nada. Não tenho jeito para fazer conversa quando não me apetece fazer conversa. Mas não consigo ser rude, a não ser no limite. E, no entanto, admito que a minha expressão fosse de extrema rudeza de tão aparvalhada. Quando dei por ela, já ela me tinha agarrado por um braço e levado para um sítio qualquer. Lá que tinha jogo de cintura, tinha. - Então, como é que é ser jornalista, conta lá... Há quantos anos é que és jornalista? E gostas? A Ana falou-me tanto de ti.&lt;br /&gt;- Olá, sou jornalista há quase 10 anos...&lt;br /&gt;- É bué. E gostas? Eu acho que vou adorar, eu estudo jornalismo, sabias? Imagino que vou, todos os dias, fazer coisas diferentes, ter uma agenda super-preenchida, viajar... Sabes, detesto a monotonia, fazer todos os dias a mesma coisa não era para mim... podes ter a certeza.&lt;br /&gt;- Pois... (tirem-me daqui, eu só vim dar um beijo a uma amiga numa festa que lhe é importante. A minha família está à minha espera...Onde é que está a Ana?)&lt;br /&gt;- Já viajaste muito?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Onde, onde é que estiveste?&lt;br /&gt;- Em Portugal. Em trabalho, nunca saí muito. Mas viajei muito.&lt;br /&gt;- Sim, mas eu estou a falar de viagens a sério.&lt;br /&gt;- Pois, eu também.&lt;br /&gt;- Anda lá, onde é que estiveste?&lt;br /&gt;- No Portugal real, é uma viagem fantástica, podes crer.- Soltou-se-me uma garagalhada de descompressão. - E estive em diversos sítios da natureza humana também. É alucinante. Não precisas de bilhete de avião. Mas que idade é que tens?&lt;br /&gt;- Eu? Tenho 23, estou quase, quase, a acabar. Nem acredito... - E começou aos pulinhos.&lt;br /&gt;- E disseram-te assim tantas maravilhas desta profissão?&lt;br /&gt;- Escuta, deve ser a matar...&lt;br /&gt;- Desculpa lá a pergunta (mas já que somos íntimas - pensei), por que é que queres ser jornalista?&lt;br /&gt;- Para viajar, para fazer coisas diferentes... e a malta deve ganhar bem.&lt;br /&gt;- Foi isso que te disseram?&lt;br /&gt;- Não, claro que não, não ando a dormir. Já sei que é um bocado duro para entrar, já sei que se ganha mal no início, já sei que é muito competitivo. É a cena marada do capitalismo, tás a ver... Mas tá-se... A minha mãe conhece um gajo que é bué importante num jornal e... Tás a ver... facilita. O resto, depois de entrar... sei que vou ser boa. Eu sinto mesmo isso.&lt;br /&gt;- Pois, então tens tudo o que é preciso. Um bilhete de entrada e auto-confiança.&lt;br /&gt;- Yhaá...&lt;br /&gt;- E que reportagens gostavas tu de fazer?&lt;br /&gt;- Sei lá, qualquer coisa, desde que faça coisas diferentes todos os dias. Olha, gostava de trabalhar numa secção da cultura, acho que se viaja mais e entrevista-se gente bonita, aprende-se bué.&lt;br /&gt;- Pois, estou a ver que és uma amante do belo...&lt;br /&gt;- Sim, mas adoraria trabalhar numa revista de viagens, tás a ver...&lt;br /&gt;- Já mandaste currículos?&lt;br /&gt;- Tás parva, gaja? Já te disse que a minha mãe tem a cena controlada. A gente tem que ir para onde é possível, né? Senão, nunca mais...&lt;br /&gt;- Pois, é realista... Então até qualquer dia, porque eu tenho mesmo que ir. Dizes à Ana que já fui?&lt;br /&gt;- Mas espera, não me contaste, o que é que fazes?&lt;br /&gt;- Nada de importante, jornalismo menor, não viajo de avião, não entrevisto gente bonita. Na maioria das vezes, ando ao lado dos pobrezinhos e não se aprende nada com eles... tás a ver? - ironizei. A medir pelo que se seguiu, não percebeu.&lt;br /&gt;- Que chato... A Ana falou-me tanto de ti.&lt;br /&gt;- Pois, os amigos exageram sempre, sabes como é. Boa sorte para ti.&lt;br /&gt;- Para ti também, de certeza que vai melhorar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim embora, não sem antes enviar uma mensagem à Ana, a insultá-la. A caminho de casa, enquanto conduzia, tive a nítida sensação de que, um dia, aquela menina iria mesmo ser minha colega de profissão, e percebi, talvez como nunca, uma frase que o meu marido diz sempre: " O importante não é o que sabes, é quem conheces e com quem te dás".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para o bem e para o mal, não creio que alguma vez a lucidez invalide a natureza...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-115828909680551927?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/115828909680551927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/115828909680551927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2006/09/deslumbrada-e-amarga-amarga-sou-eu.html' title='A deslumbrada e a amarga (a amarga sou eu)'/><author><name>Sophia; Leonor P. Watson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02352274541700355394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-das3nwS_Qxk/TdT-xDql5XI/AAAAAAAAAD4/5YyDzREEAw8/s220/nono.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32908404.post-115742096081033724</id><published>2006-09-05T02:41:00.000+01:00</published><updated>2006-09-05T02:49:25.306+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por causa dos velhinhos portugueses que são dos mais pobres na Europa, sendo que 29% sobrevive com cerca de 250 euros mensais; por causa da eterna saga dos professores; por causa de todos aqueles que realmente trabalham sem às vezes se perceber onde arranjam forças, lembro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Reis, as montras, tu sabes,&lt;br /&gt;ainda é um história.&lt;br /&gt;Olhas as roupas, sapatos, maquinetas.&lt;br /&gt;Da sopa também falava o Ruy Belo&lt;br /&gt;e da gordura.&lt;br /&gt;Mas e do medo que a própria sopa&lt;br /&gt;faltasse ao jantar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Guerra Carneira, Lixo, Edição &amp;amp; etc., Lisboa, 1993&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32908404-115742096081033724?l=silenciodeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/115742096081033724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32908404/posts/default/115742096081033724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://silenciodeus.blogspot.com/2006/09/por-causa-dos-velhinhos-portugueses.html' title=''/><author><name>Sophia; Leonor P. 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